quinta-feira, 7 de maio de 2015

Realizadora Margarida Cardoso em Ancara











Com o apoio da Embaixada de Portugal em Ancara e do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, a 18.ª Edição do Festival Internacional de Cinema Feminino de Ancara, um dos mais prestigiados festivais femininos da Europa e o único do género com prémio FIPRESCI, vai incluir no seu programa o último filme da realizadora portuguesa Margarida Cardoso, “Yvone Kane”.
Margarida Cardoso também escreveu o argumento do filme.





Sinopse: Depois de uma tragédia que lhe roubou a vontade de viver, Rita decide voltar a África, ao país onde cresceu, e reencontrar Sara, a sua mãe. Enquanto Sara vive os últimos dias da sua vida procurando encontrar um sentido para o seu passado, Rita decide investigar o percurso de Yvone Kane, uma ex-guerrilheira e activista política cuja coragem e determinação marcou várias gerações e cuja morte nunca ficou esclarecida. Porém, apesar dos esforços, nenhuma das duas parece conseguir a redenção de que necessita…
 
 Este é o 10.º Filme de Margarida Cardoso, que iniciou a sua carreira de realizadora em 1996 com o filme “Dois Dragões” e que já ganhou três prémios internacionais e foi nomeada para mais dois.
 
Margarida Cardoso estará em Ancara para participar no festival, que terá lugar entre 8 e 18 de Maio. 
 
Datas de exibição:
 
Segunda-feira, 11 de Maio, 12.15
Quinta-feira, 14 de Maio, 19.00
Sábado, 16 de Maio, 14.30
 
Trailer do filme: https://vimeo.com/110476123

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Portugal nas celebrações do dia da Europa na Turquia



O Dia da Europa vai ser festejado um pouco por toda a Turquia entre os dias 6 e 12 de Maio.

Portugal vai participar com um stand de informação em Ancara, e com a exibição de três filmes em diversas cidades turcas.

Stand de Portugal

Data: 9 de Maio, 11.00
Local: Seğmenler Park  -  Çankaya – Ankara
 
Filmes Portugueses

“Amália – O Filme”

 
Realizador: Carlos Coelho da Silva  -  Duração: 122’’
Sinopse: História da lenda do “Fado”, Amália Rodrigues.
 
Locais, datas e horários:
 
Erzurum (Cinetekno), 8 de Maio, 18.00
Şanliurfa (Piazza Shopping Mall), 9 de Maio, 16.00
Istambul (Haydarpaşha), 10 de Maio, 12.00

“Fantasia Lusitana”

 
Realizador: João Canijo  -  Duração: 66’’
 
Sinopse: Imagens e sons mostram a dualidade de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial: um pacífico país rural, que constitui uma rota de escape para mais de uma centena de milhares de refugiados europeus para as Américas, e uma elite política que disfarçava as suas inclinações nazis o suficiente para poder jogar o seu papel neutro na política internacional.
 
Locais, Datas e Horários:
 
Gaziantep (Sankopark AVM), 9 de Maio, 18.00
Izmir (9 Eylul University), 9 de Maio, 14.00
Mersin (Forum AVM), 9 de Maio, 16.00

“48”

 
Realizadora: Susana de Sousa Dias  -  Duração: 92’’
 
Sinopse: A realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias usa as imagens fotografadas e filmadas pela ditadura de Salazar, que durou quase meio século, de 1926 a 1974, para mostrar a história desses anos. Ela sobrepõe a propaganda oficial do dia-a-dia, para realçar o controlo que o regime autoritário exerce sobre todas as facetas da existência humana. 
 
Locais, Datas e Horários:
 
Izmir (9 Eylul University), 9 de Maio, 16.30

Mais informações aqui e no site da site da Embaixada de Portugal em Ancara.

sábado, 18 de abril de 2015

Cristina Branco em Ancara











Cristina Branco actua hoje em Ancara, na Sala de Espectáculos MEB Şura, no âmbito do 32.º Festival Internacional de Música de Ancara.
 
Pode comprar bilhetes aqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Dulce Pontes em Istambul

Dulce Pontes vai actuar no İş Sanat, em Istambul, no próximo dia 3 de Abril, às 20.00 horas.

Pode comprar os bilhetes aqui.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Camané em Ancara

No dia 27 de Março, às 20.30 horas, Camané sobe ao palco do Ankara Palas.











