quinta-feira, 18 de maio de 2023

Oeiras: Turquia representada na II.ª Edição da Mostra Gastronómica

A Câmara Municipal de Oeiras aprovou em reunião de Câmara atribuição do apoio financeiro para a realização da IIª Edição da Mostra Gastronómica.

 A mostra terá lugar no dia 27 de maio, no Largo 5 de Outubro, em Oeiras, entre as 10h00 e as 20h00. A iniciativa envolverá os 50 jovens voluntários europeus alojados na Casa Europa, no âmbito do Corpo Europeu de Solidariedade, e que conta com 13 nacionalidades, tais como, Alemanha, Itália, Grécia, Turquia, Noruega, Áustria, Países Baixos, França, Liechtenstein, República Checa, Espanha, Eslovénia e Luxemburgo. 

A IIª Edição da Mostra Gastronómica integra o conjunto de iniciativas realizadas no âmbito do Mês da juventude e consistirá numa mostra com iguarias típicas dos países de origem desses jovens voluntários europeus.

O evento é organizado pela associação juvenil ProAtlântico, uma organização associativa de solidariedade social, de âmbito nacional e internacional, e o apoio financeiro atribuído será no valor de € 2.500,00 (dois mil quinhentos euros).

 (Fonte: OeirasPT)

 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Carlos Sargedas vence prémio com série sobre Portugal em festival de cinema na Turquia


O fotógrafo, realizador e produtor Carlos Sargedas juntamente com o realizador do Nepal Jaswant Shrestha - vencedor de um Emmy no ano passado - foram os vencedores em Antalya na Turquia, do prémio "Best Travel Séries" com uma série de viagens, "On a Quest with Jaswant" que explora Portugal de lés a lés.

Na primeira temporada, a série leva os espetadores a visitarem Lisboa, Sesimbra, Parque Natural da Arrábida, Palmela, Setúbal, Azeitão, Alfarim, Lagoa da Albufeira e Cabo Espichel. Cada local revela a arte, cultura, história e desvenda aventuras ao ar livre exclusivas de cada região.

O Festival Internacional de Cinema de Turismo, na Turquia, é um evento que celebra os melhores filmes de viagens, turismo e culturais de todo o mundo. Com mais de 300 filmes de 35 países no programa, "On a Quest with Jaswant" sobressaiu entre os melhores. De todos os 350 filmes, apenas nove categorias foram premiadas.

Ao Jornal de Notícias, Carlos Sargedas manifestou "gratidão" pelo reconhecimento do júri do festival e partilhou que "graças a esta série iremos mostrar Portugal numa linguagem cinematográfica que irá passar em muitos canais de televisão e onde outros realizadores, produtores irão ver e descobrir Portugal". O realizador e produtor, natural de Sesimbra, e mentor do festival português "Finisterra" enalteceu ainda "a banda sonora do português premiado internacionalmente André Barros, que fez um extraordinário trabalho musical que nos envolve a cada programa".

Neste momento, a equipa de Sargedas está a fazer os "circuitos dos festivais", ou seja, a dar a conhecer o "produto" a fim de posteriormente conseguirem contratos com cadeias de televisão ou no streaming.

Para ter fôlego financeiro, Carlos Sargedas gostaria de "conseguir apoio do Turismo de Portugal para este trabalho" até porque se trata de uma plataforma "para divulgar Portugal na primeira pessoa".

Para já, apenas estão concluídos os seis primeiros episódios da primeira temporada.

(Fonte: JN)

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Sessão extra de "Todas As Coisas Maravilhosas" de Ivo Canelas com cariz solidário

Devido aos recentes acontecimentos trágicos da Turquia, Ivo Canelas abre sessão extra no dia 8 de abril às 19h30 com cariz solidário, da qual todas as receitas de bilheteira reverterão para a UNICEF, no âmbito da sua ação a decorrer na Turquia.

A digressão pelo país prolonga-se até setembro. Julho, agosto e setembro são os meses em que o monólogo Todas as Coisas Maravilhosas andará por Portugal.

