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Özge Topçu abre a porta a obras de artistas de todo o mundo



Em plena pandemia, quando muitos artistas viam as vidas viradas do avesso, Özge Topçu decidiu arrendar um estúdio em Campo de Ourique. A artista plástica turca mudara-se há pouco para a capital portuguesa e precisava de um sítio onde guardar o material e trabalhar. Mas não se ficou por aí: aproveitando a janela para a rua, começou a pedir a artistas de todo o mundo que lhe enviassem as suas obras pelo correio, para o marco que fica ali ao lado, e depois expunha-as atrás do vidro.

Agora, no Hypercube Project Space, o trabalho de Özge passou a conviver com algumas dessas obras que, como a própria explica, "saíram da caixa" para uma exposição que mistura estilos, suportes e nacionalidades. Sentada no estúdio pintado de branco da Rua Almeida e Sousa, a artista conta que "esta é a continuação do meu trabalho. Sempre gostei de trabalhar em espaços públicos e de colaborar com pessoas".

O nome do espaço também não é um acaso. "Hipercubo é uma forma geométrica - é um cubo a quatro dimensões", um piscar de olho ao seu amor pela arquitetura e pela história, mas também uma visão que lhe surgiu de "juntar vários artistas num único espaço." "Esta não é uma galeria de arte, é um espaço artístico onde todos são bem-vindos e podem propor projetos". A única condição, além de estarem dispostos a partilhar o espaço, é que se inspirem em diferente disciplinas - signos, matemática, arte digital, arte experimental, etc.

A própria Özge gosta de experimentar e de criar "vários objetos, usando várias técnicas", de acordo com o momento e o local onde vive. Por exemplo, em Istambul as suas obras eram mais "arquitetónicas, inspiradas pela história de uma cidade por onde passaram várias civilizações".

Nascida em 1987 em Kirklareli, na parte europeia da Turquia, numa família sem qualquer ligação às artes, Özge começou por estudar ciências, mas garante que quando se vive em Istambul - para onde se mudou depois do liceu - "tem de se ser artista. Não temos outra hipótese. É uma cidade tão dinâmica e inspiradora". Ainda hoje, "é o meu primeiro amor".

A ideia de sair da Turquia surgiu-lhe depois de se licenciar, tendo ido para a Alemanha fazer o mestrado na Burg Giebchischenstein Kunsthochschule Halle, perto de Berlim. Dali seguiu para o Reino Unido, onde viveu uns meses com o namorado britânico. Com uma agenda dividida entre Berlim, Londres e Istambul, Özge decidiu que queria encontrar um lugar onde se pudesse concentrar no seu trabalho - "sem precisar de ter dois empregos só para conseguir sobreviver como acontece em Londres". Apaixonada pela vida em grandes cidades, mas desejosa de fugir aos preços proibitivos de algumas grandes capitais, há dois anos e meio acabou por escolher Lisboa.

Porquê Lisboa? "Porque é bastante parecida com Istambul [risos]." Özge garante que aqui se sente "confortável culturalmente", destacando as semelhanças entre os lisboetas e os habitantes de Istambul. "As pessoas não são tão individualistas como no norte da Europa, são mais tolerantes", destaca, sem esquecer que "tudo aqui em Lisboa tem uma escala humana".

Hoje é em Portugal que vive, mesmo se costuma passar três meses por ano em Istambul. Afinal duas cidades com tantas semelhanças, tal como as semelhanças entre a história de Portugal e a da Turquia - "ambos já foram grandes impérios" mas hoje são sociedades que "acham que há coisas mais importantes do que o dinheiro".

Portugal, claro, já inspirou a arte de Özge. Por exemplo, a instalação Terrania é uma homenagem à Terra e à terra enquanto material. "Nas grandes cidades quase não se vê o solo, as plantas, a natureza", explica a artista, feliz por viver num apartamento onde se vê terra pela janela. Para a Terrania, não hesitou em colaborar com oleiros portugueses, do Algarve, do Alentejo e da zona de Setúbal, num alerta também para a necessidade de proteger o planeta e o ambiente.