Os bilhetes estão à venda aqui.

domingo, 1 de março de 2015

Faleceu o escritor turco Yaşar Kemal



Morreu um dos gigantes da literatura turca. Yaşar Kemal tinha 92 anos e era de origem curda.
Publicou  o romance “Memed, Meu Falcão” em 1955, obra que o aclamou como escritou e que foi traduzida em mais de 40 línguas, nomeadamente em português. Recebeu 19 prémios literários, e foi o primeiro escritor turco candidato a um prémio Nobel da Literatura, em 1973. 
Foi casado com Thilda Serrero, judia sefardita, que traduziu 17 das suas obras para a língua inglesa.
Faleceu num hospital de Istambul, onde se encontrava internado desde Janeiro, na sequência de complicações provocadas por uma infecção pulmonar e uma arritmia cardíaca.

“Durante toda a minha vida, o meu único sonho foi escrever um pouco mais, um pouco melhor”, disse em 2012, depois de ter terminado a sua última obra.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Cavalo Dinheiro" e Pedro Costa viajam até à Turquia

O realizador português, Pedro Costa, vai estar em Istambul a apresentar o seu mais recente trabalho, “Cavalo Dinheiro” no âmbito do Festival de Cinema Independente de Istambul (!f İstanbul).
 
 O documentário "Cavalo Dinheiro", com o qual Pedro Costa ganhou o prémio de melhor realizador no Festival de Cinema de Locarno, vai ser exibido em Istambul  nos dias 15 e 17 de Fevereiro.
 
O realizador vai também estar presente para falar sobre a sua filmografia no dia 18 de Fevereiro, às 18.00 horas, na plataforma cultural SALT de Beyoğlu.
 
A 14.ª edição do Festival !f İstanbul vai decorrer de 12 a 22 de Fevereiro em três cinemas de Istambul. Uma selecção de filmes vai ser também exibida em Ancara e em Izmir, de 26 de Fevereiro a 1 de Março. Em Ancara o filme será exibido no Cinema Armada, no dia 28 de Fevereiro, às 17:30 horas.
 
Para mais informaçoes, consulte www.ifistanbul.com.

"Bairro" de Gonçalo M. Tavares editado na Turquia
























Série "Bairro", de Gonçalo M. Tavares, foi publicada na Turquia com o apoio do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A inquietação de Elif Şafak

A escritora turca Elif Şafak, nomeada para o Orange Prize for Fiction, com "A Bastarda de Istambul", o seu primeiro romance a ser editado em Portugal pela Jacarandá Editora, tem aparência cândida, transmite segurança nas suas palavras, fala pausadamente, parece apaziguada. Mas, à conversa com a autora, a mais lida na Turquia, transparece inquietação. O que um rosto transmite nem sempre corresponde ao âmago.

 
 
