Mostrar mensagens com a etiqueta Realizadores Turcos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Realizadores Turcos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

"As Ervas Secas" de Nuri Bilgi Ceylan nos cinemas portugueses

Chegou aos cinemas nacionais “As Ervas Secas”, a obra do cineasta Nuri Bilge Ceylan escolhida para representar a Turquia nos Óscares do próximo ano.

Tudo ou nada, parece ser o conceito de vida que caracteriza em larga medida o comportamento daqueles que habitam o perímetro de uma pequena aldeia situada numa zona remota da Península da Anatólia, igualmente conhecida como Ásia Menor, banhada a Norte pelo Mar Negro, a Sul pelo Mar mediterrâneo e a Oeste pelo Mar Egeu, e que corresponde a mais de metade da Turquia. 

Não é a primeira vez que o realizador do agora estreado “Kuru Otlar Ustune” (“As Ervas Secas”), Nuri Bilge Ceylan (nascido em Istambul a 26 de Janeiro de 1959), investe numa ficção situada naquele fim-do-mundo para onde alguns dos seus compatriotas são deslocados quase sempre obedecendo a um planeamento burocrático determinado pelo poder central exercido a partir da capital, Ancara.

Basta recordar o vencedor da Palma de Ouro e do Prémio FIPRESCI (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica) no Festival de Cannes de 2014, o belíssimo “Kis Uykusu” (“Sono de Inverno“), ou o igualmente premiado em Cannes com o Grande Prémio do Júri em 2011, “Bir Zamanlar Anadolu’da” (“Era Uma Vez na Anatólia”), para se constatar a óbvia opção do cineasta, argumentista, fotógrafo e ator por um espaço muito especial do ponto de vista geográfico e simultaneamente do ponto de vista sociológico – universo de contrastes relevante num país dividido entre dois continentes cujas visíveis diferenças condicionam muitas e agrestes vezes o estabelecer de pontes necessárias para se erguer uma réstea que seja de unidade nacional digna desse nome, um diálogo solidário capaz de sustentar a salvaguarda de um futuro que se pode e deve desejar sempre mais radioso.

NUMA TERRA SEM OUTONO NEM PRIMAVERA

Nesta que considero ser, no nosso mercado, a última grande estreia comercial em sala de 2023, iremos acompanhar um professor, Samet (Deniz Celiloglu), e a relação algo próxima e relativamente ambígua que aqui e além estabelece com uma aluna, Sevim (a estreante Ece Bagci), uma adolescente meio inocente meio perversa que nutre por ele uma subliminar e em boa verdade não muito secreta paixão, se considerarmos a atitude que revela nos pequenos grandes sinais de sedução e de aproximação física que de algum modo são o reflexo natural de uma atmosfera de amizade gerada por insinuações e um ou outro indício de atracção mal disfarçado por parte do seu mestre.

Há nesta relação homem adulto/jovem rapariga e no modelo utilizado para a encenar uma nítida vontade por parte da realização de nos manter sempre na expectativa sobre a real natureza dos comportamentos de uma e outra personagem. Facto, aliás, que irá ser dominante na relação de Samet com outras personagens relevantes no interior desta ficção, figuras complexas no desfiar da sua humanidade e que se vão cruzar com Samet de forma bastante incisiva no plano da revelação pessoal, sobretudo num contexto imposto por circunstâncias exteriores que se perfilavam redutoras de uma possível mas atribulada afirmação da sua verdadeira personalidade.

De igual modo, e para reforçar a sensação das barreiras impostas pela realidade política, social e económica onde estes homens e mulheres estão inseridos, cúmplices ou não do panorama cultural e ideológico que domina o pensamento da região, nunca será posto de lado o sentimento geral de que esta comunidade, quer no exterior quer no interior da escola pública, vive na sombra “paternal” das práticas quotidianas que seguramente coincidem com o radical olhar penetrante do pai da Pátria, sob a efígie do patriarca fundador de uma nova era dita moderna, por romper com ancestrais práticas otomanas, o militar e estadista Mustafa Kemal Ataturk (1881-1938), primeiro Presidente da República da Turquia, proclamada a 29 de Outubro de 1923. Mesmo enquanto busto, lá está ele para recordar quem ainda continua a influenciar certos caminhos e preceitos institucionais na Turquia. Mesmo que seja memória viva do passado, há vestígios de uma autoridade pretérita que desemboca nos dias de hoje, similares ao respeitinho pelas normas e regulamentos que irão sobressaltar o percurso mais ou menos rotineiro do professor Samet, assim como de um outro seu colega com quem partilha a casa, Kenan (Musab Ekici).

Tudo porque Sevim e outra colega os acusam de contactos inapropriados que prefiguram aos olhos das autoridades escolares abusos de natureza sexual, naturalmente proibidos, mas nunca comprovados por quem aceitou as ditas acusações sem as confrontar com o respectivo contraditório. Nada de espantar, sobretudo numa escola onde alguns docentes não se furtam a prestar serviço exercendo o papel de esbirros repressores, vasculhando nas malas e secretárias dos discentes aquilo que consideram inadequado, como por exemplo, um isqueiro, um caderno escolar que não corresponda ao modelo oficialmente aprovado e, desgraça das desgraças, um espelho ou uma simples e porventura singela carta de amor. Neste caso, a carta de Sevim que Samet, contra a vontade da jovem, irá confiscar, facto que dará origem ao sobressalto emocional da rapariga e ao consequente acto de denúncia.

Todavia, a relação de Samet com as mulheres não se fica pelo universo da adolescência, e pouco a pouco iremos seguir uma outra e mais importante, melodramaticamente falando, relação adulta com Nuray (excelente prestação da actriz Merve Dizdar), figura da mulher emancipada, submetida a preconceitos que persistem e parecem não se desvanecer com facilidade, mas livre na medida em que subverte alguns dos limites impostos pela sociedade e realidade circundantes. Será ela que irá desafiar Samet, de forma indireta mas calculada, a despertar o fulgor do desejo e a assumir uma relação mais íntima que ao início parecia não ser provável.

Todavia, pouco depois sentimos a relação algo condenada, já que a partir de certa altura Nuray parece deslocar o seu olhar sedutor e a sua preferência para Kenan. E fá-lo literalmente nas barbas de Samet. Parte substancial do filme passa a ser então o jogo de máscaras pontuado por encontros e desencontros de Samet com Nuray, de Samet com Kenan, palavras e discussões mergulhadas na mais diversa subjectividade e também no lado físico e objectivo do amor de uma mulher, mutilada pela explosão de um atentado mas inteira na sua vontade de seguir em frente com a vida que para ela faz sentido, independentemente do que Samet, Kenan ou outros possam pensar.

Tudo bate certo no quadro estrutural de um argumento servido por uma planificação clássica, mesmo quando as coisas não são lineares, até ao momento em que Nuri Bilge Ceylan decide lembrar-nos, através de um expediente da linguagem áudio e visual, que poderíamos apelidar de distanciação brechtiana, que as acções e emoções das personagens e a solidez da sua relação não passam de uma ficção, como a querer dizer-nos: não se deixem levar pela superfície das coisas, olhem antes para o que está por detrás da sensação de verdade, a verdade da mentira. Numa sequência fulcral, Samet abandona o quarto onde já estava escrito nas estrelas o pulsar sexual nascido de uma longa conversa confessional entre ele e Nuray, que os levaria finalmente ao contacto físico e íntimo. Em suma, sexo, ponto final. Tudo começa por um algo intrigante mas compreensível apagar de luzes nas salas contíguas do referido quarto.

Depois de cumprir o pedido de Nuray, em vez de caminhar para a objetiva Samet desvia o seu percurso, abre uma porta e sai para logo a seguir atravessar o amplo espaço de um estúdio cinematográfico onde são visíveis os bastidores do cenário. Na altura em que se fazia realçar a verdade do corpo e da alma dos amantes, há um corte que funciona como uma pausa dramática, um link que nos desvia por um caminho alternativo, mais um Ctrl Alt Delete seguido de uma espécie de Reset da narrativa. Entretanto, Samet regressa ao encontro de Nuray e o filme, que nunca deixou de o ser, retoma o seu percurso. Mas nada será como dantes.

Tudo adquire a partir dali uma dimensão que polariza a importância da partilha material, descobrindo-se o corpo e a visão sem filtros do pedaço de perna que falta a Nuray. Mas este desvio faz-se sem abandonar a fugaz ou a persistente partilha espiritual das personagens que, aliás, sai de algum modo reforçada. Tudo ainda para que, mais adiante e por outro corte, a realização nos introduza uma componente mais onírica e filosófica do que realista, que preenche os últimos minutos e ilumina as derradeiras sequências de “As Ervas Secas”. Nesse epílogo solar, ao contrário da neve e do branco sombrio que antes servira de décor natural ao desenrolar das diferentes histórias contra o qual se desenhavam as silhuetas e o destino dos humanos, vemos agora o radioso amarelo que inunda os campos cobertos por uma vegetação rasteira cuja cor quente será desvendada pela fusão da neve quando o Inverno acaba, aquela estação que morre para logo dar lugar ao renascimento do Verão. Desta vez, ao reset da Natureza.

