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Ara Güler: Um Jogo de Luz e Sombra

Esteve patente em Amesterdão uma exposição da vasta e icónica obra fotográfica de Ara Güler (23 de junho-8 de novembro, Museu de Fotografia Foam). 



Centenário de José Saramago em Istambul: Voltar aos Passos Que Foram Dados

    



 


Exposição “Voltar Aos Passos Que Foram Dados”, com curadoria da Fundação José Saramago e com apoio da Embaixada de Portugal na Turquia  e do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua I.P., em parceria com a editora Kirmizi Kedi.

Centro de Artes Shcneidertempel, Istambul - de 9 a 27 de novembro.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) V: A Sala Besim Atalay





























Besim Atalay (1882-1965) foi um cientista, escritor, investigador, professor, tradutor e deputado. Foi professor e director da Escola de Professores de Konya, Trabzon e Ancara, e director de Educação em Maraş, İçel e Niğde. Foi professor de língua persa na Faculdade de Letras, História e Geografia de Ancara entre 1937 e 1942. Sabia também língua árabe e línguas turcas antigas. Traduziu o Divanü Lugat-it-Türk e o Corão para Turco. Foi membro da Sociedade de Filologia. Escreveu romances, ensaios e livros sobre história e religião. Traduziu o Divanü Lugat-it-Türk e o Corão para Turco.
Doou os raros manuscritos que foi coleccionando à Biblioteca Nacional da Turquia e valiosos objectos de interesse etnográfico ao Museu de Etnografia de Ancara. A Sala Besim Atalay abriu ao público em 1963.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) IV: O Café e os Turcos








Aspecto de uma sala do Museu de Etnografia de Ancara denominada "O Café e os Turcos", onde são exibidos utensílios e recriados ambientes que retratam esse elemento tão importante da cultura turca.

A origem do café é em África e remonta pelo menos ao século XIII. No entanto, poderá remontar ao século IX, a um mosteiro do sul da Abissínia, no reino Kaffa da Etiópia. Difundiu-se depois para o Iémen e em seguida para Meca. A evidência mais credível do conhecimento do café e da sua utilização como bebida, é de meados do século XV, nos mosteiros sufi do Iémen. Os muçulmanos que se deslocavam a Meca em peregrinação, terão conhecido a bebida e levaram-na para os seus países. Em meados do século XVI já teria chegado ao Médio Oriente, Pérsia, Turquia e norte de África. Depois o café difundiu-se para a Itália e resto da Europa, Indonésia e América.
Os Turcos conheceram a bebida após a conquista do Egipto pelo sultão Selim I. A difusão da bebida e a abertura de casas de café no Império Otomano ocorreu durante o reinado de Solimão, o Magnífico, no século XVI.
A primeira casa de café abriu em Istambul, Tahtakale, em meados do século XVI. O café era também oferecido em privado aos convidados, nas casas de Istambul e da Anatólia.
Em 1511 o café foi proibido devido às suas propriedades estimulantes, pelos imames conservadores num tribunal teológico em Meca. Contudo, esta proibição foi retirada em 1524 por uma ordem do sultão Selim I, com o Grande Mufti Mehmet Ebussuud el-İmadi a emitir uma fatwa a autorizar o consumo de café.
O café foi introduzido na Europa ocidental através das trocas comerciais do porto de Veneza com países africanos e com a Ásia e leste da Europa. O café foi mais amplamente aceite na Europa após o papa Clemente VIII ter aceitado formalmente o seu consumo pelos Católicos em 1600. Em 1645 abria a primeira casa de café em Veneza.
A preparação do café no Império Otomano obedecia a alguns preceitos, para os quais eram necessários diversos utensílios. Os grãos de café primeiro eram tostados e depois eram arrefecidos. Eram depois moídos e armazenados em caixas prórias. Para a preparação do café eram utilizadas cafeteiras próprias, e em algumas regiões o café era feito em braseiros. O café era depois colocado em jarros ou bules, e depois servido em pequenos copos de porcelana colocados dentro de recipientes de metal que podiam ser feitos de ouro, prata ou cobre. Como a água acompanha sempre o café turco, também foi sempre dada atenção a esse aspecto mediante a utilização de recipientes, principalmente de vidro.
Ainda hoje se mantém na Turquia parte deste ritual de preparação e consumo do café, embora a fase da moagem seja mais simplificada. Continua a dar-se grande importância ao ritual do consumo do café, existindo uma grande oferta de utensílios inspirados e copiados daqueles utilizados durante o Império Otomano.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) III: Metais












Alguns artefactos de metal presentes no Museu de Etnografia de Ancara.

