Moonspell em Istambul



Os Moonspell regressam a Istambul para o Bosphorus Open Air Metal Fest 2026.

A banda, liderada por Fernando Ribeiro, revelou que este concerto em Istambul será focado no seu novo álbum de estúdio, Far From God.

O evento celebra a sua 5.ª edição, e reúne um total de 18 bandas internacionais e locais, nos dias 19 e 20 de setembro, no Maximum UNIQ Açıkhava. 

O cartaz conta também com nomes consagrados como Satyricon, Kataklysm e I Am Morbid. 

O vocalista, Fernando Ribeiro, participará no evento "Career Talks", no dia 18 de setembro, inserido na Bosphorus Music Conference 2026.  A conferência terá lugar no auditório da Universidade Nişantaşı, onde o músico abordará o seu percurso artístico, e apresentará o seu novo livro de poesia, "Purgatorial", que será publicado em breve no mercado turco. 

O concerto e a conferência contam com o apoio oficial da Embaixada de Portugal na Turquia e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.

Bailarina e Coreógrafa Carolina Batalha em Ancara


A bailarina e coreógrafa portuguesa Carolina Batalha representou Portugal no 9.º Festival Internacional de Dança Contemporânea "Solo Dance", realizado nos dias 29 e 30 de agosto em Ancara.

A artista apresentou no espaço cultural CerModern a sua peça a solo intitulada "The Girl Who Wore Skirts on Windy Days" ("A Rapariga que Usava Saias nos Dias de Vento"). A obra — que retrata de forma íntima e visualmente marcante uma mulher suspensa entre a inocência, a loucura e a metamorfose — tem conquistado palcos nacionais e internacionais.

A participação contou com o apoio oficial do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e da Embaixada de Portugal em Ancara, integrando o programa cultural que celebra o centenário das relações diplomáticas entre Portugal e a Turquia. 

Nascida em Lisboa, Carolina Batalha acumula experiência em dança neoclássica, dança contemporânea e street dance. É licenciada em Dança pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa. Frequentou a Akademia Wychowania Fizycznego em Poznań (Polónia) e ingressou no Mestrado em Ensino de Dança na Escola Superior de Dança de Lisboa (ESD).  Foi voluntária na Cruz Vermelha Portuguesa, onde ensinou dança criativa a jovens refugiados afegãos. Esta experiência resultou na publicação de um artigo científico em coautoria com a Prof.ª Dora Carolo na revista Scientific Research. Foi distinguida com uma Bolsa de Residência Artística nos prestigiados Estúdios Víctor Córdon (2024–2025), espaço onde desenvolveu e concebeu o solo "The Girl Who Wore Skirts on Windy Days". A obra — que retrata de forma íntima e visualmente marcante uma mulher suspensa entre a inocência, a loucura e a metamorfose — tem conquistado palcos nacionais e internacionais. Além deste projeto, Carolina também se destacou noutros palcos internacionais, como no Cora Dance Festival (Itália, 2024), atuando como intérprete-coreógrafa, e na orientação de masterclasses no INNERCORE Festival. 

Kokini: Restaurante turco em Cascais


O Kokini, em Cascais, foi pensado para reproduzir o ambiente descontraído de uma casa turca, com comida para partilhar. Quem lá chega é sempre recebido com água de colónia para lavar as mãos, uma tradição comum na Turquia.

O restaurante abriu em 2025, junto do parque do Largo Maestro Taborda, em Cascais, com o objetivo de apresentar aos clientes uma cozinha turca de inspiração caseira e, ao mesmo tempo, aproximá-los da cultura da Turquia. 

O projeto foi criado por Turgay Gülay, natural de Istambul, que se mudou para Portugal depois de uma carreira ligada ao cinema, onde trabalhou como realizador e guionista, e nasceu da vontade de recriar a experiência das refeições partilhadas que fazem parte do quotidiano turco.

O próprio nome do restaurante está ligado à família do fundador. Kokini era a alcunha da mãe de Gülay, que praticava lançamento do disco, e é também o nome de uma flor de inverno. A identidade do espaço foi desenvolvida em família: a arquitetura ficou a cargo de Elif Deniz Gülay, filha do proprietário.

No interior, a decoração segue uma linha minimalista, com mobiliário simples e fotografias a preto e branco de Istambul nas paredes. O resultado é um espaço de ambiente intimista, pensado para refeições demoradas e para a partilha de vários pratos. A experiência pode ainda ser acompanhada por música, partidas de gamão, café turco ou rakı, uma bebida tradicional.

A cozinha também é marcada pela diversidade gastronómica do país. A carta reúne receitas e influências de diferentes regiões, entre referências otomanas, anatólias, do Egeu e do Levante. A proposta passa sobretudo por pratos para dividir, com uma seleção de mezzes frios e quentes, sopas, carnes e receitas de confeção lenta.

Entre as entradas encontram-se a sopa de lentilhas, o mezze frio, as folhas de videira recheadas (ou dolma), as almôndegas de lentilhas, e muito mais. Nos pratos principais, uma das sugestões é o frango com castanhas.

Há também cordeiro no forno, almôndegas Köfte, os tradicionais Mantı e o Kavurma, um guisado de carne típico da cozinha turca. Para quem quiser provar várias receitas numa só refeição, existe ainda um prato de degustação.

A carta inclui opções mais leves, como a salada verde, a salada de queijo feta, a de atum e a de salmão. Para terminar, a oferta de sobremesas inclui clássicos turcos como o baklava.

(Fonte: NIT)

Listambul: Gastronomia turca em Lisboa


O restaurante, que fica num edifício histórico no Campo de Santa Clara, foi aberto por um casal turco que se apaixonou por Lisboa.