Será pela voz de Samet, cumprido que foi o seu calvário no frio escolar da Anatólia e prestes a viajar para Istambul, que ficaremos a saber como os habitantes daquela região a caracterizam no plano da sua especificidade climática: “Quando vim para cá disseram-me que só existiam duas estações, o Inverno e o Verão. Tinham razão. Entramos directamente no Verão, sem passar pela Primavera. As ervas que durante longos meses estiveram cobertas pelo manto branco da neve parecem agora amarelas sem nunca chegarem a ser verdes”. Desta definição/indefinição do que se vê ou não vê, do que permanece visível/oculto nas contradições da Natureza propriamente dita e nas vicissitudes da natureza humana, do que se vai alcançando e do que permanece inacessível, dialécticas geradas pelo TEMPO e pelo MODO como percecionamos os mistérios do universo que enquadram as nossas vidas num precário equilíbrio cósmico que ilusoriamente julgamos controlar, se faz o núcleo central deste filme.

São as ervas secas que marcam o caminho da nossa existência, as que vivem para além do frio do Inverno e que despontam no calor do Verão, como os sentimentos que irão marcar para sempre as memórias de Samet. Por fim, longe da Anatólia e pacificado consigo mesmo, não deixará de pensar na rapariguinha que procurou estabelecer com ele mais do que uma fugaz relação de amizade entre professor e aluna. Relacionamento contaminado pela aparente impossibilidade de Samet conciliar o seu olhar com o olhar de Sevim, perdidos que estavam na vertigem dos seus diferentes mundos e na fragilidade dos sonhos e das falsas esperanças que ambos alimentaram.

Crítica - Por João Garção Borges

As Ervas Secas (Kuru Otlar Üstüne)

Realizador: Nuri Bilge Ceylan

Elenco: Deniz Celiloglu, Merve Dizdar, Musab Ekici, Ece Bagci

Género: Drama, 2023, 197min

PRÓS: Nuri Bilge Ceylan sempre soube dosear as palavras ditas pelos atores com os ritmos existenciais associados ao desempenho de cada uma das suas personagens. Dito isto, um dos seus pontos fortes encontra-se na direção de atores, e “As Ervas Secas” não constitui excepção. Quando esta qualidade se junta ao elenco escolhido a dedo, dificilmente as coisas falhariam no campo ficcional. Tudo o que pode e deve ser apreciado neste filme justifica plenamente o lugar que o realizador ocupa nos melhores quadrantes do cinema internacional que defende a arte e a afirmação plena de práticas fílmicas inerentes ao exercício criativo de um verdadeiro autor.

Muito boa Direcção de Fotografia, quer nos exteriores quer nos interiores, responsabilidade da dupla Kursat Uresin e Cevahir Sahin.

Magnífica presença dos atores secundários e protagonistas, com especial destaque para Merve Dizdar, no papel de Nuray, que recebeu com inteira justiça o galardão para Melhor Actriz no Festival de Cannes de 2023.

CONTRA: Nada.

(Fonte: Magazine HD)

sábado, 3 de junho de 2023

"Kuru Otlar Üstüne" (About Dry Grasses) o novo filme de Nuri Bilge Ceylan

O primeiro filme em cinco anos de Nuri Bilge Ceylan deixou marca na competição de longas-metragens do Festival de Cannes de 2023 ao receber os elogios da crítica e o prémio de melhor interpretação feminina, entregue a Merve Dizdar.

Em "Kuru Otlar Üstüne" (About Dry Grasses), um dos mais aclamados cineastas da atualidade, vencedor da Palma de Ouro em 2014 com "Sono de Inverno", volta a filmar nas belíssimas e inóspitas paisagens da Anatólia, onde segue o jovem professor de arte Samet que está a terminar o quarto ano de serviço obrigatório numa remota zona rural.

O sonho de regressar a Istambul esfuma-se quando é acusado de abusar de uma aluna. Angustiado, aproxima-se de Nuray, uma colega de profissão que lhe oferece apoio emocional.

O filme será lançado nos cinemas portugueses pela Leopardo Filmes.

(Fonte: Film Spot)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Filme turco premiado em Melgaço


O realizador turco Kazım Oz, em longa-metragem, Mahdi Fleifel, da Palestina, em curta e média metragem, e Leonor Areal, pelo melhor documentário, foram os vencedores da primeira edição do prémio Jean Loup Passek, atribuído pelo festival cinematográfico de Melgaço.
Em comunicado hoje, a organização do festival "Filmes do Homem", que terminou no domingo naquela vila do Alto Minho - a cargo da câmara e da Associação de Produção e Animação Audiovisual (AO NORTE) -, adiantou que os filmes premiados foram "He Bu Tune Bu/Once Upon a Time", "Xenos" e "Aqui tem gente", respectivamente.
O filme do realizador turco "retrata uma família curda, pobre e numerosa, que deixa Batman com destino a Ancara para trabalhar nos campos agrícolas. Sem quaisquer benefícios e com salários muito baixos, a família trabalha para ganhar a vida, cultivando alface". O júri do festival destacou "a forma como ficciona o real dando corpo, com apurado sentido cinematográfico, a uma narrativa que logra transformar os protagonistas curdos em personagens num contexto em que as relações pessoais e familiares interagem com o pano de fundo revelador, na Turquia de hoje, da existência de relações sociais que perpetuam a servidão". Além do galardão, o realizador recebeu um prémio pecuniário, no valor de três mil euros. 
O prémio Jean Loup Passek, baptizado em homenagem ao crítico e programador de cinema francês que doou parte do seu espólio à Câmara de Melgaço, teve como júri Jorge Campos, Catarina Alves Costa, Jean-Loïc Portron, José Manuel Sande e Tiago Hespanha.
Durante os seis dias passaram por Melgaço 35 convidados, entre realizadores e produtores de cinema, investigadores, compositores e outras personalidades ligadas ao cinema e às migrações. Foram exibidos, no centro de Melgaço, nas freguesias do concelho e em Arbo, na Galiza, 25 filmes.
O programa do festival incluiu ainda, pela primeira vez, um curso de verão, intitulado "Fora de Campo", para reflexão e debate em torno do tema "Cinema e Migrações". Já as residências, cinematográfica e fotográfica, designadas "Plano Frontal", reuniram alunos de Cinema, Audiovisual, Comunicação e Fotografia que, durante nove dias, trabalharam na produção de documentários e trabalhos fotográficos sobre a região de Melgaço.
 
(Fonte: RTP)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Sono de Inverno de Nuri Bilge Ceylan...

 
Alto! Parem as máquinas porque isto é Cinema!... É o que se apraz dizer depois de se assistir a este estupendo “Sono de Inverno”, do realizador turco Nuri Bilge Ceylan, o mesmo do belíssimo “Era uma Vez na Anatólia”. 

Desde a interpretação à qualidade literária dos diálogos, sem esquecer uma belíssima fotografia, em especial de interiores, tudo parece perfeito no vencedor deste ano da “Palma de Ouro” de Cannes. E os dois actores principais, Haluk Bilginer e Melisa Sözen estão, simplesmente, soberbos.

O cenário é a Capadócia, na Turquia profunda. Numa aldeia troglodita, os habitantes vivem em casas escavadas na rocha, assim se protegendo melhor do frio e do calor, consoante a época do ano. Mas estamos no Inverno, tempo duro, com a neve pintar de branco os “cones de fadas” e a dificultar a circulação dos habitantes. É tempo de hibernar, de ficar por casa junto à lareira, usando o tempo livre para questões mais pessoais… E é aqui que os problemas emergem. Como em qualquer sociedade, há ricos e pobres, há novos e velhos, há diferentes perspectivas do que é a Vida… 

Aydin, a personagem central, é dono de um hotel e de inúmeras propriedades arrendadas, é rico, gosta de livros e de escrever, já foi actor e está casado com Nihal, uns vinte anos mais nova. A experiência dos anos faz toda a diferença, quer na forma como Aydin aborda as dificuldades com um arrendatário faltoso quer no seu relacionamento com a jovem esposa. 