A Anatólia é muito rica em minério, e por isso a tradição da arte do trabalho do metal tem uma longa história. Antes dos túrquicos virem para a Anatólia, já produziam utensílios de metal na Ásia Central. Quando os Túrquicos se tornaram muçulmanos, começou um período florescente na arte do trabalho do metal.
São utilizados diversos metais na arte turca do trabalho do metal, como ouro, prata, cobre e bronze, e as técnicas de ornamentação consistem em gravura, relevo, filigrana, esmalte, entre outras.
Os Seljúcidas da Anatólia contribuíram para o desenvolvimento da arte do trabalho do metal no que diz respeito às técnicas, materiais e ornamentação.
Durante o período otomano, as minas de cobre foram intensamente exploradas na Anatólia e nos Balcãs, assim a arte do trabalho do metal nesse período atingiu um alto nível de qualidade. Por um lado, artefactos de prata e ouro de grande qualidade eram produzidos principalmente para o palácio. Por outro lado, muitos objectos de cobre de uso quotidiano estavam presentes em praticamente todas as casas. Os grandes centros produtores de muitos utensílios de cozinha de uso quatidiano eram Diyarbakır, Tokat, Trabzon, Erzincan, Kayseri, Kastamonu, Bursa, Istambul, Edirne e Sarajevo. Esses objectos eram decorados geralmente com motivos florais como folhas, ciprestes, tulipas, mas também romãs.
O Museu de Etnografia de Ancara possui uma rica colecção de artefactos de metal datados do período seljúcida e otomano.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) II: Tapeçaria










Alguns dos tapetes expostos no Museu de Etnografia de Ancara.

A arte da tapeçaria tem uma tradição ancestral na Anatólia. Os primeiros exemplares de tapetes feitos com a técnica de atar, o elemento mais importante na tecelagem do tapete, terão sido feitos pelos Hunos, uma tribo equestre nómada ou semi-nómada da Ásia Central, que se foi deslocando para a Europa a partir do século IV. Os fragmentos de tapetes encontrados nas escavações da necrópole de Pazırık, no sopé dos montes altai, são os mais antigos exemplares de tapetes atados e datam dos séculos III-IV.
A arte da tecelagem de tapetes atados que se difundiu entre as tribos nómadas da Anatólia Central, chegou à Anatólia no século XI com os Seljúcidas. Um tapete da Mesquita Alaattin em Konya, encontra-se no Museu das Artes Turcas e Islâmicas. Dois de três exemplares da Mesquita Eşrefoğlu, em Beyşehir, encontram-se no Museu Mevlana também em Konya. O terceiro está numa colecção privada em Londres. Sete exemplares encontrados em Fustat (antiga Cairo) estão no Museu Nacional de Estocolmo e no Museu Göteborg Rhöss na Suécia.
Apesar de serem produzidos tapetes em todas as regiões da Anatólia desde o século XVI, Gördes, Kula, Milas, Uşak, Ladik, Kırşehir e Sivas tornaram-se centros de referência de produção de tapetes durante o Império Otomano. Os tapetes produzidos nestas regiões apresentam pontos em comum no que diz respeito ao uso da técnica turca de atar e de fio de lã, mas apresentam diferenças em termos de cor e motivos representados.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) I



O Museu de Etnografia de Ancara foi desenhado pelo arquitecto Arif Hikmet Koyunoğlu e construído entre 1925 e 1928. Abriu ao público por ocasião da visita oficial à Turquia do rei do Afeganistão Amanullah Han, a 18 de Julho de 1930. De 21 de Novembro de 1938 até 10 de Novembro de 1953 funcionou exclusivamente como mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, o pai da Turquia moderna, até à construção de Anıtkabir. Essa secção do museu mantém-se como mausoléu simbólico em memória de Atatürk, onde pode ler-se: "Este é o local onde Atatürk descansou em paz entre 21 de Novembro de 1938 e 10 de Novembro de 1953 depois da sua morte a 10 de Novembro de 1938.” Abriu novamente como museu em 1956.





Alberga obras de arte do período seljúcida até ao presente, e dá a conhecer aspectos da cultura e tradições do povo da Anatólia, nomeadamente através de peças de vestuário, adereços e calçado, recolhidos de todos os cantos da Anatólia. Possui uma rica colecção de tapetes de diversas regiões da Anatólia com diferentes técnicas, materiais e estilos, exemplares de cobre do período otomano de uso quotidiano e também decorativos, armas do período otomano, porcelanas e exemplares de caligrafia turca. O trono do sultão seljúcida Keyhüsrev (século XIII), o sarcófago de Ahi Şerafettin (século XIV), o altar e púlpito da mesquita Tashur Pasha da aldeia Damsa em Ürgüp, Nevşehir (século XII), o púlpito da mesquita Siirt Ulu (século XII), e a porta da madrassa Merzifon Celebi Sultan (século XV) são belos e únicos exemplares do trabalho da madeira também presentes neste museu.