“Sentia-me feliz em Portugal e consegui imaginar-me a viver aqui e a ter um negócio”. É assim que Celine Serter explica à NiT a decisão de vir morar para o nosso País, em 2022. Na bagagem trouxe a experiência em cozinhas internacionais e a vontade de ter um espaço onde pudesse servir os pratos que estão ligados às suas raízes turcas. Foi assim que, em 2023, abriu o Listambul em Lisboa. 

A história, porém começa bem longe da capital portuguesa. Celine, de 26 anos, nasceu nos Estados Unidos, mas tem raízes turcas. Estudou culinária, passou por cozinhas em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde teve as primeiras experiências em fine dining. Pelo meio, também estudou na Turquia e nos Estados Unidos. “Sempre soube que queria trabalhar na área da cozinha”.

Foi em 2020, em plena pandemia, que tudo mudou. “O mundo estava fechado e eu não consegui concluir a minha formação numa escola de culinária nos Estados Unidos. Voltei para Istambul e foi aí que conheci o Ege, a trabalhar numa cozinha de um restaurante”. O companheiro, hoje com 30 anos, partilhava a mesma inquietação. “Percebemos que ele não queria ficar na Turquia e eu não queria ficar nos Estados Unidos. Queríamos viver na Europa”. 

A decisão foi rápida, mas não impulsiva. Celine já conhecia Portugal. “Apaixonei-me pelo País. Vi muito potencial aqui, sobretudo para introduzir a cozinha turca, porque há três ou quatro anos não havia muita oferta.” O passo seguinte foi desafiar Ege Vural que estudou cozinha também na Turquia e na Polónia, em Varsóvia. “Perguntei-lhe se queria embarcar neste projeto comigo. Foi muito excitante.”

Mudaram-se em 2022 e demoraram cerca de um ano a preparar tudo. O Listambul abriu no verão de 2023 e desde então tem vindo a crescer. Mais do que um restaurante, o conceito passa por mostrar uma cozinha turca autêntica, mas com um toque contemporâneo. “Queremos provar que a gastronomia turca não é só carne ou kebabs. Temos muitos pratos vegetarianos e de marisco e Portugal tem produtos incríveis nessas áreas”.

Ao mesmo tempo, houve um cuidado em adaptar o menu. “A comida turca é mais condimentada e picante. Tentamos amenizar isso e aproximar-nos de um gosto mais mediterrânico, mais equilibrado. O objetivo é introduzir a nossa cozinha, mas fazer com que as pessoas se identifiquem”. 

Essa ligação também se fez fora do prato. “Lisboa fez-me lembrar Istambul. A cultura de proximidade, a importância da comida e da bebida, o convívio, tudo isso existe aqui. Mas senti que Lisboa era até mais pura e autêntica”, diz Celine. Outro fator decisivo foi o acolhimento. “Nunca me senti como uma estrangeira. As pessoas são muito calorosas, como na Turquia”.

Hoje, essa aposta parece estar a resultar. “As pessoas gostam muito. Temos muitos clientes regulares, alguns nem conheciam a gastronomia turca e agora voltam várias vezes”. O espaço também ajuda: o restaurante está num edifício histórico de 1783, reconstruído após o terramoto de Lisboa. “As pessoas gostam da experiência de estar num sítio com história, rodeado de obras de arte, e ao mesmo tempo provar algo diferente.” 

O Listambul fica localizado perto da Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara.  

O menu mistura tradição com criatividade e tem opções para partilhar, pratos principais e sobremesas. Nas entradas frias, há propostas como o hummus com mexilhões ou com cogumelos, servidos com pão pita, e o mezze trio, que junta três especialidades do dia. Também se destaca o labneh caseiro com beterraba, tâmaras e pistáchios ou o dolma, beringela recheada com arroz aromatizado.

Nos pratos quentes, uma das opções mais pedidas é o Yaglama, com pão lavash, carne picada e molho de tomate, ou o Icli Kofte, uma versão de bulgur recheado com carne e servido com molho e iogurte. Há ainda o polvo, com puré de batata-doce roxa e azeitona, e as ribs (costeletas) com beringela. Para quem prefere opções mais leves, a couve-flor assada com tahini e sementes de romã é uma das alternativas vegetarianas.

Entre as bebidas, há uma que se tornou assinatura da casa: a limonada de citrinos. Na carta há também cocktails como o Turkish Coffee Martini ou o clássico Aperol Spritz, além de vinhos portugueses.

Nas sobremesas, destacam-se o milk helva, um creme de leite queimado com abóbora e frutos secos, e o baklava cheesecake, uma fusão entre o doce tradicional turco e o clássico cheesecake.

Para Celine, o mais importante é o que fica depois da refeição. “Não é só a comida. É a experiência completa”. E isso vê-se na forma como os clientes regressam. “É muito bom sentir que as pessoas gostam e voltam. Mostra que estamos no caminho certo”.

O futuro já está a ser pensado. A ideia passa por explorar outra vertente da cultura turca. “Gostávamos de abrir um conceito de street food. Mostrar que também temos os nossos ‘pregos’ e ‘bifanas’, aquilo que se come no dia a dia nas ruas de Istambul.” Para já, o foco continua no restaurante que criaram juntos. Um projeto que nasceu de uma decisão em em plena pandemia, atravessou países e culturas e acabou por encontrar em Lisboa o sítio certo para crescer.

(Fonte: NIT)

Filme "Amor Português" ("Portekiz Aşkı") junta Diogo Morgado e Cansu Dere em Portugal


O filme "Amor Português" (Portekiz Aşkı), realizado por İsmail Şahin, é protagonizado pela atriz turca Cansu Dere e pelo ator português Diogo Morgado e foi gravado em várias localizações portuguesas. 