São dimensões mentais e processos de maturação interior opostos, mas são também exemplos simbólicos das reacções e das relações humanas perante a realidade material e a realidade imaterial. Aliás, o ponto de vista do filme é sempre o de Aydin, como o próprio realizador expressamente nos transmite num dos planos iniciais, ao fazer a câmara entrar na cabeça da personagem. Aydin tem-se em conta, acha-se esclarecido e até o é, mas não é exactamente essa a imagem que os outros têm dele, incluindo a sua mulher e a sua irmã. 

Habilmente, o realizador Nuri Ceylan ergue vários pólos à volta de Aydin, cuja interligação constitui o motor da trama de “Sono de Inverno”.
 
Não é comum verem-se referências, expressas e tácitas, a Dostoievsky, a Shakespeare, Tchekov ou a Moliére num filme contemporâneo, como as que aqui temos. Como também não é comum assistir-se a uma discussão de meia-hora, tensa e profunda mas surpreendentemente serena, entre um casal. Não há berros, não há insultos, não há agressões, mas sim um homem e uma mulher em sucessivas trocas de argumentos, de olhares, de queixas, de dores. Este diálogo, à lareira (o “lar”…) entre Aydin e Nihal dura, repito, uma boa meia-hora, ininterrupta, e não há sombra de tédio neste momento cinematográfico absolutamente brilhante. E que dizer noutro momento magistral, aquele em que um criador de cavalos tenta tirar da água um equídeo selvagem, acabado de ser capturado, que procura desesperadamente libertar-se? O ser vivo procura sempre a liberdade mas será que, em nós, humanos, a existência da razão é a nossa verdadeira prisão? E será que o Amor é a chave da libertação? No final, o «velho» Aydin, encontra a resposta.
 
O ritmo do filme é lento, mas não aborrecido. É preciso tempo para as ideias assentarem, é preciso tempo para percepcionarmos o que estamos a ver, é preciso tempo para saborear a vida. São filmes destes que ainda fazem acreditar no poder do cinema, na sua capacidade de nos fazer ver em como estamos vivos e o quão maravilhoso isso é. Obrigatório.
 
Fonte: Público (Pedro Brás Marques)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Sono de Inverno" estreia em Portugal a 8 de Janeiro

Palma de Ouro do Festival de Cannes este ano, "Sono de Inverno" coloca novamente o nome do realizador turco Nuri Bilge Ceylan em voga, após o saudoso "Era uma Vez na Anatólia" (2011). Uma obra densa, tanto a nível emocional como filosófica.

 
 
Actor reformado, Aydin é o responsável por um hotel na Anatólia Central, onde vive com a jovem esposa Nihal e com a irmã Necla. É precisamente o hotel que acaba por ser o palco da vida dos três, ainda mais quando o Inverno assola a região. Como a neve que cai sobre o local, os conflitos caem um atrás dos outros ao longo do filme, numa “tempestade” que é no entanto brilhantemente gerida por Nuri Bilge Ceylan.
O realizador turco aborda essencialmente um tema: o poder, embora nas suas mais variadas formas (matrimonial, familiar, social, etc.). Tudo fica exposto precisamente quando o Inverno chega. Antes, com a possibilidade de locomoção, os ressentimentos ficam guardados, à espera de uma oportunidade para surgirem sem piedade, o que acontece precisamente na época mais fria do ano. É como se, de repente, alguém acendesse o rastilho e tudo viesse para fora, com cada um a mostrar os seus mais profundos traumas e rancores.
"Sono de Inverno" é uma obra onde a palavra, a conversa impera. São conversações longas, sem pressas, pausadas mas também furiosas, conversações que desenrolam em habitações mal iluminadas, já que os quartos e os aposentos do hotel são no interior de cavernas. É na “escuridão” de cada local que as conversas surgem, com Nuri Bilge Ceylan a apresentar um manual de realização, já que muitas vezes prescinde da imagem e dá vez à palavra, algo nem sempre fácil de alcançar.
Não se sai incólume após cada conversação, é como se estivéssemos num ringue de boxe. Cada diálogo é um “soco”, mas com dois combatentes que não desistem. Há sempre uma réplica por apresentar, o KO dificilmente ocorre. Este “combate” é extenuante e portanto exige “disposição física” por parte do cinéfilo, não estamos perante uma obra de fácil digestão. As palavras calcam e Nuri Bilge Ceylan assim comprova, ainda mais quando o ego acaba por dominar as nossas acções, onde a moralidade tem apenas uma face de uma moeda. O problema é admitir que falta o outro lado da mesma…
 
Ficha técnica:
Título: "Sono de Inverno"
Título original: "Kis uykusu"
Realização: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Ayberk Pekcan, Demet Akbag, Haluk Bilginer, Melisa Sözen e Nejat Isler
Género: Drama
Duração: 196 minutos
País: Turquia
Ano: 2014
 
Fonte: Diário Digital (Pedro Justino Alves)

domingo, 25 de maio de 2014

Nuri Bilge Ceylan recebeu a Palma de Ouro em Cannes

O júri da 67ª edicão do maior festival de cinema do mundo consagrou o cineasta turco Nuri Bilge Ceylan: "Winter Sleep" recebeu a Palma de Ouro de Cannes.


 
O festival de Cannes consagrou o filme turco "Winter Sleep" no ano em que o cinema da Turquia celebra um século. Uma coincidência extraordinária e que premia o cineasta turco que tem, atualmente, maior notoridade internacional, e que muito o deve à projeção obtida através do festival.

É a sexta presença de Nuri Bilge Ceylan na selecção oficial de Cannes, incluindo a sua estreia com uma curta-metragem que recebeu a Palma de Ouro dessa categoria em 1995. 

Ceylan foi sempre premiado e ganhou por duas vezes o Grande Prémio do Júri - com "Uzak - Longínquo" (2003) e "Era Uma Vez na Anatólia" (2011) -, o Prémio de Melhor Realizador com "Os Três Macacos" (2008), e o prémio da federação internacional da crítica (FIPRESCI) com "Climas" (2006).

O seu mais recente filme é um drama rodado nas paisagens da Anatólia e centrado na crise afectiva de um homem e duas mulheres.

(Fonte: RTP)

sábado, 17 de maio de 2014

"Winter Sleep": Paisagens de uma intimidade turca


Foi no Festival de Cannes que o cineasta turco Nuri Bilge Ceylan se tornou um nome internacionalmente conhecido e reconhecido, aliás arrebatando dois Grandes Prémios (a distinção mais importante, logo depois da Palma de Ouro) com "Uzak - Longínquo" (2002) e "Era uma Vez na Anatólia" (2011). Agora, de novo na competição com "Winter Sleep", podemos dizer que Ceylan ressurge como um dos mais fortes candidatos aos prémios principais - em qualquer caso, o seu filme fica, desde já, como um dos momentos altos desta 67ª edição do certame.
Como várias vezes acontece ao longo da sua obra, Ceylan encena uma situação cujas componentes (melo)dramáticas envolvem profundas formas de solidão. Mais exactamente, "Winter Sleep" centra-se num triângulo afectivo, unindo/separando um ex-actor (Haluk Bilginer) que dirige um pequeno hotel da Anatólia central, a sua mulher (Melisa Sozen) em relação a qual se parece agravar uma violenta distância afectiva e a irmã (Demet Akbag) a tentar curar as feridas de um recente divórcio.
Apoiado em longos e elaborados diálogos, verdadeiros tour de force de revelação das personagens (e dos actores), "Winter Sleep" possui a estrutura e o fôlego de uma admirável aventura sobre as cumplicidades e distâncias dos seres humanos. Pontuando a acção com subtis referências a actualidade política e religiosa, Ceylan faz um filme que revaloriza, afinal, o retrato psicológico, mesmo se há nele uma energia metafórica profundamente universal. Num filme em que os elementos paisagísticos são tão importantes, poderemos dizer que deparamos também com os acidentes das paisagens mais secretas e íntimas. 
 
(Fonte: RTP)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ciclo de cinema turco em Lisboa

Uma boa oportunidade para conhecer mais sobre a cultura e a sociedade da Turquia é o ciclo de cinema “Cinco dos Melhores Filmes do Novo Cinema Turco da Atualidade”, que vai decorrer em Lisboa entre os dias 20 e 22 de Setembro no Cinema City Classic Alvalade (Av. Roma, 100). 

A entrada é livre e os filmes serão exibidos sempre às 19h30 e às 21h30. São dramas familiares e políticos, passados na zona rural e urbana, que fornecem um retrato social e ao mesmo tempo geográfico deste país onde convivem os valores ocidentais e as crenças muçulmanas.

“Last Stop Salvation”, de Yusuf Pirhasan, é o filme de abertura e gira em torno do quotidiano de cinco mulheres que vivem num bairro de Istambul, até que a chegada de uma psicóloga vai revolucionar as suas vidas. Primeira longa do realizador, que vive entre Londres e a cidade turca e é responsável por telediscos de Pete Doherty e Klaxons, entre outros.