“…durante uma hora e meia somos todos iluminados.”

Rui Zink, in Correio da Manhã

“Como a própria Elis disse numa canção: "Viver é melhor do que sonhar". E esta é a conclusão a que chegamos depois de hora e quinze de ação. Há mais coisas boas do que más por aí.”

Edson Athayde, in Jornal de Negócios

“É um hino à simplicidade de ser feliz. Um hino ao amor. Um hino à dura realidade que é viver. É, acima de tudo, um hino que nos faz renascer a esperança que o melhor ainda está para vir. Obrigado, Ivo Canelas, esta peça — Todas as Coisas Maravilhosas — foi uma das coisas maravilhosas que posso acrescentar à minha lista.”

João F. Ribeiro, in Público 

Todas as Coisas Maravilhosas

de Duncan Macmillan

O monólogo interpretado por Ivo Canelas e produzido pela H2N, está em cena no Estúdio Time Out em Lisboa de 3 de janeiro a 26 de março e no Convento São Francisco em Coimbra nos dias 4 e 5 de fevereiro, depois de três temporadas esgotadas com mais de 15.000 espectadores.

Um espetáculo em que Ivo Canelas, um dos actores mais carismáticos da sua geração em Portugal, convida o público a participar e recordar a importância de reconhecermos, e nos deslumbrarmos com as coisas que nos rodeiam, abordando, de forma emocionante, temas como a depressão, suicídio, a família e o amor. Nesta peça, que assume um carácter imersivo, uma criança vai escrevendo, à medida que cresce, uma lista de razões para viver, com o intuito de tentar ajudar a mãe a recuperar de uma depressão.

“É uma experiência incrível poder interpretar esta personagem e esta história que, desde logo, me captou a atenção. São sessões muito intensas, em que dei o meu máximo, mas em que recebi e testemunhei igualmente uma generosidade e empatia enormes do público”, afirma Ivo Canelas. “Estou ansioso por poder voltar a fazer este espetáculo e agora sem a obrigatoriedade de máscara! Só isso, é já uma coisa maravilhosa para acrescentar à lista”.

O monólogo foi escrito por Duncan Macmillan, estreado com enorme sucesso no Fringe Festival e levado à cena em diversos países. Em Portugal, Ivo Canelas foi distinguido com o Prémio Espectáculo Solo pelo Guia dos Teatros 2020 e Todas As Coisas Maravilhosas integrou a lista dos 30 Melhores Espetáculos de 2019 pela Comunidade Cultura e Arte.

A Saúde Mental é um tema que nos últimos tempos tem sido trazido para a discussão e debate público, como forma de sensibilizar para a sua importância, alertando para os cuidados necessários para a sua manutenção, identificar sintomas de perturbações mentais e diversas formas de pedir ajuda. É por tudo isto que esta peça nunca foi tão relevante como nos dias de hoje.

Texto: Duncan Macmillan

Encenação e Interpretação: Ivo Canelas

Adaptação: Ivo Canelas e Margarida Vale Gato

Produção Executiva: H2N / Hugo Nóbrega

Assistência de Encenação e Direção de Cena: Dora Bernardo

Co-Produção: Estúdio Time Out / Mariana Vilela

Desenho de Luz: Paulo Sabino

Som: Sebastião Santos e Tomás de Almeida

Comunicação: Joana Cortez-Pinto/ Raquel Lains (Let’s Start A Fire)

Parceiros: SOS VOZ AMIGA, RFM e JCDecaux

Duração: 110 min sem intervalo.

(Fonte: E-cultura)

sábado, 18 de março de 2023

Tarouca: Concerto solidário pelas vítimas dos sismos na Turquia


O Auditório Municipal Adácio Pestana, em Tarouca, vai acolher no próximo domingo (19 de março) um concerto solidário pelas vítimas dos terramotos de fevereiro na Turquia e na Síria.

