sábado, 26 de junho de 2021

"Unidos: 10 Escolhas para um Agora Melhor", de Ece Temelkuran, publicado em Portugal



Sinopse:

Este livro não é sobre a maneira como estragámos tudo, mas sobre o tipo de mundo em que queremos viver agora.

Em 2020, movimentos de protesto em todo o mundo revelaram as desigualdades incrustadas no tecido da sociedade. Os incêndios que devastaram a Austrália e a Califórnia tornaram claro que estamos no meio de uma catástrofe climática. A pandemia mostrou a todos a fragilidade da nossa economia e as teorias da conspiração que rodearam as eleições nos EUA demonstraram o mesmo em relação à democracia. Os governantes não têm respostas. Na realidade, os governantes são, muito frequentemente, o problema. A comentadora política Ece Temelkuran apresenta uma narrativa nova e convincente para o momento que atravessamos. Não para um futuro idealizado mas para o agora. E pede-nos que façamos uma escolha. Que escolhamos a determinação em vez da esperança; que enfrentemos o medo em vez de nos consolarmos com a ignorância; que poupemos a nossa energia para vigiarmos os que detêm o poder e os sistemas destrutivos por eles comandados, em vez de desperdiçarmos tempo a expelir fúria e insultos nas redes sociais.

Fonte: Bertrand

domingo, 18 de abril de 2021

Séries turcas no catálogo da Netflix: The Gift

 


Uma artista de Istambul embarca numa jornada pessoal quando descobre os segredos universais de um sítio arqueológico na Anatólia que está ligado ao seu passado. 

 Elenco: Beren Saat, Mehmet Günsür, Metin Akdülger
   

domingo, 10 de maio de 2020

As "Noites de Peste" de Orhan Pamuk




Desde sempre que as pessoas respondem às epidemias espalhando boatos e informações falsas e retratando a doença como algo estrangeiro trazido com intenções maliciosas. O escritor Orhan Pamuk, Nobel da Literatura em 2006, vislumbra o coronavírus olhando para o espelho retrovisor:

"Tenho estado a escrever, nos últimos quatro anos, um romance histórico situado em 1901, durante o que ficou conhecido como a terceira pandemia, um surto de peste bubónica que matou milhões de pessoas na Ásia, mas não muitas na Europa. Nos últimos dois meses, amigos e família, editores e jornalistas que sabem qual é o assunto desse romance, “Noites de Peste”, têm-me feito inúmeras perguntas sobre pandemias. Estão bastante curiosos sobre as semelhanças entre a atual pandemia de coronavírus e os surtos históricos de peste e cólera. Há imensas semelhanças. Em toda a história literária e humana, o que torna as pandemias semelhantes não é a mera semelhança de germes e vírus, mas o facto de as nossas primeiras reações serem sempre as mesmas."

(Fonte: Expresso)

quinta-feira, 16 de maio de 2019

"Como Perder um País", de Ece Temelkuran, traduzido para português


"Como Perder um País" é um livro necessário e urgente. É uma denúncia da ascensão do populismo de direita. Um apelo urgente à ação. Um verdadeiro guia de campo para identificar os padrões e mecanismos astuciosos da vaga de populismo que varre o mundo atual. 

Propondo respostas globais e alternativas às questões políticas prementes – e com frequência paralisadoras – do nosso tempo, Temelkuran examina a ideia ardilosa do "povo real", a infantilização da linguagem e dos debates, a maneira como o riso pode ser enganador, e os perigos de subestimarmos o nosso adversário. Entretecendo memória, história e argumentos claros, cria uma urgente e eloquente defesa da democracia.

Fonte: Temas e Debates


sábado, 2 de dezembro de 2017

Documentário turco "Meteors" vence festival Porto/Post/Doc

Meteors, do turco Gulcan Keltek, é o vencedor da quarta edição do festival Porto/Post/Doc, em palmarés anunciado esta noite no palco do Rivoli Teatro Municipal, que recebeu o certame ao longo da última semana. O júri deu o grande prémio da competição do Porto/Post/Doc a este documentário pomposo e formalista, estreado no festival de Locarno e rodado a preto e branco, que explora a natureza humana e a sua tendência bélica a partir do conflito entre o governo turco e a minoria curda. 

O júri de seis elementos (as programadoras Núria Cubas e Raquel Castro, a investigadora Hilke Doering, o designer Mário Moura e os cineastas Ivo Ferreira e Lois Patiño) destacou ainda com uma menção honrosa um outro filme oriundo de Locarno, Dragonfly Eyes, do chinês Xu Bing, que utiliza exclusivamente imagens encontradas na internet (YouTube, câmaras de vigilância, vídeos amadores) para construir uma arrebatadora ficção alegórica sobre a China contemporânea e a globalização das imagens. 