Conta ainda com a participação de mais alguns atores portugueses, entre eles, Inês Herédia, Marta Faial e Rodrigo Soares. 

Série turca "Beleza Interior" ("Senden Daha Güzel) prestes a estrear na SIC Caras

As novelas turcas têm uma presença cada vez maior na grelha da televisão portuguesa. Uma das responsáveis é a SIC que tem vindo a transmitir diferentes produções. A 29 de novembro, estreia-se mais um projeto inédito em Portugal: “Beleza Interior”.

Ao contrário de outras novelas e séries do género, a obra vai ser disponibilizada na língua original, ou seja, não será dobrada em espanhol ou em português. O primeiro capítulo vai ser exibido na SIC Caras às 17h45.

Transmitida originalmente em 2022, a história acompanha Efsun Armağan, uma jovem dermatologista que vive numa aldeia de Gaziantep com o pai e que, ao descobrir que a mãe — de quem está afastada desde miúda — está internada em Istambul, decide viajar até à cidade. Lá percebe que a progenitora, Pervin Soylu, se tornou uma famosa cirurgiã plástica e que pretende que Efsun assuma a direção da sua prestigiada clínica estética durante a sua ausência, mesmo contra a vontade da filha. 

Ao aceitar, após dias de pressão, vê-se subitamente lançada num mundo completamente diferente: uma clínica moderna, competitiva, cheia de intrigas internas e profissionais egocêntricos. É neste contexto que conhece Emir Demirhan, um dos cirurgiões mais talentosos e populares do local, que inicialmente a encara como uma ameaça e não como colega. A relação entre ambos evolui do conflito para a atração, tal como acontece sempre nas novelas turcas.

A série tem apenas 14 episódios, visto que foi pensada para ser uma “dizi de verão”, nome dado às produções mais curtas e experimentais. Também foi disponibilizada online, onde os episódios acumulavam milhões de visualizações pouco após a estreia.

O elenco conta com atores como Cemre Baysel, Burak Çelik, Berat Yenilmez, Cihan Ercan, Tugçe Kumral e Anil Çelik. Na SIC Caras, os episódios vão ser exibidos diariamente pelas 17 horas.

(Fonte: NIT)

Série turca "Fruto Proibido" ("Yasak Elma") estreou no AXN White


Antes da grande estreia de “Sandokan: The Pirate Prince” com Can Yaman, em outubro no Tribeca Festival Lisboa e, em dezembro, no AXN, chega mais uma série original turca ao Canal português. 

Dia 6 de outubro estreou no AXN White a série “Yasak Elma”, que em português se traduz para “O Fruto Proibido”.

Nos últimos anos, as produções turcas conquistaram o público português com histórias intensas e emocionais, que cruzam temas universais como o amor, a traição e a ambição. O AXN White tem acompanhado esta tendência, apostando em títulos que aliam drama e qualidade de produção. Depois do sucesso de outras estreias internacionais, o canal traz agora “O Fruto Proibido”, uma das séries mais populares da Turquia

Produzida em 2018 pela Med Yapım e com realização de Neslihan Yeşilyurt, a série combina drama e romance. 

A narrativa desta série centra-se em duas irmãs, com ideias muito diferentes e vidas que divergem radicalmente. Zeynep procura uma vida simples, sustentada por princípios éticos e valores morais fortes. Assim, Yildiz ambiciona riqueza e uma vida de luxo, procurando casar-se com um homem rico.

No entanto, a história das duas irmãs muda quando Yildiz conhece a poderosa Ender Argun. A partir daí, começa uma jornada de ambição, intrigas e segredos, com reviravoltas que mudam o destino destas irmãs.

O elenco principal de “O Fruto Proibido” inclui nomes bem conhecidos da ficção turca. Eda Ece, que dá vida a Yildiz, tornou-se popular em séries como “Pis Yedili” e “İlişki Durumu: Karışık”. Sevda Erginci (Zeynep) destacou-se em “Karagül” e “Sevgili Geçmiş”. Onur Tuna, Talat Bulut e Şevval Sam também fazem parte do elenco da série.

A série estreou em 2018 na Turquia e foi um enorme sucesso. A prova disso são as cinco temporadas que sucederam a primeira. Cada temporada tem mais de trinta episódios, exceptuando a primeira, que contou com doze episódios.

A chegada de “O Fruto Proibido” reforça a aposta do AXN em séries turcas, que têm tido uma boa aceitação entre o público português, sobretudo quando incluem histórias de família, poder, segredos e ambições.

De segunda a sexta, no canal AXN White, cerca das 21h25.

(Fonte: Magazine HD)

Série turca “Em Todo o Lado, Tu” ("Her Yerde Sen") chega à televisão portuguesa


Drama, cenas românticas e momentos escaldantes. “Em Todo o Lado, Tu” reúne tudo aquilo que os fãs de novelas turcas procuram e, segundo o “The Guardian”, é mesmo um dos melhores romances do século. A produção, que estreou em 2019, chega agora à televisão portuguesa pela STAR Life, a 8 de setembro, às 21h35.

Os 23 episódios, realizados por Ender Mıhlar, são livremente inspirados na série taiwanesa “Just You”, também ela um sucesso. Desta vez, a história é protagonizada por Furkan Andic e Aybüke Pusat.

“Em Todo o Lado, Tu” acompanha Selin, uma jovem ambiciosa à procura de uma casa para conquistar a sua independência. Já Demir é um empresário que regressa a Istambul após um ano no estrangeiro, decidido a viver na casa onde cresceu.

O problema surge quando ambos compram a mesma propriedade e percebem que cada um detém metade do edifício. Em vez de desistirem, acabam por partilhar o espaço e passam a viver juntos sob o mesmo teto.