O espetáculo pretende angariar fundos para a UNICEF e para os hospitais que acolhem e tratam as crianças vítimas dos sismos, incluindo muitas que ficaram órfãs após os trágicos acontecimentos.

(Fonte: C.M. Tarouca/Jornal do Centro)

Teatro Nacional de São Carlos: Concerto solidário pelas vítimas dos sismos na Turquia e Síria



O Teatro Nacional de São Carlos vai apresentar um concerto coral-sinfónico, no dia 31 de março, pelas 21h, cuja receita reverte para apoiar as famílias e crianças afetadas pelos sismos na Síria e na Turquia.

31 MAR 2023  |  21H00

Teatro Nacional de São Carlos 

Realiza-se no próximo dia 31 de março, no Teatro Nacional São Carlos (TNSC), um concerto interpretado pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos e pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, com obras de Vianna da Motta, Bruno Vicente e Tchaikovski, cuja receita será doada pelo OPART/TNSC para apoiar o trabalho da UNICEF na resposta à grave situação humanitária resultante dos trágicos sismos ocorridos no passado mês de fevereiro na Turquia e na Síria.

Os bilhetes estão disponíveis online até à hora do espetáculo, 21h, em https://tnsc.bol.pt/ e nas lojas FNAC, Worten, El Corte Inglès, Agência ABEP, CTT, Serveasy e Pagaqui, com valores compreendidos entre os 20€ e os 30€.

Esta iniciativa do OPART/TNSC, enquadrada no âmbito da sua política de responsabilidade social, surge no seguimento da récita solidária da ópera La Bohème, realizada há um ano a favor das vítimas da Guerra na Ucrânia, e associa-se novamente à UNICEF Portugal na angariação de fundos para apoiar a operação de ajuda humanitária atualmente em curso nas regiões mais afetadas pelos violentos terramotos ocorridos no passado mês de fevereiro na Turquia e na Síria. 

Segundo números da própria UNICEF Portugal, só na Turquia mais de 1,9 milhões de pessoas estão alojadas em abrigos temporários com acesso limitado a serviços básicos – entre elas 850 mil crianças e jovens - e cerca de 2,5 milhões de crianças no país precisam de assistência humanitária urgente. Já na Síria, acredita-se que mais de 500 mil pessoas tenham sido obrigadas a abandonar as suas casas devido aos terramotos. De recordar ainda que, devido a uma longa e dolorosa guerra civil, que completou ontem 12 anos, a Síria já registava cerca de 6,8 milhões de pessoas deslocadas, entre elas três milhões são crianças. Tendo este cenário em conta, serão mais de 3,7 milhões as crianças sírias afetadas pelos sismos. 

O programa do concerto é composto pela cantata Invocação aos Lusíadas (1915) de José Vianna da Motta, pela estreia absoluta de Harmony of the Spheres, do jovem compositor Bruno Vicente – vencedor da 2ª edição do Prémio Incentivo à Composição, promovido pelo OPART/TNSC – e, ainda, pela Sinfonia n.º 4 em Fá menor (1878) de Piotr I. Tchaikovski, paradigma do período de ouro do Romantismo russo. A direção musical é do maestro José Eduardo Gomes.  

Beatriz Imperatori, diretora executiva da UNICEF Portugal, salienta que "o cenário em algumas regiões da Síria e da Turquia é absolutamente crítico, com situações de urgência humanitária que envolvem milhares de desalojados e feridos, incluindo milhares de crianças, que são sempre as que mais sofrem nestes cenários de tragédia”, sublinhando “que só com o apoio de todos é que será possível fazer frente aos enormes desafios criados por um cenário com esta gravidade”.

Já Conceição Amaral, presidente do conselho de administração do OPART, realça que “nestes momentos de urgência humanitária e de forte ação solidária, as instituições culturais não podem esquecer o seu importante papel de sensibilização e de chamada de atenção para causas que merecem o esforço e a solidariedade de todos, algo que, mais uma vez, através de um espetáculo do Teatro Nacional de São Carlos, temos todo o gosto e prazer em contribuir para minimizar o sofrimento.”

