Elif Shafak em Lisboa para receber o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

Foto de Ferhat Elik

A escritora Elif Shafak vai receber, hoje, pelas 18h30, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do Património Cultural, na Fundação Calouste Gulbenkian (auditório 3), em Lisboa,

Este reconhecimento europeu presta homenagem à arte de contar histórias de Elif Shafak, que “dá vida ao diversificado património cultural da Europa, respondendo, ao mesmo tempo, aos desafios do nosso tempo, num forte apelo à defesa da democracia, à promoção da solidariedade, à aceitação do cosmopolitismo e à celebração da diversidade cultural”.

A autora será apresentada por Anabela Mota Ribeiro.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC), em colaboração com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, e conta com o apoio do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

O júri do prémio homenageia Elif Shafak pela sua contribuição “excecional para a preservação e celebração do património cultural comum da Europa, tangível e intangível, através do poder da literatura e da narrativa”.

O júri salientou que a escrita de Elif Shafak dá “vida à riqueza e complexidade da nossa memória e identidade culturais e liga, de forma extremamente imaginativa, o nosso passado, presente e futuro. Ao dar a sua voz única a histórias, tradições e perspetivas diversas, Elif Shafak convida os leitores a descobrir, compreender, valorizar e cuidar do património que partilhamos”.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, promovido pelo Centro Nacional de Cultura em colaboração com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa, recorda a jornalista, escritora, ativista cultural e política portuguesa Helena Vaz da Silva (1939-2002), em memória e reconhecimento da sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

Sobre Elif Shafak...

É uma autora britânico-turca multipremiada. Publicou 21 livros, 13 dos quais são romances, e as suas obras foram traduzidas para 58 línguas. 

O livro “A Ilha das Árvores Perdidas” (editado em Portugal pela Editorial Presença) foi finalista do Prémio Costa para Romance, dos British Book Awards, do RSL Ondaatje Prize e do Women’s Prize For Fiction, tendo sido também selecionado para o Reese Witherspoon Book Club.  

"10 Minutos e 38 Segundos neste Mundo Estranho" (Ed. Presença) foi nomeado para o Booker Prize e para o RSL Ondaatje Prize, tendo sido eleito Livro do Ano pela Blackwell. 

"The Forty Rules of Love" foi selecionado pela BBC entre os 100 romances que moldaram o nosso mundo. 

"The Architect’s Apprentice" foi escolhido para a "The Queen’s Reading Room".

"Também há rios no céu", igualmente editado em Portugal pela Ed. Presença, ganhou o Prémio Edward Stanford de 2025, o Prix Fragonard de Littérature Étrangère, foi finalista do Prix Fémina Étranger e do Prémio Orwell de Ficção Política e acaba de receber o Prix Lorientales. 

O último romance, "In One Brief Moment All Eternity", foi publicado a 15 de outubro no Reino Unido.

Shafak é doutorada em Ciências Políticas e lecionou em várias universidades na Turquia, nos EUA e no Reino Unido, incluindo o St Anne’s College, da Universidade de Oxford, onde é membro honorário. É também Doutora Honoris Causa em Humanidades pelo Bard College.

(Fonte: Ecclesia)

Moonspell em Istambul



Os Moonspell regressam a Istambul para o Bosphorus Open Air Metal Fest 2026.

A banda, liderada por Fernando Ribeiro, revelou que este concerto em Istambul será focado no seu novo álbum de estúdio, Far From God.

O evento celebra a sua 5.ª edição, e reúne um total de 18 bandas internacionais e locais, nos dias 19 e 20 de setembro, no Maximum UNIQ Açıkhava. 

O cartaz conta também com nomes consagrados como Satyricon, Kataklysm e I Am Morbid. 

O vocalista, Fernando Ribeiro, participará no evento "Career Talks", no dia 18 de setembro, inserido na Bosphorus Music Conference 2026.  A conferência terá lugar no auditório da Universidade Nişantaşı, onde o músico abordará o seu percurso artístico, e apresentará o seu novo livro de poesia, "Purgatorial", que será publicado em breve no mercado turco. 

O concerto e a conferência contam com o apoio oficial da Embaixada de Portugal na Turquia e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

Bailarina e Coreógrafa Carolina Batalha em Ancara


A bailarina e coreógrafa portuguesa Carolina Batalha representou Portugal no 9.º Festival Internacional de Dança Contemporânea "Solo Dance", realizado nos dias 29 e 30 de agosto em Ancara.

A artista apresentou no espaço cultural CerModern a sua peça a solo intitulada "The Girl Who Wore Skirts on Windy Days" ("A Rapariga que Usava Saias nos Dias de Vento"). A obra — que retrata de forma íntima e visualmente marcante uma mulher suspensa entre a inocência, a loucura e a metamorfose — tem conquistado palcos nacionais e internacionais.