O enredo complica-se quando Selin descobre que Demir é também o seu novo chefe. De inimigos assumidos, os dois acabam por se aproximar, surpreendendo todos à sua volta.

O elenco conta ainda com Ali Yağcı, Aslıhan Malbora, Ali Gözüşirin, Deniz Işın, Eylül Su Sapan, Ali Barkın, Cem Cücenoğlu, Fatih Özkan, Ayfer Tokatlı, Aziz Caner İnan, Ayşe Tunaboylu e Binnur Şerbetçioğlu.

No IMDb, a série soma 7,1 estrelas em 10. Entre comentários na plataforma, no Reddit e no X (antigo Twitter), muitos fãs classificam-na como “uma das melhores novelas turcas de sempre”. Em Portugal, os episódios serão transmitidos diariamente às 21h35.

(Fonte: NIT)


Rumi: Sabores da Turquia (e da Palestina) em Lisboa


Hind e Ersin Kurhan, um casal que há três anos fez de Lisboa a sua casa, abriu o restaurante Rumi em Setembro do ano passado, onde especialidades das cozinhas palestiniana e turca convivem numa mesma extensa carta. 

"A Hind e eu conhecemo-nos há quase oito anos em Istambul. Ficámos noivos, casámos, fomos para os Estados Unidos, depois para Toronto, mas aquele não era o nosso lugar, era demasiado frio. Os nossos filhos nasceram e foi aí que decidimos voltar para esta parte do globo", começa por explicar Ersin. Ele é curdo, com raízes na Anatólia Oriental. Hind, por sua vez, nasceu e cresceu em Gaza. "Apaixonámo-nos e decidimos que queríamos ter uma vida juntos. A certa altura, tentámos perceber para onde é que podíamos ir. Um sítio onde não fossemos definidos pela nossa diferença, onde fossemos aceites e nos sentíssemos confortáveis. Os Estados Unidos, decididamente, não eram esse sítio", detalha Hind Kurhan. Para o marido, abrir o próprio restaurante era um sonho e, assim que pisaram em Lisboa, sentiram-se mais perto de concretizá-lo. "Achámos que era o sítio perfeito. Primeiro, porque não existem assim tantos restaurantes turcos que representem bem esta cozinha. Claro que abrir um restaurante é abrir um negócio, mas para nós também é uma forma de nos agarrarmos a algo realmente importante e que é também a nossa casa, da qual estamos separados de uma forma que foge ao nosso controlo. O Rumi é isto", remata a proprietária.

Sobre a mesa, acumulam-se os pequenos pratos. É o mezze – batalhão de entradas servidas nas cozinhas grega, turca e do Médio Oriente – no seu melhor. Não faltam clássicos como húmus, aqui enriquecido com pinhões torrados (8,50€), o labne (3,50€) ou a própria moussaka, aqui em versão vegana, com cogumelos (12€). O mezze representa praticamente metade do menu e está dividido em frios e quentes. No primeiro capítulo, encontramos o girit ezmesi (8,50€), pasta de feta ou beyaz peynir com pesto de pistáchio. No segundo separador, a intensidade dos sabores sobe de tom – o ali nazik (16€), um puré de beringela fumada, iogurte e alho, ou os rolinhos de musakhan (13€), rolos de massa filo, levemente fritos, com recheio de frango desfiado, cebola caramelizada, pinhões e sumac. 

Para Ersin, é impossível ouvir Adana kebab (17€) sem pensar na Turquia. O prato chega à mesa – uma espetada de carne de borrego e vaca, servido com cebola e pimentos assados. Mais do que uma refeição, está ligado a um ritual de convívio demorado à volta de um grelhador, o ocakbaşı. "Na Turquia, o ocakbaşı está no meio dos restaurantes e é onde se grelha tudo – pimentos, beringelas, cebolas. E enquanto esperam pela comida as pessoas estão ali a conversar, a beber raki (que também se serve aqui, a par com uma lista generosa de vinhos naturais portugueses e cocktails). Dá para ficar um dia inteiro assim", conta.

A ementa tem outras estrelas – umas vêm directamente da grelha, outras são conhecidas como os dumplings turcos, embora o nome oficial seja manti (15€-17€). Há dolma feito com cebola (14€), que é assada no forno e recheada com arroz e carne, e uma versão vegana de sarma (10€), outra iguaria turca feita de folhas de videira, recheadas com arroz, ervas, passas e especiarias. "O que acho mais interessante no nosso menu é o facto de sermos autênticos na forma como fazemos os pratos. O húmus, por exemplo. Tive uma pega com o chef porque queria que o húmus fosse como a minha avó fazia. E o kebab que fazemos, fazemos como os kebabs que crescemos a comer", realça Hind.

O espaço reúne elementos de ambas as heranças culturais. Na segunda sala – a que conduz à fresca esplanada montada nas traseiras, encontramos uma representação da dança rodopiante feita pelos dervixes, criada por Jalaluddin Muhammad Rumi, o poeta do século XIII que inspirou também o nome do restaurante. Da própria casa, o casal trouxe peças e artefactos que apontam o caminho que está para trás. São sobretudo quadros e candeeiros, peças de família que fazem com que aqui, tanto eles como outros conterrâneos se sintam em casa. Embora os almoços tragam clientes ao Rumi, a hora de ponta tem sido mesmo o jantar. Com receitas de família e chefs trazidos da Turquia, o Rumi evoca as raízes, mas também a nova vida dos Kurhan. Ambos admitem que ver a satisfação de clientes portugueses tem um gosto especial.