Sobre a UNICEF Portugal

A UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo para chegar às crianças mais desfavorecidas. Presentes em 190 países e territórios, trabalhamos para todas as crianças, em qualquer parte, para construirmos um mundo melhor para todos. A UNICEF é a única organização da ONU que depende inteiramente de contribuições voluntárias, públicas e privadas. Para saber mais sobre a UNICEF e o seu trabalho para as crianças, visite: www.unicef.pt

(Fonte: E-Cultura)

Concerto solidário pelas vítimas dos sismos na Turquia e Síria





No próximo dia 30 de março, pelas 21h30, no Jerónimo Martins Grand Auditorium, a Nova SBE promove um concerto solidário com as atuações de Salvador Sobral, Luísa Sobral, Janeiro e Milhanas. 

Este concerto é uma iniciativa "Reumanizar o Mundo" das Conferências do Estoril cuja bilheteira irá reverter para apoiar a educação da população afetada pelos sismos da Turquia e da Síria.

Enquanto organização focada em impacto e sustentabilidade, a Nova SBE procura levar este impacto além fronteiras. Assim, acreditando que o contexto social, económico e cultural não deve nunca limitar potencial, a Nova SBE junta a comunidade para contribuir e mitigar os danos causados pelos sismos e garantir um acesso justo e humano à educação para as crianças.

Bilhetes à venda na Ticketline.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Terramoto na Turquia por Orhan Pamuk

Em 1999, depois do terramoto de Marmara, que matou mais de 17.000 pessoas, Orhan Pamuk esteve em Yalova, uma das cidades devastadas por esse desastre. Agora, depois de um novo e mais violento sismo na Turquia, o escritor conta a realidade das primeiras horas através dos vídeos que chegam do terreno

TEXTO de ORHAN PAMUK 

A menina de olhos tristes deve ter cerca de 10 ou 12 anos. Mal se mexe enquanto olha para a câmara do telemóvel. Sempre que se move, os seus gestos são lentos e débeis. O homem que está a filmar vê-a e grita entusiasmado e espantado.

“Está alguém aqui! Está alguém aqui!”

Mas não há ninguém ao seu redor, apenas uma luz pesada e o silêncio da neve a cair. Estão algures no sudeste da Turquia, uma região que acaba de ser devastada por dois terramotos de magnitude 7,8 e 7,5.

O homem aproxima-se da rapariga cujo corpo está preso, do peito para baixo, sob um prédio desmoronado. É evidente que eles não se conhecem.

“Tens sede?”, pergunta o homem.

“Estou com frio”, responde a menina. “O meu irmão também está aqui.”

“Consegues-te mexer?”

“Não”, responde sem forças. Mesmo com uma voz enfraquecida, conseguiu finalmente fazer-se ouvir. Mas não há esperança nos seus olhos. Passou meio dia desde que o primeiro terramoto atingiu o país às 4 da manhã. Em breve será noite outra vez.

“Consegues mexer as pernas?”

“É muito difícil”, diz a menina com uma voz fraca, que é difícil de entender. Há uma nova expressão no seu rosto agora, como se estivesse a esconder alguma coisa ou como se estivesse envergonhada por alguma falha pessoal.

A neve que tem caído intermitentemente durante a noite e de manhã desenha lentamente um manto sobre a agonia do terramoto, sobre os mortos e os moribundos, sobre as ruínas de casas com dois ou três andares e prédios com 15 ou 16 andares que desmoronaram em apenas alguns segundos durante a noite.

Podemos sentir que o homem que filma no seu telemóvel não sabe bem o que fazer. Sozinho não consegue libertar a menina daquela pilha de betão retorcido e terrivelmente pesado. Ambos ficam quietos.

Os olhos da menina começam a ficar vidrados; a exaustão e a dor são visíveis no seu rosto.

“Fica aqui. Vou buscar ajuda. Vamos tirar-te daí.”