Apesar da primeira opção pelas ciências, Özge garante que sempre se sentiu uma artista. Aos 5 anos começou a aprender música e chegou a tocar vários instrumentos. Mas acabou por se virar para as artes plásticas. "Não faço exatamente o que as pessoas acham que os artistas fazem. Gosto de criar no meu mundo, mas sobretudo de criar uma visão", explica, rodeada por obras que vão da cerâmica a desenho ou pintura. E se não fosse a covid, talvez nunca se tivesse aventurado no digital. "Eu gostava de trabalhar no exterior em vez de estar sentada ao computador", conta, mas a pandemia fê-la compreender a importância de contactar com as pessoas através de realidade virtual.

Foi nessa altura que surgiu a ideia do Hypercube - um espaço como "incubadora de novas ideias e novos artistas, de partilha e solidariedade". Apontando para o canto do estúdio, para a obra Setsuna, de Ayumi Adachi, Özge explica que veio pelo correio do Japão durante a pandemia, num pacote em vácuo e, quando o abriu, expandiu-se. "Percebi que os artistas precisavam que os seus trabalhos fossem vistos. Também fora dos seus países. Sobretudo quando não se podia viajar", conta. Assim surgiu a Post Box Exhibitions, em que as obras que no confinamento estiveram na janela saltaram para o estúdio. É o caso também das obras do alemão Tobias Becker ou da portuguesa Susana Moreira. Mas a porta está aberta para mais artistas.

(Fonte: Diário de Notícias)

Özge Topcu: Uma artista turca entre Istambul e Lisboa


A artista turca Özge Topçu lançou a obra "Terranean" dias antes do início da pandemia de covid-19. Partindo do barro e da terra, questiona a organização das cidades modernas. Desenvolve o seu trabalho artístico entre Istambul e Lisboa.

Em entrevista ao programa "Europa Minha", em Lisboa, reflete sobre o valor das palavras e como estas moldaram a sua experiência na União Europeia.

https://www.rtp.pt/noticias/rtpeuropa-portugal/questionar-tudo-ate-a-palavra-imigrante-a-experiencia-de-uma-artista-turca-na-ue_v1223607

Pintores turcos no Museu de Pintura e Escultura de Ancara

































































O Museu de Pintura e Escultura de Ancara (Ankara Resim ve Heykel Müzesi) tem exclusivamente pinturas e esculturas de pintores e escultores turcos.

Impressões de Ağrı

Mostra de pinturas de estudantes de Belas Artes da Universidade İbrahim Çeçen de Ağrı, que retratam imagens do quotidiano da cidade de Ağrı, no leste da Turquia. Esta exposição esteve patente na Galeria de Arte İbrahim Çeçen, em Ancara.














Crochet de Nallıhan (Nallıhan İpek İğne Oyaları)

Nallıhan é uma vila pertencente à província de Ancara localizada na parte oeste da região do Mar Negro, no triângulo formado por Ancara, Eskişehir e Bolu.
A Rota da Seda passava pela Anatólia e por Nallıhan, o que explica o facto de uma das suas principais actividades ser a produção de bichos-da-seda, o que favoreceu o desenvolvimento de artesanato feito com seda, uma imagem de marca de Nallıhan. Para além do seu papel de adorno, está imbuído de mensagens transmitidas através das cores utilizadas e dos motivos representados, que podem ser diversos tipos de plantas e flores, seres humanos e animais. Alguns desses motivos são a margarida, milho, jacinto, folha de carvalho, borboleta, amêndoa, limão, banana, cereja, estrela, entre outros. Cada motivo tem um significado e pode expressar diferentes emoções como amor, dor, fúria, desapontamento, alegria...
Nallıhan tem um museu (Ayhan Sümer Kültür Merkezi) dedicado a esta arte que retrata as emoções escondidas das mulheres da Anatólia.









































Ayhan Sümer Kültür Merkezi, Nallıhan, Ancara.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) IV: O Café e os Turcos








Aspecto de uma sala do Museu de Etnografia de Ancara denominada "O Café e os Turcos", onde são exibidos utensílios e recriados ambientes que retratam esse elemento tão importante da cultura turca.