Rua da Boavista, 122 (Cais do Sodré). 96 314 8016. Seg-Dom 12.00-00.00

(Fonte: Time Out)



Novela turca "Amor Eterno" ("Kardeşlerim") estreia na SIC em maio


“Amor Eterno” acompanha a história comovente de quatro irmãos — Kadir, Ömer, Asiye e Emel — que ficam órfãos após perderem os pais em circunstâncias trágicas. Unidos pela dor mas também por um amor incondicional, os irmãos lutam para sobreviver e manter-se juntos num mundo marcado por desigualdade, traições e segredos obscuros.

Com 443 episódios divididos por quatro temporadas, este original turco estreia ainda este mês na SIC.

(Fonte: A Televisão)

"Istambul e Lisboa - Almas Gémeas". Obra do pintor turco Devrim Erbil no Museu de Lisboa


A partir desta quinta-feira, a exposição permanente do Museu de Lisboa passa a contar com a pintura contemporânea "Istambul e Lisboa - Almas Gémeas", do pintor turco Devrim Erbil.

Esta é uma obra que interliga as duas cidades, revelando símbolos e formas que as caracterizam, em tons de vermelho e verde, aproximando assim duas cidades que podem representar as duas extremidades de uma Europa histórica, no tempo e no espaço.

O Museu de Lisboa situado no Palácio Pimenta, que mapeia a evolução da cidade desde o seu nascimento até ao século XX, passa a contar com uma obra contemporânea que surpreende o visitante, ao aproximar a capital portuguesa da cidade turca.

Fruto de uma parceria entre o Museu de Lisboa, a Embaixada da Turquia e a Museus e Monumentos de Portugal, a exposição desta obra é, também, um modo de celebrar as relações diplomáticas dos dois países, estabelecidas em 1843.

(Fonte: RTP Notícias)


Escritora turca Ayşenur Tanriverdi em residência literária na Casa Vergílio Ferreira-Para Sempre

A escritora turca Ayşenur Tanriverdi, que realizou uma residência literária na Casa Vergílio Ferreira-Para Sempre, publicou um texto sobre a sua experiência em Melo no jornal turco Cumhuriyet Gazetesi.

Ayşenur Tanriverdi considera que a Casa de Vergílio Ferreira não pode ser dissociada da sua conexão com as portas abertas para a rua, com os residentes locais de Melo ou com a beleza onírica da Serra da Estrela.

“Contudo, a maior força da casa reside na sua acessibilidade e na sua abertura, tal como se apresenta actualmente. Ao proporcionar um espaço criativo multidisciplinar que inclui pintura, escultura, música, teatro, cinema, literatura e muito mais, este projecto de ‘turismo literário’ não apenas redefine o conceito de turismo, mas também se estabelece como um guia para desbloquear o ilimitado potencial de energia criativa”, escreve.

Ayşenur Tanriverdin e Gonçalo M. Tavares foram os primeiros autores residentes na Casa Vergílio Ferreira- Para Sempre. Os escritores estiveram na aldeia literária entre os dias 6 e 8 de Dezembro.

(Fonte: Correio da Beira Serra)

Série turca "Kıralık Aşk" na SIC Mulher

A série turca "Love For Rent" ("Kıralık Aşk") vai estrear na SIC Mulher no dia 16 de novembro às 18h50, e será exibida de segunda-feira a quinta-feira, às 23h30.

A história centra-se em Defne, uma jovem que, para salvar o irmão das suas dívidas, é obrigada a aceitar uma proposta arriscada. Ao longo do enredo, Defne enfrenta dilemas emocionais e desafios, tentando equilibrar os seus sentimentos com a necessidade de proteger a sua família.

(Fonte: SIC)

Doğan Duru atua hoje em Lisboa no Hard Rock Cafe

Doğan Duru, nome importante do panorama musical turco, vai atuar hoje, 19 de outubro, no Hard Rock Cafe Lisboa, às 22.30 horas

Mais informações e bilhetes aqui

"Grand Tour", de Miguel Gomes, no FilmEkimi


Os filmes premiados no 77º Festival de Cinema de Cannes integram o catálogo do Festival de Cinema FilmEkimi. "Grand Tour", de Miguel Gomes, será exibido em cinemas de quatro cidades: Istambul, Ancara, Izmir e Diyarbakır entre 3 e 26 de outubro.

3 outubro 21:30 Cinewam City’s (CW) - Istambul

4 outubro 19:00 Sinematek / Sinema Evi (S) - Istambul

5 outubro 13:00 Kadıköy (K) - Istambul

6 outubro 16:00 Cinewam City’s (CW) - Istambul

7 outubro 19:00 Atlas 1948 (A) - Istambul

11 outubro11:00 Paribu Cineverse Diyarbakır Ceylan - Diyarbakır

18 outubro11:00 Kült Kavaklıdere - Ankara

26 outubro13:30 Paribu Cineverse Konak Pier - Izmir

https://filmekimi.iksv.org/tr/filmekimi-2024/buyuk-yolculuk

“Querida Filha”: Novela turca chega à SIC dobrada em português

As séries turcas têm uma presença cada vez mais forte na televisão em Portugal. Na AXN, por exemplo, pode ver o fenómeno “Viola Come Il Mare”, protagonizada por Can Yaman. A partir de 15 de julho, a tendência chega aos canais generalistas, nomeadamente à SIC.

Após o “Primeiro Jornal”, a estação vai começar a transmitir “Kızım”, cujo título foi traduzido para “Querida Filha”. A história acompanha Öykü, uma menina de oito anos que vive com a tia materna e que lida com uma doença grave e rara. Quando a tutora descobre a patologia, abandona-a.

A protagonista parte, então, à procura do pai. Demir é um homem irresponsável e vigarista que foi preso justamente no dia em que a miúda foi abandonada. Eventualmente é liberto sob a condição de que terá de cuidar de Öykü. Inicialmente, não gosta da ideia. Após saber da doença, contudo, muda de atitude e começa a tratá-la de forma apropriada e com muito carinho.