“The Extremely Tragic Story of Celal Tan and His Family”, de Onur Ünlü, narra um drama familiar sobre um professor e a sua família, que vivem numa cidade do interior da Turquia. A sua vida será convulsionada por um incidente, e vai lutar contra todas as adversidades para manter a família unida. Sexta longa do cineasta, já premiado nos festivais de Moscovo e vencedor de prémios no seu país.

A ostentar o Prémio do Júri de Sundance 2011, talvez “Can”, de Rasit Çelikezer, seja o mais cotado. Aborda a vida de um casal com uma boa vida, mas que se ressente da falta de um filho. Como a mulher é infértil, tentam obter um bebé através de meios ilícitos. Essa história é intercalada com outra sobre uma mãe negligente, que tem um filho chamado Can. Segundo trabalho de Çelikezer, que tem vasta carreira na televisão turca.


A ecologia é o tema central de “Ecotopia”, de Yüksel Aksu, sobre um grupo de intelectuais cansado da poluição na cidade que decide criar uma “Ecovila”, gerando uma grande confusão entre os habitantes da aldeia escolhida, que se tornarão “intelectuais” e passarão a viver de agricultura biológica. Segunda obra do realizador, cujo primeiro filme, “Ice Cream I Scream” foi escolhido pela Turquia para representá-la no Oscar em língua estrangeira.

O drama político “Future Lasts Forever”, de Özcan Alper, encerra a programação. Um mergulho nas raízes da Anatólia através de uma estudante que visita o interior da região para as suas pesquisas, mas tropeça em vários personagens que vivem o drama da chamada “guerra sem nome”. Terceira longa de Alper, internacionalmente reconhecido pelo seu primeiro trabalho, “Autumn”. 

(Fonte: c7nema) 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Cinco dos melhores filmes do novo cinema turco da actualidade" em Lisboa

O Ciclo de Cinema Turco: "Cinco dos Melhores Filmes do Novo Cinema Turco da Actualidade" vai realizar-se de 20 a 22 de Setembro no Auditório da Fundação Champalimaud (Abertura) e no Cinema City Classic Alvalade. 

A Sessão de Abertura na Fundação Champalimaud vai realizar-se no dia 20 de Setembro, às 19h30 com a presença de Egemen Bağıș, Ministro para as Negociações e Assuntos Europeus da República da Turquia. Iniciar-se-á com um concerto com o músico turco Hüsnü Senlendirici e Kátia Guerreiro, seguido do filme "Last Stop Salvation", de Yusuf Pirhasan, com a presença da equipa do filme. 

Este ciclo é uma iniciativa da TÜRSAK, Fundação Cultural para o Cinema e Audiovisual de Istambul, e tem o apoio da Embaixada da Turquia em Lisboa. 

"5 DOS MELHORES FILMES DO NOVO CINEMA TURCO DA ACTUALIDADE" De 20 a 22 de Setembro, Fundação Champalimaud e Cinema City Classic Alvalade.

FILME DE ABERTURA: Fundação Champalimaud, 20 de Setembro, 21h30 (para convidados, antecedido de recepção e concerto, 19h30) "Last Stop Salvation" (Kurtuluş Son Durak)/ Turquia / 2012 / 104’ Realizador: Yusuf Pirhasan Argumento: Barış Pirhasan Director de Fotografia: Carlos Ritter Música: Fırat Yükselir Montagem: Aylin Tinel Intérpretes: Belçim Bilgin, Demet Akbag, Asuman Dabak, Nihal Yalçın, Ayten Soykök, Damla Sönmez Produção: Biber Yapım Produtor: Aysen Sever 

Um grupo de mulheres comuns, vive num pequeno bairro sem nada de especial a acontecer nas suas vidas. Com a chegada da psicóloga Eylem (Belçim Bilgin), que foi deixada pelo namorado, tudo vai mudar. E isso vai ter consequências na relação com os homens das suas vidas: a pobre Vartanu (Demet Akba), dedica-se ao pai idoso e acamado; Göncagül (Nihal Yalçın), percebe que afinal o seu amante mafioso, nunca vai casar com ela; Gülnur, vive resignada com os espancamentos diários do seu marido; a jovem adolescente Tulay (Damla Sonmez), fica revoltada cada vez que a sua mãe é espancada; a cabeleireira Füsun (Asuman Dabak), é a única que olha as coisas pelo lado positivo. 

Este filme é apesar de tudo uma divertida comédia de humor negro, sobre um grupo de mulheres e heroínas que lutam contra todas as formas de violência. É interpretado por algumas das melhores actrizes do cinema turco, tem argumento de Barış Pirhasan, escritor, dirigido pelo seu filho, Yusuf Pirhasan. Yusuf Pirhasan é um jovem realizador que tem trabalhado entre Istambul e Londres. Em 2007 dirigiu as séries: "KateModern" (para a rede social e site Bebo) e ainda "LG15: The Resistance" para a produtora Eqal de LA. Trabalhou com o realizador britânico Mike Figgis, e foi co-realizador de "A Portrait Of London", uma série de curtas-metragens apoiadas pelo British Film Institute, a propósito do 50.º Aniversário do London Film Festival. Tem dirigido igualmente videos musicais e apresentações de artistas como: Klaxons, Jack Penate, Pete Doherty, Bobby Womack e The xx. "Last Stop Salvation" é a sua primeira longa-metragem.  

SESSÕES DE PÚBLICO (entrada gratuita e filmes legendados em Inglês) Cinema City Classic Alvalade (Av. de Roma, nº 100, 1700-352 Lisboa) 21 de Setembro, 16h30 "The Extremely Tragic Story of Celal Tan and His Family" (Celal Tan ve Ailesinin Aşırı Acıklı Hikayesi)/ Turquia / 2011 / 99’ Realizador: Onur Ünlü Argumento: Onur Ünlü Director de Fotografia: Vedat Özdemir Música: Attila Özdemiroglu Montagem: Ahmet Can Çakırca Intérpretes: Selçuk Yöntem, Ezgi Mola, Bülent Emin Yarar, Tansu Biçer, Türkü Turan Produção: Eflatun Film Produtor: Funda Alp, Orkun Ünlü. 

Celal Tan é um respeitado professor de Direito Constitucional, que vive numa pequena cidade do interior e tem dois filhos do seu primeiro casamento. Alguns anos depois da morte da sua primeira esposa, casa-se novamente com uma mulher muito mais jovem: curiosamente uma estudante universitária, cuja vida salvou de alguma maneira. A tragédia de Celal Tan começa três anos após o seu casamento, com um acontecimento que vai agitar o seu meio familiar. Celal Tan tenta esconder o segredo e independentemente, do que está a passar procura acima de tudo, manter a família unida.

   

Onur Ünlü nasceu em Izmit em 1973. Formou-se na Universidade de Anadolu na Escola de Ciências da Comunicação e tem um mestrado igualmente em Ciências da Comunicação pela Universidade de Marmara. A sua primeira longa-metragem, intitulada "Police", que conta a história da vida atribulada de Musa Rami, um detetive da secção de homicidios no auge da carreira, que foi exibido com grande êxito, em vários festivais internacionais: Golden Boll Festival e Festival de Cinema de Moscovo. Escreveu e dirigiu em 2008, dois filmes do género fantástico: "The Kid" e "Son of the Sun". Ganhou vários prémios em 2009, nos Golden Boll e Golden Orange Film Festival, com "Five Cities", uma trágica história de um grupo de pessoas. No mesmo ano, escreveu ainda o argumento e co-produziu uma longa metragem intitulada "Love, Bitter". Prémios 2011 18.º Adana Golden Boll Film Festival: Melhor Filme, Melhor Argumento, Prémio Especial do Júri para Melhor Interpretação. Filmografia 2011 "The Extremely Tragic Story of Celal Tan and His Family" 2010 "Beş Şehir" 2009 "Love, Bitter" 2008 "Günesin Oğlu" 2008 "The Child" 2007 "Police" 

21 de Setembro, 19h30 Can / Turquia / 2011 / 106’ Realizador: Rasit Çelikezer Argumento: Rasit Çelikezer Diretor de Fotografia: Ali Özel Música: Tamer Çıray Montagem: Ahmet Can Çakırca Intérpretes: Selen Uçer, Serdar Orcin, Berkan Demirbag, Erkan Avci, Serhat Nalbantoglu Produção: Defne Film Produtor: Rasit Çelikezer.