Taste of Cement, do sírio Ziad Kalthoum, ensaio onírico e visualmente trabalhado sobre o quotidiano de exilados sírios empregues na construção civil em Beirute, arrecadou o Prémio Biberstein Gusmão para Autores Emergentes, depois de ter vencido a competição do festival suíço Visions du Réel este ano. O concurso para jovens realizadores Cinema Novo premiou a curta argentina Proxima, de Igor Dimitri e Gabriel Martinho. 

(Fonte: Público)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Sara F. Costa no Festival Internacional de Poesia e Literatura de Istambul










Sara F. Costa, autora de quatro livros de poesia, dois editados pela Âncora Editora, “O Sono Extenso” (2011) e “O Movimento Impróprio do Mundo” (2016) foi este ano convidada a participar no ciclo de debates e leituras pela organização da décima edição do Festival Internacional de Poesia e Leitura de Istanbul.

(Fonte: Âncora Editora)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

"Edifício de Pedra", da romancista turca Aslı Erdoğan, lançado dia 15 em Lisboa


A romancista turca Aslı Erdoğan, cujo livro "O Edifício de Pedra" será lançado no próximo dia 15 em Lisboa, considera não ser possível "penetrar na experiência da tortura" através da literatura, mesmo que se tenha passado por essa situação extrema. 

 "Existem e conheço muitos livros sobre campos de concentração, em particular de ex-prisioneiros e sobreviventes, e o principal elemento é que não é possível penetrar nessa experiência", disse à Lusa a escritora, de 49 anos, natural de Istambul, em liberdade condicional desde 29 de dezembro após cinco meses de prisão por suspeita de atividades "subversivas". 

Em declarações por telefone desde Istambul, Aslı Erdoğan define "O Edifício de Pedra" - o seu primeiro romance traduzido para português - como uma obra sobre "tortura e enclausuramento". 

O livro, com a chancela da Editora Clube do Autor, com tradução de José Manuel Barata-Feyo a partir da edição em francês, está disponível a partir de 15 de fevereiro. 

"A minha principal questão foi saber até que ponto pode ir a literatura face a situações extremas como a tortura, ou campos de concentração", indica a autora com estudos em Física e Informática, detida em agosto de 2016 sob a acusação de vínculos com a guerrilha curda. 

Através de artigos publicados em jornais, não deixou de se pronunciar sobre os direitos da população curda e de outras minorias há muito acossadas pelos regimes turcos, incluindo pelo atual governo do Presidente Recep Tayyip Erdoğan. 

"As experiências extremas estão para além da linguagem", diz a escritora, que tentou encontrar uma linguagem "que pudesse tocar na essência" de uma experiência extrema. "Por exemplo, na literatura turca a tortura é geralmente abordada como uma questão de coragem ou resistência, enquanto na literatura latino-americana é geralmente encarada como uma tragédia", assinala. Assim, neste seu livro escrito em 2009 e publicado no ano seguinte, procurou uma nova abordagem. "Tentei transportar o mais sagrado e o mais sórdido, o mais feio, em conjunto. É por isso que no livro existe o homem louco e um anjo, que de facto são a mesma pessoa".

Galardoada em 10 de janeiro passado com o prémio Bruno Kreisky de direitos humanos concedido por uma fundação austríaca, a aguardar julgamento em liberdade condicional, Aslı Erdoğan é autora de oito livros, alguns traduzidos em França, Reino Unido e EUA, foi colunista e membro do conselho consultivo do diário da oposição pró-curdo Özgür Gündem, encerrado após o estado de emergência imposto após o fracassado golpe militar de 15 de julho. Acabou por ser detida com mais de 20 outros jornalistas e funcionários do jornal e está a ser julgada no seu país por quatro crimes diferentes. 

Ainda sobre "O Edifício de Pedra", afinal um romance tão atual, define-o com uma "metáfora", podendo ser "qualquer edifício de pedra, pelo mundo". A romancista ensaiou uma linguagem "musical e sofisticada", num livro que vai "de círculos em círculos" e onde a crítica destacou "uma doçura poética (...) em que a matriz é a tragédia humana" (Le Nouvel Observateur), "(...) um texto que faz pensar e sofrer. Tal e qual a grande poesia" (Le Monde des Livres) ou "um poema em prosa, escrito com a sensibilidade à flor da pele", como nota o tradutor Barata-Feyo. 

A romancista alerta no entanto para os limites desta incursão num mundo de sofrimentos. "Há um momento em que a literatura deve parar, não deve entrar na câmara de tortura e explicar o que sucede. Isso não será literatura, antes uma espécie de pornografia da dor", disse à Lusa. 