A novela já tinha sido transmitida na SIC Mulher e todos os episódios também podem ser vistos na OPTO. No entanto, há agora uma grande novidade: vai ser dobrada em português, embora ainda não se saiba quem são os atores responsáveis pelas vozes.

O elenco conta com Buğra Gülsoy, Beren Gökyıldız, Leyla Lydia Tuğutlu, Serhat Teoman, Tugay Mercan, entre outros. 

(Fonte: NIT)

"As Ervas Secas" de Nuri Bilgi Ceylan nos cinemas portugueses

Chegou aos cinemas nacionais “As Ervas Secas”, a obra do cineasta Nuri Bilge Ceylan escolhida para representar a Turquia nos Óscares do próximo ano.

Tudo ou nada, parece ser o conceito de vida que caracteriza em larga medida o comportamento daqueles que habitam o perímetro de uma pequena aldeia situada numa zona remota da Península da Anatólia, igualmente conhecida como Ásia Menor, banhada a Norte pelo Mar Negro, a Sul pelo Mar mediterrâneo e a Oeste pelo Mar Egeu, e que corresponde a mais de metade da Turquia. 

Não é a primeira vez que o realizador do agora estreado “Kuru Otlar Ustune” (“As Ervas Secas”), Nuri Bilge Ceylan (nascido em Istambul a 26 de Janeiro de 1959), investe numa ficção situada naquele fim-do-mundo para onde alguns dos seus compatriotas são deslocados quase sempre obedecendo a um planeamento burocrático determinado pelo poder central exercido a partir da capital, Ancara.

Basta recordar o vencedor da Palma de Ouro e do Prémio FIPRESCI (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica) no Festival de Cannes de 2014, o belíssimo “Kis Uykusu” (“Sono de Inverno“), ou o igualmente premiado em Cannes com o Grande Prémio do Júri em 2011, “Bir Zamanlar Anadolu’da” (“Era Uma Vez na Anatólia”), para se constatar a óbvia opção do cineasta, argumentista, fotógrafo e ator por um espaço muito especial do ponto de vista geográfico e simultaneamente do ponto de vista sociológico – universo de contrastes relevante num país dividido entre dois continentes cujas visíveis diferenças condicionam muitas e agrestes vezes o estabelecer de pontes necessárias para se erguer uma réstea que seja de unidade nacional digna desse nome, um diálogo solidário capaz de sustentar a salvaguarda de um futuro que se pode e deve desejar sempre mais radioso.

NUMA TERRA SEM OUTONO NEM PRIMAVERA

Nesta que considero ser, no nosso mercado, a última grande estreia comercial em sala de 2023, iremos acompanhar um professor, Samet (Deniz Celiloglu), e a relação algo próxima e relativamente ambígua que aqui e além estabelece com uma aluna, Sevim (a estreante Ece Bagci), uma adolescente meio inocente meio perversa que nutre por ele uma subliminar e em boa verdade não muito secreta paixão, se considerarmos a atitude que revela nos pequenos grandes sinais de sedução e de aproximação física que de algum modo são o reflexo natural de uma atmosfera de amizade gerada por insinuações e um ou outro indício de atracção mal disfarçado por parte do seu mestre.

Há nesta relação homem adulto/jovem rapariga e no modelo utilizado para a encenar uma nítida vontade por parte da realização de nos manter sempre na expectativa sobre a real natureza dos comportamentos de uma e outra personagem. Facto, aliás, que irá ser dominante na relação de Samet com outras personagens relevantes no interior desta ficção, figuras complexas no desfiar da sua humanidade e que se vão cruzar com Samet de forma bastante incisiva no plano da revelação pessoal, sobretudo num contexto imposto por circunstâncias exteriores que se perfilavam redutoras de uma possível mas atribulada afirmação da sua verdadeira personalidade.

De igual modo, e para reforçar a sensação das barreiras impostas pela realidade política, social e económica onde estes homens e mulheres estão inseridos, cúmplices ou não do panorama cultural e ideológico que domina o pensamento da região, nunca será posto de lado o sentimento geral de que esta comunidade, quer no exterior quer no interior da escola pública, vive na sombra “paternal” das práticas quotidianas que seguramente coincidem com o radical olhar penetrante do pai da Pátria, sob a efígie do patriarca fundador de uma nova era dita moderna, por romper com ancestrais práticas otomanas, o militar e estadista Mustafa Kemal Ataturk (1881-1938), primeiro Presidente da República da Turquia, proclamada a 29 de Outubro de 1923. Mesmo enquanto busto, lá está ele para recordar quem ainda continua a influenciar certos caminhos e preceitos institucionais na Turquia. Mesmo que seja memória viva do passado, há vestígios de uma autoridade pretérita que desemboca nos dias de hoje, similares ao respeitinho pelas normas e regulamentos que irão sobressaltar o percurso mais ou menos rotineiro do professor Samet, assim como de um outro seu colega com quem partilha a casa, Kenan (Musab Ekici).

Tudo porque Sevim e outra colega os acusam de contactos inapropriados que prefiguram aos olhos das autoridades escolares abusos de natureza sexual, naturalmente proibidos, mas nunca comprovados por quem aceitou as ditas acusações sem as confrontar com o respectivo contraditório. Nada de espantar, sobretudo numa escola onde alguns docentes não se furtam a prestar serviço exercendo o papel de esbirros repressores, vasculhando nas malas e secretárias dos discentes aquilo que consideram inadequado, como por exemplo, um isqueiro, um caderno escolar que não corresponda ao modelo oficialmente aprovado e, desgraça das desgraças, um espelho ou uma simples e porventura singela carta de amor. Neste caso, a carta de Sevim que Samet, contra a vontade da jovem, irá confiscar, facto que dará origem ao sobressalto emocional da rapariga e ao consequente acto de denúncia.