A um jovem casal apaixonado, que vive em Istambul, falta apenas um filho para preencher a sua aparente felicidade conjugal. Só que ela não consegue engravidar. Para salvar o orgulho de um deles, o casal tenta recorrer a meios ilegais para conseguirem uma criança ainda bebé. Esta decisão comum que procurava torná-los mais felizes, acaba por degradar pouco a pouco as suas vidas ao ponto de caminharem para uma separação. A história deste casal vai-se misturando com uma narrativa paralela sobre uma mãe solteira e negligente, que tem um menino chamado Can.  

Rasit Çelikezer nasceu em Izmir, Turquia. É formado em cinema e televisão pela Universidade Dokuz Eylül. Começou pelas curtas-metragens com: "Memories of an Ordinary Day" (1996), "Cocoon" (1994) e "Duet" (1993), exibidas em vários festivais de cinema. Dirigiu mais de 300 episódios de 12 diferentes séries para a televisão turca. A sua primeira longa-metragem, "Three Apples Fell From the Sky" (2008), ganhou cerca de oito prémios em vários festivais nacionais e internacionais. É uma grande figura da cultura turca, as suas peças de teatro foram encenadas em toda a Turquia e estão traduzidas em várias línguas. Filmografia 2011 "Can" 2008 "Three Apples Fell from the Sky" Prémios 2011 Sundance Film Festival, Prémio Especial do Júri 2011 Antalya Golden Orange Film Festival, Prémio do Público 

21 de Setembro, 16h30 "Ecotopia" (Entel Köy Efe Köye Karşı) / Turquia / 2011 / 111’ Realizador: Yüksel Aksu Argumento: Yüksel Aksu Diretor de Fotografia: Ercan Yılmaz Montagem: Lewo Intérpretes: Sahin İrmak, Nihat Kapız, Ayse Bosse, Saadettin Ünsal, Emin Gürsoy, Hamit Demir Produção: Galatafilm Produtor: Taha Altaylı, Muharrem Gülmez 

Cansados do barulho e da poluição das grandes cidades, um grupo de intelectuais ambientalistas, procura um regresso à natureza. Para isso constroem uma nova cidade chamada "Ecovillage". O objectivo é desfrutarem de uma vida feliz através do turismo ecológico, agricultura biológica, as artes e a cultura. Katrin é uma intelectual europeia que se estabeleceu na Turquia, depois de trabalhar vários anos em organizações ambientalistas como o Greenpeace. O chefe da aldeia, Ali, pelo contrário é um um típico aldeão, sem instrução que nunca deixou sua terra. A relação emocional entre os dois vai desenvolver-se de uma forma muito curiosa e divertida, apesar das diferenças culturais entre ambos. Os moradores da aldeia por sua vez vão assistir com espanto a uma decisão que vai mexer com o seu quotidiano e mudar de uma forma divertida os seus hábitos: vão-se tornar intelectuais e a partir de agora, produzir apenas agricultura biológica.  Yüksel Aksu é um premiado realizador e escritor nasceu em Muğla, em 1966. É formado pela Universidade Dokuz Eylül no Departamento de Cinema e Televisão em 1993, onde completou igualmente um mestrado. Realizou várias curtas-metragens durante os anos de faculdade. Depois de ter sido assistente de conhecidos realizadores, a partir de 1999 começou a dirigir filmes e séries para a televisão. Em 2006, estreou a sua primeira longa-metragem "Ice Cream, I Scream" que foi nomeada para o Óscar de "Melhor Filme Estrangeiro". Nesse mesmo ano, este filme circulou e ganhou vários prémios em festivais de cinema nos EUA. Tem publicado vários ensaios sobre a arte cinematográfica: "Aristoteles and Convencional Cinema" e "Brecht and Modern Cinema". Está neste momento a concluir o seu novo livro intitulado: "Tragic Traditions and Cinema". Filmografia 2011 "Ecotopia" 2006 "Ice Cream, I Scream" Prémios 2012 Ankara International Film Festival, Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhor Actriz Revelação. 

21 de Setembro, 19h30 "Future Lasts Forever" (Gelecek Uzun Sürer) / Turquia / 2011 / 99’ Realizador: Özcan Alper Argumento: Özcan Alper Diretor de Fotografia: Feza Çaldıran Música Mustafa Biber Montagem: Ayhan Ergürsel, Thomas Balkenhol, Özcan Alper, Umut Sakallıoğlu Intérpretes: Gaye Gürsel, Durukan Ordu, Sarkis Seropyan, Osman Karakoç, Güllü Özalp Ulusoy Produção: Nar Film Produtor: Soner Alp, Ersin Çelik.

Sumru é uma jovem investigadora de música etnográfica, que trabalha numa universidade de Istambul. Para escrever a sua tese, uma compilação e um registo exaustivo das canções da Anatólia, viaja para o sudeste da Turquia. Esta viagem que supunha ser breve e simples, acaba por se tornar a mais longa jornada da sua vida. Sumru cruza-se com Ahmet, um jovem rapaz que vende dvd’s piratas nas ruas de Diyarbakır, com o velho Antranik, que vive numa igreja em ruínas na cidade e com outros personagens, testemunhas da chamada "guerra sem nome". Durante a sua estadia de três meses em Diyarbakır e enquanto estuda as histórias das canções, Sumru vai-se confrontando aos poucos com a angústia de um passado, que procurou esquecer. Evacuados de Hakkari para uma aldeia de montanha, Sumru não consegue responder a Ahmet sobre o que se está a passar e a razão desta perigosa viagem.  

Özcan Alper (1975) nasceu em Artvin, Turquia. Estudou Física e História da Ciência na Universidade de Istambul. Participou em atelieres de cinema, no Centro de Cultura da Mesopotâmia e Casa da Cultura Nazim entre 1996-2001. "Autumn" a primeira longa-metragem foi exibida em cerca de 60 festivais internacionais e recebeu 33 prémios. O filme foi nomeado para a categoria e para o Prémio "Discovery of the Year", da Academia Europeia de Cinema. Esta é a sua segunda longa-metragem. Filmografia 2011 "Future Lasts Forever" 2010 "Tales from Kars" 2008 "Autumn" Prémios 2012 19.º Vesoul Asia Film Festival (FICA): Menção Honrosa 2011 16.º International Film Festival Kerala: FIPRESCI Melhor Filme (Prémio da Crítica 2011 2.º Malatya International Film Festival (Turquia): Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Musica 2011 18.º Golden Boll International Film Festival: Prémio Yılmaz Guney/Melhor Filme , SIYAD (Turkish Film Critics) Melhor Filme, Melhor Direcção de Fotografia, Melhor Actor, Melhor Música

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Filme "Hicaz" venceu dois prémios no Festival Internacional de Cinema de Madrid


Erdal Rahmi Hanay, realizador e argumentista do filme "Hicaz", recebeu o prémio honorário, e Berke Üzrek venceu o prémio de melhor actor secundário no Festival Internacional de Cinema de Madrid.
O evento decorreu entre 6 e 9 de Junho, e distribuiu um total de 32 prémios.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Limonlu Kahve": Uma realidade demasiado ácida


Este documentário, realizado por Medet Dilek, foi hoje exibido no Instituto Göethe de Ancara no âmbito do 15. Festival Internacional de Cinema Üçan Süpürge, um festival com filmes realizados por mulheres e/ou dedicados a temáticas do universo feminino. Este documentário relata na primeira pessoa a temática da prostituição, pedofilia e diversos abusos sexuais.

 

"Winter of Love" e o amor verdadeiro



No documentário "Winter of Love", a sua realizadora, Gülşah Doğan, parte em busca do verdadeiro amor entre os membros da sua família. São discursos na primeira pessoa, feitos na Turquia e na Holanda, uma vez que a realizadora e parte da sua família são emigrantes na Holanda.
Este documentário foi exibido hoje no Instituto Göethe de Ancara, no âmbito do Festival Internacional de Cinema Üçan Süpürge, dedicado ao cinema realizado por mulheres e/ou dedicado a temáticas do universo feminino.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Estreia de "Era uma Vez na Anatólia " e "Semana Nuri Bilge Ceylan" em Lisboa


O Espaço Nimas, em Lisboa, vai acolher, entre 4 e 6 de Maio, um ciclo especial com três filmes do realizador turco Nuri Bilge Ceylan. 

No dia 4 de Maio, às 21h30 o Espaço Nimas exibe "Longínquo" (Uzak, 2002), que estreou no Festival de Cannes, onde recebeu o grande prémio do júri e o prémio de melhor actor para Muzaffer Özdemir e Emin Toprak. 

Também distinguido com o prémio da crítica em Cannes, "Climas" (İklimler, 2002) é exibido sábado, 5 de Maio, às 18h00 e 21h30. Foi o filme seguinte no percurso de Ceylan. 