Şafak, nascida em Outubro de 1971, tem já um longo currículo. Com 13 livros publicados - "The Architect's Apprentice" é o último, mas ainda só está disponível no Reino Unido -, oradora, professora universitária, activista política e social, falou ao Diário Digital sobre o que a aquieta. A viver entre Londres e Istambul, revolta-se com o sexismo na Turquia, o machismo dominante. E também com a persistente negação do genocídio de milhões de arménios, que o Governo turco descreveu como sendo "simplesmente incidentes desagradáveis". O massacre entre 1914 e 1918 foi, inclusivamente, apagado dos programas escolares.
Para Elif Şafak, tal como o Irão negou o Holocausto, também o Governo turco encobre o genocídio, tentado fazer com que caia no esquecimento. E parece estar a consegui-lo. O povo já não fala do seu passado, da sua história; mas também, mesmo que quisesse, não seria capaz, foi como que obliterado. A autora revolta-se, apela à necessidade de redenção e, sobretudo, à imprescindibilidade de os turcos se solidarizarem com o povo arménio. "É urgente retomar o diálogo entre os turcos e os arménios", enfatiza.
Nascida em França, a sua mãe desistiu dos estudos depois de casar com um turco e irem viver para Estrasburgo. Separar-se-iam um ano depois. A mãe, com a escolaridade incompleta, regressou a uma Turquia sexista em que o papel das mulheres, ainda hoje, é ficarem em casa a tomar conta dos filhos. Felizmente, a avó de Elif, apesar de ter poucos estudos e acreditar em misticismo, fez questão que a filha frequentasse a faculdade e assumiu a tarefa de criar a pequena Elif. A autora transpõe esse direito à emancipação para a sua escrita. Recusa veemente que os seus textos sejam autobiográficos, mas como apartar-nos definitivamente das nossas próprias experiências? E aqui sou eu a questionar-me.
Em "A Bastarda de Istambul", o foco central é uma família, a Kazanci, toda ela constituída por mulheres; quatro gerações ao todo. Sobre os homens recai uma maldição, morrem todos por volta dos 40 anos. E porquê? Por nenhuma razão em particular, salienta, a não ser a de dar maior ênfase às mulheres. A escritora é conhecida por misturar tradições narrativas do Ocidente e do Oriente, por dar voz às minorias, às mulheres, aos imigrantes e às subculturas. E isto não podia estar mais assumido no livro que acaba de publicar em Portugal.
A narrativa começa com Asya Kazanci. Aos 19 anos, solteira, entra num consultório médico em Istambul para fazer um aborto. Por ter escrito sobre a interrupção da gravidez, Elif foi acusada de insultar a lei turca. Foi constituída arguida por um crime cuja sentença pode ir até três anos de prisão. Foi surreal, afirmou. O seu advogado "teve que ir a tribunal defender personagens fictícios". Acabaria por ser ilibada. Assume que abordar o aborto no seu livro é um manifesto. "O governo turco quis promulgar uma lei que abolisse o aborto, mas sem dar qualquer tipo de apoio às mulheres". A Turquia, a do passado e a dos dias de hoje, é um país onde "não se pode falar sobre incesto, violações, abusos sexuais nem violência doméstica". Elif Şafak critica duramente os políticos, observa que estão desfasados da realidade. "As mulheres ricas que queiram fazer um aborto viajam para o estrangeiro; as pobres recorrem a meios ilegais e sujeitam-se a morrer."
E será que se a Turquia tivesse conseguido aderir à União Europeia o panorama seria diferente? A escritora apoiou sempre a adesão como um ideal. "Há alguns anos até teria sido possível", sustenta. Mas o seu país falhou em cumprir os requisitos. E di-lo inabalavelmente. Mas também responsabiliza os políticos europeus. Responsabiliza-os por não terem percebido que seria uma mais-valia ter a Turquia no bloco comunitário. Mas, por ora, "o país terá que fazer um grande esforço, abraçar a democracia em pleno, rever a sua política em relação às minorias, à liberdade de expressão, aos direitos humanos". Desde o pedido da adesão da Turquia à UE, em Abril de 1987, a autora assistiu "a um enorme retrocesso", especialmente no que diz respeito à liberdade de expressão. "Todos os escritores na Turquia sabem que irão sofrer consequências se escreverem o que querem", sublinha.
Em "A Bastarda de Istambul", todos os capítulos falam sobre comida - os títulos são, inclusivamente, nomes de ingredientes (romã, damascos secos, amêndoas, cascas de laranja, pinhões, trigo, pistácios, avelãs torradas…), porquê? Elif Şafak, embora muito magra, gosta de comer (sim, os olhos brilham quando fala sobre comida, e sorri), mas não sabe cozinhar. O que não invalida que não leia livros sobre culinária. Aliás, diz-se muito eclética enquanto leitora; lê desde ensaios literários, livros sobre misticismo, neurociência, sobre todas as disciplinas que estou, e tem muitas referências - Milan Kundera é um deles. Mas, em "A Bastarda de Istambul", discorrer sobre comida assume-se como uma metáfora política. Todos os ingredientes mencionados "coexistem nas refeições" descritas e transformam-se em coisas belas. "Falar sobre comida equipara-se à partilha do pão e da água", é um momento solene. "A minha intenção aqui é igualar a comida como alimento para a alma."
Elif gosta de parar entre livros, de respirar. Actualmente a promover "A Bastarda de Istambul" - foi lançado na Turquia em 2007, publicou, entretanto, em 2014 no Reino Unido "The Architect's Apprentice", com a chancela da Penguin. Relativamente à obra que foi a sua estreia em Portugal, diz ter recebido várias ofertas para que fosse transposto para o cinema. Mas, tal como já foi mencionado, gosta de esperar. Talvez um dia, deixa em suspenso. Entretanto, o livro já foi adaptado para o teatro em Itália, e a peça deverá estrear este Verão.
 
(Fonte: Diário Digital)