Todavia, a relação de Samet com as mulheres não se fica pelo universo da adolescência, e pouco a pouco iremos seguir uma outra e mais importante, melodramaticamente falando, relação adulta com Nuray (excelente prestação da actriz Merve Dizdar), figura da mulher emancipada, submetida a preconceitos que persistem e parecem não se desvanecer com facilidade, mas livre na medida em que subverte alguns dos limites impostos pela sociedade e realidade circundantes. Será ela que irá desafiar Samet, de forma indireta mas calculada, a despertar o fulgor do desejo e a assumir uma relação mais íntima que ao início parecia não ser provável.

Todavia, pouco depois sentimos a relação algo condenada, já que a partir de certa altura Nuray parece deslocar o seu olhar sedutor e a sua preferência para Kenan. E fá-lo literalmente nas barbas de Samet. Parte substancial do filme passa a ser então o jogo de máscaras pontuado por encontros e desencontros de Samet com Nuray, de Samet com Kenan, palavras e discussões mergulhadas na mais diversa subjectividade e também no lado físico e objectivo do amor de uma mulher, mutilada pela explosão de um atentado mas inteira na sua vontade de seguir em frente com a vida que para ela faz sentido, independentemente do que Samet, Kenan ou outros possam pensar.

Tudo bate certo no quadro estrutural de um argumento servido por uma planificação clássica, mesmo quando as coisas não são lineares, até ao momento em que Nuri Bilge Ceylan decide lembrar-nos, através de um expediente da linguagem áudio e visual, que poderíamos apelidar de distanciação brechtiana, que as acções e emoções das personagens e a solidez da sua relação não passam de uma ficção, como a querer dizer-nos: não se deixem levar pela superfície das coisas, olhem antes para o que está por detrás da sensação de verdade, a verdade da mentira. Numa sequência fulcral, Samet abandona o quarto onde já estava escrito nas estrelas o pulsar sexual nascido de uma longa conversa confessional entre ele e Nuray, que os levaria finalmente ao contacto físico e íntimo. Em suma, sexo, ponto final. Tudo começa por um algo intrigante mas compreensível apagar de luzes nas salas contíguas do referido quarto.

Depois de cumprir o pedido de Nuray, em vez de caminhar para a objetiva Samet desvia o seu percurso, abre uma porta e sai para logo a seguir atravessar o amplo espaço de um estúdio cinematográfico onde são visíveis os bastidores do cenário. Na altura em que se fazia realçar a verdade do corpo e da alma dos amantes, há um corte que funciona como uma pausa dramática, um link que nos desvia por um caminho alternativo, mais um Ctrl Alt Delete seguido de uma espécie de Reset da narrativa. Entretanto, Samet regressa ao encontro de Nuray e o filme, que nunca deixou de o ser, retoma o seu percurso. Mas nada será como dantes.

Tudo adquire a partir dali uma dimensão que polariza a importância da partilha material, descobrindo-se o corpo e a visão sem filtros do pedaço de perna que falta a Nuray. Mas este desvio faz-se sem abandonar a fugaz ou a persistente partilha espiritual das personagens que, aliás, sai de algum modo reforçada. Tudo ainda para que, mais adiante e por outro corte, a realização nos introduza uma componente mais onírica e filosófica do que realista, que preenche os últimos minutos e ilumina as derradeiras sequências de “As Ervas Secas”. Nesse epílogo solar, ao contrário da neve e do branco sombrio que antes servira de décor natural ao desenrolar das diferentes histórias contra o qual se desenhavam as silhuetas e o destino dos humanos, vemos agora o radioso amarelo que inunda os campos cobertos por uma vegetação rasteira cuja cor quente será desvendada pela fusão da neve quando o Inverno acaba, aquela estação que morre para logo dar lugar ao renascimento do Verão. Desta vez, ao reset da Natureza.

Será pela voz de Samet, cumprido que foi o seu calvário no frio escolar da Anatólia e prestes a viajar para Istambul, que ficaremos a saber como os habitantes daquela região a caracterizam no plano da sua especificidade climática: “Quando vim para cá disseram-me que só existiam duas estações, o Inverno e o Verão. Tinham razão. Entramos directamente no Verão, sem passar pela Primavera. As ervas que durante longos meses estiveram cobertas pelo manto branco da neve parecem agora amarelas sem nunca chegarem a ser verdes”. Desta definição/indefinição do que se vê ou não vê, do que permanece visível/oculto nas contradições da Natureza propriamente dita e nas vicissitudes da natureza humana, do que se vai alcançando e do que permanece inacessível, dialécticas geradas pelo TEMPO e pelo MODO como percecionamos os mistérios do universo que enquadram as nossas vidas num precário equilíbrio cósmico que ilusoriamente julgamos controlar, se faz o núcleo central deste filme.

São as ervas secas que marcam o caminho da nossa existência, as que vivem para além do frio do Inverno e que despontam no calor do Verão, como os sentimentos que irão marcar para sempre as memórias de Samet. Por fim, longe da Anatólia e pacificado consigo mesmo, não deixará de pensar na rapariguinha que procurou estabelecer com ele mais do que uma fugaz relação de amizade entre professor e aluna. Relacionamento contaminado pela aparente impossibilidade de Samet conciliar o seu olhar com o olhar de Sevim, perdidos que estavam na vertigem dos seus diferentes mundos e na fragilidade dos sonhos e das falsas esperanças que ambos alimentaram.