"Os Três Macacos" (Üç Maymun, 2008), será projectado no domingo, 6 de Maio, às 18h00 e 21h30, e valeu a Nuri Bilge Ceylan mais um prémio no Festival de Cannes, desta vez o de melhor realizador. 

O mais recente filme de Ceylan, "Era uma Vez na Anatólia" (Bir Zamanlar Anadolu'da, 2011), foi um dos vencedores do Grand-Prix em Cannes. Será exibido a partir de 3 de Maio no cinema Medeia King, em Lisboa.

segunda-feira, 12 de março de 2012

"Once Upon a Time in Anatolia" estreia em Portugal no dia 12 de Abril


Uma boa oportunidade para apreciar cinematografias fora dos padrões estilísticos e das temáticas hollywoodianas é a estreia nas salas portuguesas de "Once Upon a Time in Anatolia" ("Bir Zamanlar Anadolu'da"), sexto trabalho de um dos mais importantes cineastas turcos da atualidade, Nuri Bilge Ceylan. 

O filme dividiu com os irmãos Dardenne (por "O Miúdo da Bicicleta", lançado em Portugal em Novembro de 2011) o segundo mais importante prémio do Festival de Cannes do ano passado, o Grand Prix. Diferente dos outros trabalhos do realizador, como "Uzak" e "Climates", marcado pelas paisagens urbanas de Istambul como pano de fundo, em "Once Upon a Time in Anatolia" Ceylan situa a acção nas desoladas estepes da Turquia central – seguindo um grupo de homens que a meio da noite tenta localizar um cadáver. 

Filmado nas proximidades da aldeia de Keskin, o filme é baseado numa história verídica, presenciada pelo co-argumentista e que no filme é o representado pelo personagem do médico. Segundo Ceylan, que cresceu numa aldeia, o filme reproduz, através dos seus personagens (o médico, alguns polícias, os homicidas), características dos habitantes da área rural. 

Além de Cannes, "Once Upon a Time in Anatolia", cujo título se refere ao clássico de Sergio Leone, já foi lançado nos Estados Unidos, onde colheu diversos elogios da imprensa norte-americana. No seu país natal teve uma receita de cerca de £600 mil, somados a £140 mil em França. O filme ainda foi destaque no Karlovy Vary, de Praga, onde recebeu o prémio Netpac, e três prémios no Asian Pacific Screen Awards. 

Ceylan já foi diversas vezes premiado em Cannes, onde recebeu o mesmo "Grand Prix", mais o prémio de Melhor Interpretação Masculina por "Uzak", no festival de 2003, ganhou o FRIPESCI em 2006 com "Climates" e o prémio de Melhor Realizador em 2008, por "Três Macacos". "Once Upon a Time in Anatolia” estreia em Portugal no dia 12 de Abril. 

(Fonte: www.c7nema.net)

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Hora da Turquia no 27.º Festroia


A 27.ª edição do Festroia vai homenagear o cinema turco, com "uma retrospectiva do cinema turco actual". 

O cinema turco contemporâneo está a viver um extraordinário momento de afirmação e reconhecimento internacional. Isto não acontecia desde que "Yol", de Yılmaz Güney (1937-1984), ganhou a Palma de Ouro em Cannes, em 1982, e Ömer Kavur (1944-2005) estreou "The Hidden Face" ("Gizli Yüz", 1991), um filme feito a partir do romance "Os Jardins da Memória", com argumento do próprio escritor Orhan Pamuk (Prémio Nobel da Literatura 2006). 

Esta grande notoriedade deve-se à intensa promoção do cinema turco, à participação nos grandes festivais e mostras internacionais e nos prémios recebidos. Em 2010, "Bal" (Honey), de Semih Kaplanoğlu ganhou o Urso de Ouro na Berlinale, e "Çoğunluk" (Majority), do jovem Seren Yüce, foi Leão do Futuro na Giornate degli Autori, da última Mostra de Veneza. 

No entanto, há já alguns anos que a crítica especilizada descobriu grandes cineastas-autores turcos como Semih Kaplanoğlu, Zeki Demirkubuz ("Kıskanmak", 2009) entre outros e, principalmente, a obra notável de Nuri Bilge Ceylan ("Os Três Macacos", 2009). Ceylan é uma figura incontornável do cinema europeu, e uma presença constante nos grandes festivais internacionais (Berlim, Cannes e Veneza). 

O interesse internacional pelo cinema turco, (numa altura em que se discute a entrada da Turquia na UE, e no rescaldo de Istambul Capital Europeia da Cultura 2010) passa inclusive pela sua capacidade de exprimir as grandes questões e mudanças da sociedade turca contemporânea, com as suas contradições políticas, sociais, culturais e religiosas, no seu avanço para uma aproximação à Europa ocidental, e na ponte que faz com o Oriente islâmico. Esta realidade é expressa igualmente, nas obras de cineastas de origem turca que vivem em outros países, como Fatih Akın ("Soul Kitchen", 2009) na Alemanha, ou Ferzan Özpetek ("Uma Família Moderna", 2009) em Itália. 

"O Festroia, em colaboração com a Embaixada da Turquia em Lisboa, faz agora uma retrospectiva do cinema turco, destacando uma filmografia com uma longa história e tradição, mas sobretudo uma filmografia com um impressionante e complexo presente, que é importante descobrir mais de perto porque é diversa e rica em filmes para todos os gostos e géneros", José Vieira Mendes.

O Festroia apresentará 20 filmes turcos nesta edição, e estará presente uma delegação turca de 11 talentos: Zeki Demirkubuz, Nurhayat Demirkubuz, Derya Alabora, Güven Kiraç, Selim Demirdelen, Taner Birsel, İlknur Birsel, Ahmet Boyacıoğlu, Ayberk Pekcan, Muharrem Gülmez e Şerif Sezer.

O Golfinho de Cristal será entregue a Hüseyin Ülgen, vice-director do Cinema e da Autoridade dos Direitos de Autor da Cultura Turca e Ministério do Turismo.

Dois Turcos integram o júri: na Secção Oficial, Ahmet Boyacıoğlu, da Associação de Cinema de Ancara, e no júri FIPRESCI, o jornalista Yücel Fırat. 

Segue-se a lista dos filmes turcos que fazem parte da edição deste ano do Festival Internacional de Cinema Festroia, que vai decorrer de 3 a 12 de Junho, em Setúbal.

Secção Oficial: HAIR (SAÇ, 2010) de Tayfun Pirselimoğlu 131' 
Primeiras Obras: BLACK & WHITE (SİYAH BEYAZ, 2010) de Ahmet Boyacıoğlu 90' Homenagem a um País - Turquia: 
Longas-metragens THE ROAD (YOL, 1982) de Şerif Gören 114' MOTHERLAND HOTEL (ANAYURT OTELİ, 1987) de Ömer Kavur 101' INNOCENCE (MASUMİYET, 1997) de Zeki Demirkubuz 110' DESTINY (KADER, 2006) de Zeki Demirkubuz 103' INTERNATIONAL (BEYNELMİLEL, 2006) de Sırrı S. Önder e Muharrem Gülmez 105' AUTUMN (SONBAHAR, 2008) de Özcan Alper 99' PANDORA'S BOX (Pandora'nın Kutusu, 2008) de Yeşim Ustaoğlu 112' THE CROSSING (KAVŞAK, 2010) de Selim Demirdelen 95' Curtas-metragens VOL (2009) de Hüseyin Bulut 2' AYSEGÜL IN REBELLION (AYŞEGÜL İSYANDA, 2009) de Aylin Kuryel e Zeyno Pekünlü 7' …IT HAPPENS (2009) Arda Uysal 5' MALFUNCTION (2009) de Ayce Kartal 8' MOVE YOUR DIRTY EYES OFF (2009) de Efe Conker 18' FOTOGENY (2009) de Sertaç Yüksel 4' A SO CALLED LOVE STORY (2009) de Ceylan Özgün Özçelik 15' KOZA (1995) de Nuri Bilge Ceylan 20' LOOKS BETTER (2009) de Zeynep Arslanpay 6' FISHERMAN (2009) de Mustafa Barış Çorak 20' 

(Fonte: Festroia / Embaixada da Turquia em Portugal)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

14.º Festival Internacional de Cinema Feminino


O Festival Uçan Süpürge (Vassoura Voadora), é um festival internacional de cinema que apresenta longas metragens, curtas metragens e documentários realizados por mulheres. Decorre todos os anos, por esta altura, em Ancara. 

De 5 a 12 de Maio, no cinema Kızılırmak, no Instituto Göethe e nas Universidades Hacettepe e ODTÜ, foram apresentados trabalhos de realizadoras de vários países, nomeadamente da Alemanha, Suiça, Bélgica, Dinamarca, Irão, Polónia, Húngria, Áustria, França, Venezuela, Finlândia, Espanha e Turquia. 