A origem do café é em África e remonta pelo menos ao século XIII. No entanto, poderá remontar ao século IX, a um mosteiro do sul da Abissínia, no reino Kaffa da Etiópia. Difundiu-se depois para o Iémen e em seguida para Meca. A evidência mais credível do conhecimento do café e da sua utilização como bebida, é de meados do século XV, nos mosteiros sufi do Iémen. Os muçulmanos que se deslocavam a Meca em peregrinação, terão conhecido a bebida e levaram-na para os seus países. Em meados do século XVI já teria chegado ao Médio Oriente, Pérsia, Turquia e norte de África. Depois o café difundiu-se para a Itália e resto da Europa, Indonésia e América.
Os Turcos conheceram a bebida após a conquista do Egipto pelo sultão Selim I. A difusão da bebida e a abertura de casas de café no Império Otomano ocorreu durante o reinado de Solimão, o Magnífico, no século XVI.
A primeira casa de café abriu em Istambul, Tahtakale, em meados do século XVI. O café era também oferecido em privado aos convidados, nas casas de Istambul e da Anatólia.
Em 1511 o café foi proibido devido às suas propriedades estimulantes, pelos imames conservadores num tribunal teológico em Meca. Contudo, esta proibição foi retirada em 1524 por uma ordem do sultão Selim I, com o Grande Mufti Mehmet Ebussuud el-İmadi a emitir uma fatwa a autorizar o consumo de café.
O café foi introduzido na Europa ocidental através das trocas comerciais do porto de Veneza com países africanos e com a Ásia e leste da Europa. O café foi mais amplamente aceite na Europa após o papa Clemente VIII ter aceitado formalmente o seu consumo pelos Católicos em 1600. Em 1645 abria a primeira casa de café em Veneza.
A preparação do café no Império Otomano obedecia a alguns preceitos, para os quais eram necessários diversos utensílios. Os grãos de café primeiro eram tostados e depois eram arrefecidos. Eram depois moídos e armazenados em caixas prórias. Para a preparação do café eram utilizadas cafeteiras próprias, e em algumas regiões o café era feito em braseiros. O café era depois colocado em jarros ou bules, e depois servido em pequenos copos de porcelana colocados dentro de recipientes de metal que podiam ser feitos de ouro, prata ou cobre. Como a água acompanha sempre o café turco, também foi sempre dada atenção a esse aspecto mediante a utilização de recipientes, principalmente de vidro.
Ainda hoje se mantém na Turquia parte deste ritual de preparação e consumo do café, embora a fase da moagem seja mais simplificada. Continua a dar-se grande importância ao ritual do consumo do café, existindo uma grande oferta de utensílios inspirados e copiados daqueles utilizados durante o Império Otomano.

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) III: Metais












Alguns artefactos de metal presentes no Museu de Etnografia de Ancara.

A Anatólia é muito rica em minério, e por isso a tradição da arte do trabalho do metal tem uma longa história. Antes dos túrquicos virem para a Anatólia, já produziam utensílios de metal na Ásia Central. Quando os Túrquicos se tornaram muçulmanos, começou um período florescente na arte do trabalho do metal.
São utilizados diversos metais na arte turca do trabalho do metal, como ouro, prata, cobre e bronze, e as técnicas de ornamentação consistem em gravura, relevo, filigrana, esmalte, entre outras.
Os Seljúcidas da Anatólia contribuíram para o desenvolvimento da arte do trabalho do metal no que diz respeito às técnicas, materiais e ornamentação.
Durante o período otomano, as minas de cobre foram intensamente exploradas na Anatólia e nos Balcãs, assim a arte do trabalho do metal nesse período atingiu um alto nível de qualidade. Por um lado, artefactos de prata e ouro de grande qualidade eram produzidos principalmente para o palácio. Por outro lado, muitos objectos de cobre de uso quotidiano estavam presentes em praticamente todas as casas. Os grandes centros produtores de muitos utensílios de cozinha de uso quatidiano eram Diyarbakır, Tokat, Trabzon, Erzincan, Kayseri, Kastamonu, Bursa, Istambul, Edirne e Sarajevo. Esses objectos eram decorados geralmente com motivos florais como folhas, ciprestes, tulipas, mas também romãs.
O Museu de Etnografia de Ancara possui uma rica colecção de artefactos de metal datados do período seljúcida e otomano.