Crítica - Por João Garção Borges

As Ervas Secas (Kuru Otlar Üstüne)

Realizador: Nuri Bilge Ceylan

Elenco: Deniz Celiloglu, Merve Dizdar, Musab Ekici, Ece Bagci

Género: Drama, 2023, 197min

PRÓS: Nuri Bilge Ceylan sempre soube dosear as palavras ditas pelos atores com os ritmos existenciais associados ao desempenho de cada uma das suas personagens. Dito isto, um dos seus pontos fortes encontra-se na direção de atores, e “As Ervas Secas” não constitui excepção. Quando esta qualidade se junta ao elenco escolhido a dedo, dificilmente as coisas falhariam no campo ficcional. Tudo o que pode e deve ser apreciado neste filme justifica plenamente o lugar que o realizador ocupa nos melhores quadrantes do cinema internacional que defende a arte e a afirmação plena de práticas fílmicas inerentes ao exercício criativo de um verdadeiro autor.

Muito boa Direcção de Fotografia, quer nos exteriores quer nos interiores, responsabilidade da dupla Kursat Uresin e Cevahir Sahin.

Magnífica presença dos atores secundários e protagonistas, com especial destaque para Merve Dizdar, no papel de Nuray, que recebeu com inteira justiça o galardão para Melhor Actriz no Festival de Cannes de 2023.

CONTRA: Nada.

(Fonte: Magazine HD)

Paula Rego: O Banho Turco (1960)

 


1960

Tinta acrílica, grafite e colagem sobre tela (93 cm x 93 cm)

Paula Rego

Turkish Bath [O Banho Turco]

Ara Güler: Um Jogo de Luz e Sombra

Esteve patente em Amesterdão uma exposição da vasta e icónica obra fotográfica de Ara Güler (23 de junho-8 de novembro, Museu de Fotografia Foam). 



Pera Lisboa: uma nova casa para artistas e não só


Elif e Burak viajaram de Istambul para Lisboa, onde criaram o próprio projecto: um espaço que inclui uma loja, exposições e até um bar. A inauguração está marcada para a próxima quarta-feira.

Elif é designer de jóias, Burak é artista. Estão casados há três anos. Há um ano e meio, fizeram as malas, deixaram Istambul e vieram viver para Lisboa. Cá, nasceu o sonho de conceber um projecto a dois – a Pera Lisboa. Uma casa que é simultaneamente loja, bar, galeria de exposições e espaço de cowork. Acima de tudo, quer ser um ponto de encontro.

“Nunca imaginámos abrir uma loja assim, mas agora é o nosso sonho”, começa por contar Elif. No número 65 da Rua Fernandes Tomás, o espaço do casal turco suscita curiosidade a quem passa. Quando a Time Out bateu à porta, o letreiro ainda não identificava a fachada. Ainda assim, entraram vizinhos e amigos, que não resistiram a dois dedos de conversa. “É toda a gente muito simpática e isso é algo que não esperava”, realça Burak.

Na altura de mudar de cidade, não houve dúvidas que a nova casa seria Lisboa. “Na minha opinião, Portugal é dos países mais tolerantes da Europa, tínhamos medo de vir para um país em que as pessoas tivessem a mente fechada”, explica Burak. Apesar da distância entre Lisboa e Istambul, o casal vê semelhanças entre os dois lugares. Ele vê em Lisboa as partes boas de Istambul, ela adora a mística da cidade. O bom tempo também conquistou o casal, que começou a ter aulas de surf. “Se a loja não estiver aberta é porque estamos a fazer surf”, brinca Elif. 

Neste antigo atelier de pintura, o chão é de pedra, as paredes brancas, e os dois arcos no centro conferem um carácter interessante à arquitectura do espaço. Na parte da frente, fica a loja. Há quimonos da Rasasvada, marca que vive também ela entre Istambul e Lisboa, chapéus mexicanos feitos à mão, malas de pano reciclado da Mah-roc, peças de azulejaria e ainda pigmentos naturais da marca do Burak.

Uma cortina de franjas azul separa a zona de trabalho dos proprietários. O mobiliário é, na sua maioria, vintage. Actualmente, o espaço tem ainda um bar, em madeira escura, da década de 70, vindo directamente do Porto. Do tecto, pende um candelabro, herdado do avô de Elif. “Quero sentir-me em casa”, confessa a designer. O nome do espaço também vai buscar inspiração às raízes turcas de Elif e Burak. Pera, actual Beyoğlu, em Istambul, é o município onde o casal cresceu.   

O espaço está pensado para ser um pouco de tudo mas, sobretudo, para ser utilizado "para fins criativos”. Além de ser uma loja, há planos para começar a receber exposições e workshops, alguns de design de joalharia, dados pela própria Elif, que também expõe aqui peças da sua marca, ExNihilo, à venda na loja. Também haverá eventos de tatuagens e de design 3D. O bar não funciona como paragem nocturna, mas sim como um lugar onde o casal pode receber amigos, sempre que quiserem. “Neste mundo profissional queremos assumir um perfil descontraído, as pessoas podem vir aqui, falar livremente, usar o espaço” e “queremos criar uma comunidade chegada, conectar-nos com os outros, e também explorar coisas diferentes. Não quero fazer apenas joalharia, quero aprender com as pessoas”, explica Elif.

A 15 de Novembro, a par com a abertura do espaço, marcada para as 18.00, inaugura a exposição "Dreams have no titles". Conta com obras de oito artistas internacionais e fica patente até 30 de Dezembro. A Pera Lisboa quer ser uma residência independente, onde a arte é criada com técnicas ancestrais e apresentada numa era moderna.

Rua Fernandes Tomás, 65 (Cais do Sodré). Qui-Seg 11.00-20.00

(Fonte: Time Out)