Mas o homem parece indeciso. Este bairro, nivelado pelo sismo, fica provavelmente longe do centro da cidade. Com as ruas e pontes destruídas, a ajuda ainda não chegou. É pouco provável que chegue em breve.

Alguns dos que aqui vivem, que podem ter conseguido sair vivos das suas casas em ruínas para a noite escura e cheia de neve, devem ter ido para outro lugar para se abrigarem do frio. Mas é possível que, além da menina e do seu irmão, mais ninguém da sua família tenha sobrevivido e por isso não há ninguém à sua procura.

“Não vá!”, diz por fim a criança presa.

“Tenho de ir, mas eu volto!”, responde o homem. “Não me vou esquecer de vocês‌. Vou buscar ajuda.”

Podemos ver que a menina, que passou mais de meio dia presa aqui sozinha, já se está a preparar para morrer e não tem mais forças para lutar.

Mesmo assim, repete: “Não vá!”, com uma voz tão fraca como um sussurro.

“Vou buscar ajuda!”, diz o homem, e embora fale mais alto desta vez, é difícil acreditar nele.

É aqui que acaba a gravação do telemóvel. Não sabemos se ‌conseguiu ir buscar ajuda. A sua é uma das centenas de súplicas desesperadas e relatos na primeira pessoa a que assisti naquele primeiro dia, nas horas que estive colado ao ecrã. Como muitos outros, o homem que filmou a menina presa publicou o vídeo no Twitter, diretamente e sem comentários.

Tenho estado à espera de outro vídeo que mostre a menina presa a ser resgatada, mas não chega.

Encontrar ajuda não é tão fácil como o homem com o telemóvel pode ter pensado. De acordo com os números divulgados pelo governo, aproximadamente 7000 edifícios naquela área foram danificados ou destruídos. O terramoto atingiu também a Síria. Assim como o número real de vítimas é provavelmente muito maior do que o que está a ser noticiado (os números mais recentes dizem que o número de mortes é agora mais de 20.000), é provável que o número real de edifícios colapsados também seja muito maior. Com as estradas fechadas e os telemóveis a não funcionarem corretamente por causa de cortes de energia e redes congestionadas, há pouca informação sobre o que está a acontecer nas pequenas cidades de província. No Twitter e nas redes sociais vemos publicações que sugerem que algumas aldeias ficaram totalmente destruídas. Mas será verdade?

O sentimento de abandono e desespero sentido por todo o país é tão angustiante quanto o próprio terramoto

Este é o maior terramoto a atingir a Turquia em mais de 80 anos. É o quarto grande terramoto por que já passei, ao perto ou ao longe, desde criança. Depois do terramoto de Marmara de 1999, que matou mais de 17.000 pessoas, fui a Yalova, uma das cidades devastadas por esse desastre. Vagueei durante horas por entre as ruínas de betão, carregado com um sentimento de culpa e responsabilidade e pensando que poderia pelo menos ajudar a limpar alguns dos escombros, apenas para ter voltado para casa sem ter conseguido ajudar ninguém. A visão impressionante daquele dia ficou comigo, bem como a frustração e tristeza que quero esquecer, mas nunca consegui.

Agora, essas imagens estão a ser substituídas por imagens novas que, no entanto, são muito familiares. O sentimento de impotência é esmagador.

Com os aeroportos destruídos e as estradas intransitáveis, até mesmo os maiores grupos de comunicação social demoraram meio dia a conseguir chegar a várias grandes cidades que o terramoto transformou em verdadeiros infernos. Meio dia após o desastre chegaram às ruas fustigadas pela neve, chuva e vento para encontrar milhões de pessoas que esperam ansiosamente por ajuda. De acordo com os números divulgados pelo governo turco, 13,5 milhões de pessoas na região foram afetadas pelo sismo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o número de pessoas afetadas na Turquia e na Síria pode chegar aos 23 milhões.