Após os seus 132 dias de detenção provisória, debilitada, diz recear "ter perdido alguma poesia" porque é difícil fazer poesia "em torno dos seus próprios traumas", mas continua a pensar que o tema da tortura não deve ser abordado diretamente numa obra literária. "Quanto mais círculos forem crescendo em redor mais poderosa prevalece", sustenta. Aslı Erdoğan também considera não merecer a designação de ativista dos direitos humanos, e diz que as colunas que escrevia para o jornal pró-curdo e proscrito contavam histórias de pessoas comuns assoladas pela tragédia, "o suficiente para ser punida". 

Proibida de sair da Turquia até à conclusão do julgamento, a autora manifesta particular preocupação com "sinais" que se avolumam no seu país. "Se o sistema é incapaz de digerir ou mesmo tolerar-me, mesmo a mim, isso significa que é um sinal muito sério. Quando os regimes se tornam cada vez mais totalitários mais jornalistas conhecem problemas, mas se começam a tocar nos artistas e nos escritores, isso significa que pretende garantir o monopólio da verdade". A escritora compara a atual situação na Turquia à década de 1930, essa "grande vaga de líderes populistas e autoritários" que alcançaram o poder em diversos países e com discursos muito semelhantes sobre liderança e patriotismo. "Na Turquia é um fenómeno mais evidente, na nossa história nunca tivemos instituições democráticas fortes, a nossa proximidade com um Médio Oriente sempre em convulsão torna a situação mais instável...", assinala. 

A preocupação com as minorias, sejam curdos, alevis (um ramo místico do islão e seguidores de Ali, com milhões de crentes na Turquia de maioria sunita) ou as mulheres "que apesar de serem em maior número que os homens são tratadas como uma minoria", é também uma constante em Aslı Erdoğan. "Todos estamos a pagar um preço, e à medida que o regime se tornar mais duro haverá cada vez mais pressão sobre todos estes grupos", frisou ainda, desde Istambul.

(Fonte: Notícias ao Minuto)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Gaye Su Akyol no Festival de Músicas do Mundo



Gaye Su Akyol é presença confirmada no Festival Músicas do Mundo, que se realiza em Sines e Porto Covo entre 21 e 29 de julho de 2017.  

Gaye Su Akyol é uma pintora tornada cantora-compositora que revela a energia da cena “underground” da Istambul mais cosmopolita. O seu disco “Hologram Imparatorluğu” (‘império holograma), editado em novembro de 2016, é classificado como art rock. Um art rock turco, com melodias da Anatólia, influências gregas e inspirações do rock psicadélico e do surf rock.

(Fonte: MusicFest.pt)

sábado, 28 de janeiro de 2017

Cartunista turca ganha prémio de “coragem artística” no festival de Angoulême



A cartunista feminista turca Ramize Erer recebeu hoje o prémio “couilles-au-cul” de “coragem artística” do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, que decorre nesta cidade no sudoeste de França. 

O júri quis “lembrar a situação difícil que vivem neste momento os cartunistas turcos” e “homenagear a coragem desta cartunista e o seu combate pela causa das mulheres, vítimas colaterais da política de Erdogan”, indicou o festival num comunicado.

“Dedico este prémio à minha mãe que se tornou feminista sem ter conhecido nem Virginia Woolf, nem Simone de Beauvoir e que me deu uma liberdade sem limites e a coragem de falar dos problemas e dos desejos das mulheres e das relações entre os homens e as mulheres”, disse a laureada. Também saudou a memória do seu amigo Georges Wolinski, cartunista morto em janeiro de 2015 no atentado contra a revista satírica Charlie Hebdo, que lhe deu e à sua família “uma amizade e um apoio sem limites”. 

Ramize Erer publica desde 2010 a única revista de banda desenhada no mundo feita exclusivamente por mulheres, a Bayan Yani. Exilada em França há dois anos devido às ameaças que sofria na Turquia, Ramize Erer dirige a revista a partir de Paris. 

A impertinente cartunista não tem tabus e desenha “raparigas modernas que mostram o rabo e fazem troça dos gajos”, dizia Georges Wolinski, que deu a conhecer o seu trabalho em França. Sob um traço aparentemente ingénuo e irónico, dissimulam-se situações de grande violência, que descrevem a opressão de que as mulheres são vítimas. 

Nascida em 1963, Ramize Erer formou-se na Academia de Belas Artes de Istambul. Em 1990, publicou “Sans Moustache (Sem Bigode)”, o primeiro dos seus cinco álbuns de ressonância feminista com a sua heroína Kotu Kiz (”A menina má”). 

O irónico prémio “couilles-au-cul” de Angoulême premeia a coragem artística de um autor com uma estatueta em forma de dois testículos. 

 (Fonte: DN)