A participação contou com o apoio oficial do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e da Embaixada de Portugal em Ancara, integrando o programa cultural que celebra o centenário das relações diplomáticas entre Portugal e a Turquia. 

Nascida em Lisboa, Carolina Batalha acumula experiência em dança neoclássica, dança contemporânea e street dance. É licenciada em Dança pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa. Frequentou a Akademia Wychowania Fizycznego em Poznań (Polónia) e ingressou no Mestrado em Ensino de Dança na Escola Superior de Dança de Lisboa (ESD).  Foi voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa, onde ensinou dança criativa a jovens refugiados afegãos. Esta experiência resultou na publicação de um artigo científico em coautoria com a Prof.ª Dora Carolo na revista Scientific Research. Foi distinguida com uma Bolsa de Residência Artística nos prestigiados Estúdios Víctor Córdon (2024–2025), espaço onde desenvolveu e concebeu o solo "The Girl Who Wore Skirts on Windy Days". A obra — que retrata de forma íntima e visualmente marcante uma mulher suspensa entre a inocência, a loucura e a metamorfose — tem conquistado palcos nacionais e internacionais. Além deste projeto, Carolina também se destacou noutros palcos internacionais, como no Cora Dance Festival (Itália, 2024), atuando como intérprete-coreógrafa, e na orientação de masterclasses no INNERCORE Festival. 

Kokini: Restaurante turco em Cascais


O Kokini, em Cascais, foi pensado para reproduzir o ambiente descontraído de uma casa turca, com comida para partilhar. Quem lá chega é sempre recebido com água de colónia para lavar as mãos, uma tradição comum na Turquia.

O restaurante abriu em 2025, junto do parque do Largo Maestro Taborda, em Cascais, com o objetivo de apresentar aos clientes uma cozinha turca de inspiração caseira e, ao mesmo tempo, aproximá-los da cultura da Turquia. 

O projeto foi criado por Turgay Gülay, natural de Istambul, que se mudou para Portugal depois de uma carreira ligada ao cinema, onde trabalhou como realizador e guionista, e nasceu da vontade de recriar a experiência das refeições partilhadas que fazem parte do quotidiano turco.

O próprio nome do restaurante está ligado à família do fundador. Kokini era a alcunha da mãe de Gülay, que praticava lançamento do disco, e é também o nome de uma flor de inverno. A identidade do espaço foi desenvolvida em família: a arquitetura ficou a cargo de Elif Deniz Gülay, filha do proprietário.

No interior, a decoração segue uma linha minimalista, com mobiliário simples e fotografias a preto e branco de Istambul nas paredes. O resultado é um espaço de ambiente intimista, pensado para refeições demoradas e para a partilha de vários pratos. A experiência pode ainda ser acompanhada por música, partidas de gamão, café turco ou rakı, uma bebida tradicional.

A cozinha também é marcada pela diversidade gastronómica do país. A carta reúne receitas e influências de diferentes regiões, entre referências otomanas, anatólias, do Egeu e do Levante. A proposta passa sobretudo por pratos para dividir, com uma seleção de mezzes frios e quentes, sopas, carnes e receitas de confeção lenta.

Entre as entradas encontram-se a sopa de lentilhas, o mezze frio, as folhas de videira recheadas (ou dolma), as almôndegas de lentilhas, e muito mais. Nos pratos principais, uma das sugestões é o frango com castanhas.

Há também cordeiro no forno, almôndegas Köfte, os tradicionais Mantı e o Kavurma, um guisado de carne típico da cozinha turca. Para quem quiser provar várias receitas numa só refeição, existe ainda um prato de degustação.

A carta inclui opções mais leves, como a salada verde, a salada de queijo feta, a de atum e a de salmão. Para terminar, a oferta de sobremesas inclui clássicos turcos como o baklava.

(Fonte: NIT)

Listambul: Gastronomia turca em Lisboa


O restaurante, que fica num edifício histórico no Campo de Santa Clara, foi aberto por um casal turco que se apaixonou por Lisboa.

“Sentia-me feliz em Portugal e consegui imaginar-me a viver aqui e a ter um negócio”. É assim que Celine Serter explica à NiT a decisão de vir morar para o nosso País, em 2022. Na bagagem trouxe a experiência em cozinhas internacionais e a vontade de ter um espaço onde pudesse servir os pratos que estão ligados às suas raízes turcas. Foi assim que, em 2023, abriu o Listambul em Lisboa. 

A história, porém começa bem longe da capital portuguesa. Celine, de 26 anos, nasceu nos Estados Unidos, mas tem raízes turcas. Estudou culinária, passou por cozinhas em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde teve as primeiras experiências em fine dining. Pelo meio, também estudou na Turquia e nos Estados Unidos. “Sempre soube que queria trabalhar na área da cozinha”.