O desastre atingiu dimensões verdadeiramente apocalípticas quando um novo terramoto de magnitude 7,5 atingiu a zona afetada, nove horas após o primeiro terramoto de magnitude 7,8 se ter feito sentir a meio da noite. Este segundo terramoto, cujo epicentro ocorreu a cerca de 60 quilómetros do primeiro, forçou milhões de pessoas, que devido às réplicas do primeiro terramoto tinham vindo para a rua, a testemunhar cenas de verdadeiro horror. Multidões vagueavam pelas ruas peneirando com as mãos nuas, tijolo a tijolo, ruínas de prédios de 16 andares reduzidos a escombros em busca de ajuda ou comida, ou procurando um local quente e protegido para se abrigarem. Começam agora a filmar a destruição com os seus telemóveis, gritando “Oh, meu Deus, Oh, meu Deus”, à medida que, em poucos segundos, edifícios atrás de edifícios se desmoronam como castelos de cartas, deixando apenas nuvens de poeira.

Muitas pessoas publicaram essas imagens de horror grotesco nas redes sociais sem um comentário, uma legenda ou até mesmo algumas palavras a acompanhar. Ao fazê-lo, estão a enviar duas mensagens. A primeiro é a que se manifesta no seu choque: a escala impressionante e surpreendente da catástrofe. A segunda é o sentimento de abandono e desespero sentido por todo o país e que é tão angustiante quanto o próprio terramoto.

Essas cenas apocalípticas trouxeram ao de cima um espírito comovente de solidariedade e assistência mútua e reacenderam o instinto das pessoas de partilhar, testemunhar, deixar uma marca e fazer ouvir as suas vozes. No centro cheio de escombros de todas as grandes cidades, qualquer pessoa ao alcance do microfone de um jornalista parece gritar: “Filme aqui, filme aqui, precisamos de ajuda, precisamos de comida, onde está o governo, onde estão as equipas de resgate?”

A ajuda foi enviada, mas os camiões carregados com material ficam presos durante horas em estradas congestionadas a centenas de quilómetros das áreas afetadas. Quem perdeu a sua casa, família, entes queridos e tudo o que tem, descobre agora que não há ninguém a combater os incêndios que começam a deflagrar nas cidades. E assim bloqueiam a passagem a qualquer veículo oficial, agente da polícia ou funcionário do governo que encontram e começam a protestar. Nunca vi o nosso povo tão zangado.

À medida que o segundo dia se transforma em noite, os ruídos vindos das pilhas de entulho e betão ficam mais fracos e as pessoas nas ruas começam a habituar-se ao horror. Frente a carrinhas que distribuem pão e comida começam a juntar-se multidões. Mas a raiva, a mágoa e o sentimento de desespero de terem sido apanhados desprevenidos permanecem inabaláveis.

No dia seguinte, descubro, através de publicações das redes sociais, que há médicos a viajar para longe por conta própria para ajudar nalgumas das grandes cidades destruídas por este sismo, mas parece não haver autoridade, ninguém está a coordenar e a direcionar esta ajuda para onde é necessária. Para choque e consternação das pessoas, até mesmo alguns hospitais públicos entraram em colapso.

Dois dias mais tarde, começou a chegar alguma ajuda aos centros das principais cidades. Mas para muitos, foi muito pouco e demasiado tarde.

(Fonte: Expresso - Artigo publicado originalmente no “The New York Times” e escrito nos primeiros dias após o sismo que atingiu a Turquia e a Síria, a 6 de fevereiro)

sábado, 31 de dezembro de 2022

"Os Livros que Devoraram o meu Pai", de Afonso Cruz, com tradução turca


A obra "Os Livros que Devoraram o meu Pai", de Afonso Cruz, encontra-se traduzida para turco.

"Passos questionadores tecidos de sonhos no caminho literário de Dostoiévski a Lao Tzu, de Bradbury a Chuang Tzu... Uma leitura obrigatória." - Şeref Atak, autor vencedor do prêmio FABİSAD GİO 2022 Novel Achievement, Efsun Street 137.