"Poder", o tema deste ano, "Cada um tem uma Cor Diferente", "Um Bilhete de Ida", "Crianças Noivas", "Projecção Especial", "Selecção de Documentaristas", "Documentários", "Curtas Metragens" e "Filme de Abertura", foram as categorias do festival. 

O "Filme de Abertura" foi "Ayrılık", de Feo Aladağ, vencedor de vários prémios, nomeadamente o Prémio Lux de Cinema do Parlamento Europeu. 

A categoria "Poder" integrou os filmes, "The Hairdresser", de Doris Dörrie; "Animal Heart, de Séverine Cornamusaz; "My Queen Karo" de Dorothée Van Den Berghe; "The Experiment", de Louise N. D. Friedberg; "Vision", de Margarethe Von Trotta, e "The Last Report on Anna", de Marta Meszaros.

"The Hairdresser", de Doris Dörrie. 


Belma Baş (esquerda) acompanhada pelos pais.

A secção "Cada um tem uma Cor Diferente", apresentou filmes a concurso. Todos os anos, a Federação Internacional de Críticos de Cinema (FIPRESCI), forma um júri que escolhe um filme vencedor nesta categoria. Este ano, o filme escolhido, foi o filme da realizadora turca, Belma Baş, "Zefir". Este filme já tinha recebido o Prémio de Melhor Argumento no Festival de Cinema de Istambul, entre outros. Belma Baş esteve presente no final das duas apresentações do filme para responder a perguntas da audiência. Esteve acompanhada pelos seus pais, que também são actores no filme.

Os outros filmes presentes nesta categoria, foram: "In Another Life Time", de Elisabeth Scharang; "Beyond the Steppes", de Vanja d' Alcantara; "Bacon on the Side", de Anne Depetrini; "Habana Eva", de Fina Torres; "Between Two Fires", de Agnieszka Lukasiak; "Payback", de Tahmineh Milani; "Girls", de Yasmina Reza; "Inside America", de Barbara Eder; "Pudana: The Last of the Line", de Anastasia Lapsui e Lehmuskallio; "The Last Escape", de Léa Pool; "Even the Rain", de Iciar Bollain, e "Tomorrow Will be Better", de Dorota Keçdzierzawska.

"Between Two Fires", de Agnieszka Lukasiak.

"Even the Rain", de Iciar Bollain.

"Payback", de Tahmineh Milani.

A realizadora iraniana Tahmineh Milani (direita), acompanhada pela actriz principal (esquerda) do seu filme "Payback", e de um tradutor (direita), respondeu a perguntas da audiência após a projecção do filme. 

O Uçan Süpürge não é só um festival de cinema, tem também projectos e iniciativas de combate à discriminação das mulheres. Um desses projectos tem a ver com os casamentos forçados de crianças, e chama-se "Crianças Noivas". Nesse âmbito, foram realizadas projecções de filmes e entrevistas em 54 cidades da Turquia. Nesta edição do festival, esse assunto foi título de uma das secções do festival, com filmes, maioritariamente curtas metragens, subordinadas a esse tema. 

A "Projecção Especial" coube ao filme turco "Atlıkarınca" ("Carrossel), de İlken Başarır, que aborda o incesto. 

A secção "Um Bilhete de Ida", integrou um filme, "Little Soldier", de Annette K. Olsen, e dois documentários: "Bride Trafficking Unveiled", de Joel Mishcon, e "The Girls of Phnom Penh", de Matthew Watson. Estes dois últimos nomes foram a excepção masculina, mas retrataram nos seus documentários temas marcadamente femininos. 

A "Selecção de Documentaristas" apresentou "Budrus", de Julia Bacha; "The Moon Inside You", de Diana Fabiánová; "War and Love in Kabul", de Helga Reidemeister, e "Lady of no Fear", de Anne Gyrithe Bonne. 

A categoria "Documentários", mostrou "Africa Rising", de Paula Heredia; "A Baloon Sent to Allah", de Nefise Özkal Lorentzen; "Warriors" de Montse Pujantell; "Tea and Justice", de Ermena Vinluan; "Auf Wiedersehen Finnland", de Virpi Suutari; " Women no Pause", de Paula Palacios; "Pink Saris" de Kim Longinotto; "70-89-90 Innocent, Insolent, Enticing" de Melek Özman; "We Insist on Peace", de Melek Ulagay Taylan; "One Step Beyond", de Tülin Dağ, e "In Mamak Prison", de Sezgin Türk. 

Foram ainda apresentadas 13 curtas metragens: "A Stranger's Face", de Shani Ifrach; "Jumping", de Isabel Gaudí; "The Cortege", de Marina Seresesky; "Tales of the Defeated", de Yael Reuveny; "Who is Bleeding", de Jessica Laurén; "Tord and Tord", de Niki Lindroth Von Bahr; "Lesson", de Nóra Richter; "Little Children, Big Words", de Lisa James Larson; "Overflow", de Tamar Linder; " Sleepy Revolution", de Johanne Fronth-Nygren e Klara Swantesson; "Subway Harmonies", de Leah Cameron; "1-2-3", de Nazlı Deniz Güler, e "Women at Tekel Resistance", de İdil Soyseçkin e Cevahir Özgüler. 

Para além de Belma Baş e de Tahmineh Milani, o festival teve outras convidadas de honra, como, Prakriti Maduro, protagonista de "Habana Eva", Paula Palacios, que aborda o tema da menopausa no seu documentário, Vanja d'Alcantara, e Efua Dorkenoo, uma voz activa contra a mutilação genital feminina. 

O Prémio de Honra foi atribuído à actriz Derya Alabora, e os Prémios de Carreira Bilge Olgaç foram entregues à actriz Deniz Türkali e à cantora Handan Kara.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Festival de Cinema de Istambul


A 30.ª edição do Festival de Cinema de Istambul decorreu de 2 a 17 de Abril e deu especial destaque ao cinema da Turquia, do Médio Oriente, da Europa e da Ásia. Os cerca de 150 000 espectadores puderam ver 231 filmes de 256 realizadores e de 52 países, incluindo 54 obras turcas. 

O filme "O Estranho caso de Angélica" de Manoel de Oliveira, e o filme "Mistérios de Lisboa" de Raúl Ruiz, também integraram o festival.

Estiveram presentes realizadores de renome como Bela Tarr, Claude Lanzmann e Leos Carax, assim como realizadores mais jovens como Ahmad Abdalla e Gerald Hustache-Mathieu. A actriz Miranda Richardson e o actor Luke Evans, também estiveram entre os convidados. O prémio FACE atribuído ao cinema com enfoque nos direitos humanos, foi atribuído ao filme de Juanita Wilson “As If I’m Not There” que retrata a história de uma jovem bósnia durante a guerra.



O prémio FACE especial do júri foi para o filme "Press" do Turco Sedat Yılmaz , que relata a opressão a um grupo de jornalistas em Diyarbakır, cidade de maioria curda do sudeste da Turquia, por tentar mostrar violações de direitos humanos e crimes na região. “Press” foi também escolhido como melhor filme pelo júri internacional de críticos de cinema FIPRESCI, e também recebeu um prémio especial do júri na secção de competição nacional. O tema do filme é bastante actual, numa altura em que se encontram presos os jornalistas turcos Ahmet Şık e Nedim Şener. 

O último filme de Tayfun Pirselimoğlu, “Saç” (Cabelo), recebeu o prémio de melhor filme e de melhor realizador na secção de competição nacional. Pirselimoğlu tem participado no festival nos últimos dez anos, mas foi a primeira vez que recebeu o prémio principal. Trata-se do último filme da "Trilogia da Consciência" que inclui os filmes “Rıza” e “Pus”. “Saç” aborda os últimos dias de Hamdi, um vendedor de perucas em Istambul. Nazan Keşal, recebeu o prémio de melhor actriz também por este filme. 

O prémio de melhor actor foi para o veterano Ahmet Mekin pelo seu trabalho no filme "Görünmeyen" (Unseen) de Ali Özgentürk, uma biografia em torno do compositor húngaro Bela Bartok e a sua visita à Anatólia para gravar música tradicional turca. Bela Bartok é interpretado por Udo Kier.


O prémio de melhor argumento foi atribuído a Belma Baş pelo seu filme de estreia “Zephyr”, sobre a relação problemática entre uma criança de 13 anos e a sua mãe. 

Na secção de competição internacional foi premiado o filme do realizador egípcio Ahmad Abdalla, “Microphone”, focado na colorida cena artística de Alexandria filmada com uma Canon 7D. 