Foi em 2020, em plena pandemia, que tudo mudou. “O mundo estava fechado e eu não consegui concluir a minha formação numa escola de culinária nos Estados Unidos. Voltei para Istambul e foi aí que conheci o Ege, a trabalhar numa cozinha de um restaurante”. O companheiro, hoje com 30 anos, partilhava a mesma inquietação. “Percebemos que ele não queria ficar na Turquia e eu não queria ficar nos Estados Unidos. Queríamos viver na Europa”. 

A decisão foi rápida, mas não impulsiva. Celine já conhecia Portugal. “Apaixonei-me pelo País. Vi muito potencial aqui, sobretudo para introduzir a cozinha turca, porque há três ou quatro anos não havia muita oferta.” O passo seguinte foi desafiar Ege Vural que estudou cozinha também na Turquia e na Polónia, em Varsóvia. “Perguntei-lhe se queria embarcar neste projeto comigo. Foi muito excitante.”

Mudaram-se em 2022 e demoraram cerca de um ano a preparar tudo. O Listambul abriu no verão de 2023 e desde então tem vindo a crescer. Mais do que um restaurante, o conceito passa por mostrar uma cozinha turca autêntica, mas com um toque contemporâneo. “Queremos provar que a gastronomia turca não é só carne ou kebabs. Temos muitos pratos vegetarianos e de marisco e Portugal tem produtos incríveis nessas áreas”.

Ao mesmo tempo, houve um cuidado em adaptar o menu. “A comida turca é mais condimentada e picante. Tentamos amenizar isso e aproximar-nos de um gosto mais mediterrânico, mais equilibrado. O objetivo é introduzir a nossa cozinha, mas fazer com que as pessoas se identifiquem”. 

Essa ligação também se fez fora do prato. “Lisboa fez-me lembrar Istambul. A cultura de proximidade, a importância da comida e da bebida, o convívio, tudo isso existe aqui. Mas senti que Lisboa era até mais pura e autêntica”, diz Celine. Outro fator decisivo foi o acolhimento. “Nunca me senti como uma estrangeira. As pessoas são muito calorosas, como na Turquia”.

Hoje, essa aposta parece estar a resultar. “As pessoas gostam muito. Temos muitos clientes regulares, alguns nem conheciam a gastronomia turca e agora voltam várias vezes”. O espaço também ajuda: o restaurante está num edifício histórico de 1783, reconstruído após o terramoto de Lisboa. “As pessoas gostam da experiência de estar num sítio com história, rodeado de obras de arte, e ao mesmo tempo provar algo diferente.” 

O Listambul fica localizado perto da Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara.  

O menu mistura tradição com criatividade e tem opções para partilhar, pratos principais e sobremesas. Nas entradas frias, há propostas como o hummus com mexilhões ou com cogumelos, servidos com pão pita, e o mezze trio, que junta três especialidades do dia. Também se destaca o labneh caseiro com beterraba, tâmaras e pistáchios ou o dolma, beringela recheada com arroz aromatizado.

Nos pratos quentes, uma das opções mais pedidas é o Yaglama, com pão lavash, carne picada e molho de tomate, ou o Icli Kofte, uma versão de bulgur recheado com carne e servido com molho e iogurte. Há ainda o polvo, com puré de batata-doce roxa e azeitona, e as ribs (costeletas) com beringela. Para quem prefere opções mais leves, a couve-flor assada com tahini e sementes de romã é uma das alternativas vegetarianas.

Entre as bebidas, há uma que se tornou assinatura da casa: a limonada de citrinos. Na carta há também cocktails como o Turkish Coffee Martini ou o clássico Aperol Spritz, além de vinhos portugueses.

Nas sobremesas, destacam-se o milk helva, um creme de leite queimado com abóbora e frutos secos, e o baklava cheesecake, uma fusão entre o doce tradicional turco e o clássico cheesecake.

Para Celine, o mais importante é o que fica depois da refeição. “Não é só a comida. É a experiência completa”. E isso vê-se na forma como os clientes regressam. “É muito bom sentir que as pessoas gostam e voltam. Mostra que estamos no caminho certo”.

O futuro já está a ser pensado. A ideia passa por explorar outra vertente da cultura turca. “Gostávamos de abrir um conceito de street food. Mostrar que também temos os nossos ‘pregos’ e ‘bifanas’, aquilo que se come no dia a dia nas ruas de Istambul.” Para já, o foco continua no restaurante que criaram juntos. Um projeto que nasceu de uma decisão em em plena pandemia, atravessou países e culturas e acabou por encontrar em Lisboa o sítio certo para crescer.

(Fonte: NIT)