O grande prémio do júri foi partilhado pelo filme turco de Seyfi Teoman “Bizim Büyük Çaresizliğimiz” (O Nosso Grande Desespero) e pelo do realizador uruguaio Federico Veiroj, “A Useful Life”.

 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mel turco...



"Leite" (Süt), de Semih Kaplanoğlu, o primeiro filme da trilogia de Yusuf, que também se poderia chamar a trilogia dos alimentos, retratava os tempos em que Yusuf era estudante universitário. "Ovo" (Yumurta), levava-nos à sua idade adulta. Em "Mel" (Bal), deparamo-nos com a sua infância. O realizador turco termina a trilogia pelo início (diz que toda a trilogia é um imenso "flashback"), e "Mel" começa pelo fim, o que pode desiludir aqueles que dão demasiada importância à emoção dos desfechos. A ideia aqui talvez seja mesmo essa, tirar parte desse tipo de emoção narrativa, ou do suspense, e tornar o filme mais contemplativo. Contudo, e não casualmente, a cena da morte do pai é dada de modo quase burlesca. O apicultor cai da árvore, mas ainda se mantém preso por uma corda, mas é notável forma como o seu corpo se mantém estático e hirto, paralelo ao chão, mas ainda a uma altura considerável, como se levitasse, e a sua própria expressão facial não é de pânico nem resignação, mas de quem se depara com uma equação impossível de resolver. Diga-se que é uma opção estanha e ousada para um filme do género, mas é também essa desdramatização, apesar de tudo equívoca, que permite que o filme mantenha o tom contemplativo, em vez de exacerbar o seu lado trágico. Todo o filme caminha para o seu princípio, amargo e doce, como uma contradição à volta da ideia do próprio mel e da profissão de apicultor, mostrada como fascinante e perigosa. Os olhos são sempre os da criança, mas com qualidades atípicas, que o afasta do que se pode esperar de um psicodrama infantil. Há um mundo que o próprio realizador desenha, dentro de uma Turquia rural muito peculiar. E nesse mundo cria três espaços bem definidos: a casa, a floresta e a escola. Yusuf é uma criança solitária que vive num mundo solitário. Nunca o vemos a brincar com outra criança. A sua casa é isolada, onde se mostra sobretudo a relação com o pai, feita de silêncios e murmúrios. Yusuf gagueja quando fala alto, por isso o pai opta por conversar em sussurros. Com a mão, apesar de nunca haver qualquer tipo de agressividade, a relação não é tão fluida, parece que se perdem os códigos. Na escola, há um terror silencioso. As crianças estão a aprender a ler. Os alunos vão recebendo um crachá quando conseguem alcançar o objectivo. O boião vai ficando vazio e ele nunca consegue. A interacção é escassa, os laços débeis, e a incapacidade de entrar naquele mundo, no mundo da escola, que é também a civilização e o mundo alfabetizado. Mas o espaço mais ambíguo e interessante é a própria floresta. É um cenário de transição e encontro em que tudo pode acontecer. Um mundo fora do mundo. Por um lado, espelha a felicidade dos momentos passados com o pai a tratar das colmeias, por outro é uma travessia sombria sempre necessária para chegar à civilização. Mas para Yusuf, a floresta também é simplesmente um refúgio, um não-mundo que só ele compreende, em toda a sua imensidão misteriosa. "Mel", que valeu o Urso de Ouro a Semih Kaplanoğlu, é uma obra de extrema beleza, com óptima fotografia, e uma interpretação notável do menino Bora Atlas. Mostra-se um outro lado do cinema turco: rural, imagético, contemplativo.



(Fonte: Visão)

quinta-feira, 24 de março de 2011

"Mel" de Semih Kaplanoğlu estreia hoje em Portugal



Semih Kaplanoğlu demonstra uma capacidade imaculada para se colocar entre o olhar dos adultos e o do miúdo protagonista, neste pertinente retrato da Turquia profunda. Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano passado, "Mel" é o terceiro tomo da trilogia que fez de Semih Kaplanoğlu o cineasta turco contemporâneo mais conhecido internacionalmente a seguir a Nuri Bilge Ceylan. Os nomes dos outros dois filmes da trilogia são tão nutritivos como o deste: "Ovo" (que ganhou um prémio na primeira edição do Estoril Film Festival) e "Leite". Mas é com "Mel" que ele chega às salas portuguesas, e se ao espectador recém-chegado ficará a escapar o desenho do conjunto dos três filmes, conhecê-lo não é indispensável à fruição deste filme. De certo modo, "Mel", no seu conflito essencial, ilumina, ou pelo menos resume, o que está em causa na trilogia: um olhar sobre a província turca, captado na bifurcação entre um modo de vida tradicional (as coisas que a terra dá, ainda que por intermédio dos animais: os ovos, o leite, o mel) e a perspectiva de uma outra coisa, muito mais difusa, a que se podia chamar a "modernidade". De uma maneira que o filme não resolve (e a não resolução é o seu ponto), o miúdo protagonista simboliza esse impasse, no à vontade da sua relação com a natureza (as abelhas do pai, a floresta) e na falta de à vontade com as coisas da escola (a dificuldade em aprender a ler com uma "resistência", digamos, atávica). Imaginamos que este conflito, que o filme expõe sem retórica nenhuma e numa subtileza a toda a prova, é pertinente enquanto retrato da profunda Turquia contemporânea. O que serve, em todo o caso, como medida da inteligência de "Mel". Mas não é forçosamente aquilo que mais o distingue. Antes uma capacidade, imaculada, de se colocar entre o olhar dos adultos e o olhar do miúdo protagonista, para dar a ver um mundo que é sempre, ao mesmo tempo, muito misterioso e muito familiar - características que marcam, em especial, toda a relação com a natureza (a terra e as árvores, mas também o céu e as nuvens), com os seus silêncios mas sobretudo com os seus ruídos (os seres humanos de "Mel" falam pouco, mas em compensação a natureza palra que se farta). E Kaplanoğlu confirma-se como um adepto do plano-sequência expectante e desafectado: a cena em que o pai de Yusuf morre é extraordinária.

Mel (Bal)

De: Semih Kaplanoğlu

Com: Bora Altas, Erdal Beşikçioğlu, Tülin Özen

(Fonte: Ípsilon)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Novo filme de Ferzan Özpetek estreou em Portugal


A condição dos homossexuais e o problema da "saída do armário" são temas recorrentes na filmografia de Ferzan Özpetek. Temas esses que o realizador italiano de origem turca volta a abordar na sua nova longa-metragem "Uma Família Moderna" - a oitava que realiza desde a sua estreia em 1997 com "Il Bagno Turco".
O filme, que estreou na semana passada nas salas portuguesas (após uma passagem, em Maio deste ano, pela Festa do Cinema Italiano), é uma comédia dramática sobre uma família que oculta segredos atrás de uma fachada de conveniências.
"Uma Família Moderna" centra-se em Tommaso (papel interpretado por Riccardo Scarmacio), um dos três filhos de uma abastada família italiana proprietária de uma fábrica de massas que decide pôr fim à "impostura" da sua vida e revelar à mesa do jantar, perante o extenso clã, a verdade acerca da sua identidade sexual e pessoal (é homossexual e deseja ser escritor). Mas quando o seu irmão Antonio (Alessandro Preziosi), antecipando-se e roubando-lhe o momento em que se preparava para sair do armário, se declara gay perante toda a família, Tommaso é obrigado a calar o seu segredo por temer pela saúde do próprio pai (Ennio Fantastichini), que sofre um pequeno ataque cardíaco ao ouvir a inesperada e por si indesejada notícia (como aquele diz a dado passo, "se um filho gay pôs o meu pai no hospital, dois matá-lo-iam!").
Escrito pelo realizador em parceria com Ivan Cotroneo (que é um dos autores do argumento de "Eu Sou o Amor", de Luca Guadagnino), "Uma Família Moderna" encena em tom de comédia dramática com laivos de farsa o problema da "saída do armário" dos homossexuais no seio de famílias de costumes conservadores. Num estilo acessível, e fazendo um uso irónico do estereótipo, o filme de Ferzan Özpetek retrata com humor, mas também com seriedade, o absurdo de se rejeitar um filho pelo simples facto de ser homossexual.
O título português escolhido para valer pelo original "Mine Vaganti" é que parece infeliz, porque é contraditório com o que vemos na tela. Em rigor, a expressão italiana "mine vaganti" traduz a ideia de alguém que não se ajusta ao resto da sociedade e que joga pelas suas próprias regras, e que, como o filme explica, é "usado para criar desordem, para pôr as coisas em lugares onde ninguém quer que estejam, para perturbar tudo, e estragar os planos".
(Fonte: DN)