segunda-feira, 9 de maio de 2011

Jogos Olímpicos Infantis com participação lusófona



De 24 de Abril a 1 de Maio, Ancara foi o palco da 1.ª edição dos Jogos Olímpicos Infantis (Dünya Çocuk Oyunları), que reuniu 3000 crianças de 90 países, incluindo Brasil e Angola.

Apesar da bandeira de Portugal também figurar no principal local do evento (Ankara Spor Salonu), a participação terá sido cancelada, uma vez que Portugal não faz parte da lista de países participantes que consta no site oficial dos jogos.
A mascote escolhida foi o gato de Van vestido com um traje tradicional turco.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Projecto Aşure de Mehmet Can Özer com Erkan Oğur e Pfadfinderei


Aşure: nome de doce tradicional turco, que dá nome ao projecto/software de Mehmet Can Özer

Aşure é um software e um projecto de improvisação electroacústico em tempo real, do compositor turco Mehmet Can Özer. O colectivo Pfadfinderei, de Berlim, representado por Niklas Völker e Tobias Götz, criou os efeitos visuais. Erkan Oğur, conceituado músico turco, tocou kopuz, um instrumento tradicional turco, e guitarra sem trastes, uma inovação da qual foi pioneiro. Esta combinação electroacústica acompanhada de efeitos visuais, aconteceu no Instituto Göethe de Ancara, no dia 2 de Maio.

Aşure é o nome de um doce tradicional turco, consumido tradicionalmente no décimo dia do mês de Muharrem. É feito com vários frutos secos e frescos, trigo e leguminosas. É um símbolo de comunhão e partilha, pois é tradição oferecer-se aos vizinhos, família e amigos. Apesar do mês de Muharrem ainda estar longe, foi gentilmente oferecida uma taça deste doce no final do concerto.







Erkan Oğur

Perdesiz gitar
Guitarra sem trastes (perdesiz gitar)

Mehmet Can Özer

Mehmet Can Özer já apresentou os seus concertos de improvisação em Portugal no 36.º Festival de Música do Estoril, em Julho de 2010, no 9.º Encontro Nova Geração de Compositores do Mediterrâneo. Tinha participado anteriormente, em 2008, nos Dias da Música Electroacústica, onde deu um Seminário de Composição no Conservatório de Música de Seia.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

José Saramago traduziu livro de Nâzım Hikmet


Edição de 2007.

O livro "Os Românticos: A Vida é Bela meu Velho...", de Nâzım Hikmet, foi traduzido do Francês para o Português por José Saramago, e publicado pela Editora Caminho em 1985.

Homenagem a José Saramago em Ancara



No âmbito das comemorações do Dia da Europa, vai celebrar-se o Dia da Língua Portuguesa com uma "Homenagem a José Saramago" no dia 4 de Maio, às 16.00 horas, no Instituto Göethe de Ancara.

Programa:

Discurso inaugural
proferido pela embaixadora de Portugal na Turquia, Luísa Bastos de Almeida

Conferência intitulada "José Saramago: A Obra, O Homem, A Linguagem", por Mário Tiago Paixão, leitor do Instituto Camões na Universidade de Ancara; Margareth Perucci, coordenadora do Departamento de Língua Portuguesa da Universidade de Economia de Izmir, e por M. Necati Kutlu, professor na Universidade de Ancara, director do Centro de Estudos Latino-Americanos de Ancara e tradutor do Espanhol para o Turco do livro de José Saramago "As Intermitências da Morte".

Exposição: “José Saramago”.

Instituto Göethe - Atatürk Bulvarı, nº 131 - Bakanlıklar, Ankara.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Festival de Cinema de Istambul



A 30.ª edição do Festival de Cinema de Istambul decorreu de 2 a 17 de Abril e deu especial destaque ao cinema da Turquia, do Médio Oriente, da Europa e da Ásia. Os cerca de 150 000 espectadores puderam ver 231 filmes de 256 realizadores e de 52 países, incluindo 54 obras turcas. O filme "O Estranho caso de Angélica" de Manoel de Oliveira, e o filme "Mistérios de Lisboa" de Raúl Ruiz, também integraram o festival.

Estiveram presentes realizadores de renome como Bela Tarr, Claude Lanzmann e Leos Carax, assim como realizadores mais jovens como Ahmad Abdalla e Gerald Hustache-Mathieu. A actriz Miranda Richardson e o actor Luke Evans, também estiveram entre os convidados.
O prémio FACE atribuído ao cinema com enfoque nos direitos humanos, foi atribuído ao filme de Juanita Wilson “As If I’m Not There” que retrata a história de uma jovem bósnia durante a guerra.



O prémio FACE especial do júri foi para o filme "Press" do Turco Sedat Yılmaz , que relata a opressão a um grupo de jornalistas em Diyarbakır, cidade de maioria curda do sudeste da Turquia, por tentar mostrar violações de direitos humanos e crimes na região. “Press” foi também escolhido como melhor filme pelo júri internacional de críticos de cinema FIPRESCI, e também recebeu um prémio especial do júri na secção de competição nacional. O tema do filme é bastante actual, numa altura em que se encontram presos os jornalistas turcos Ahmet Şık e Nedim Şener.



O último filme de Tayfun Pirselimoğlu, “Saç” (Cabelo), recebeu o prémio de melhor filme e de melhor realizador na secção de competição nacional. Pirselimoğlu tem participado no festival nos últimos dez anos, mas foi a primeira vez que recebeu o prémio principal. Trata-se do último filme da "Trilogia da Consciência" que inclui os filmes “Rıza” e “Pus”. “Saç” aborda os últimos dias de Hamdi, um vendedor de perucas em Istambul. Nazan Keşal, recebeu o prémio de melhor actriz também por este filme.
O prémio de melhor actor foi para o veterano Ahmet Mekin pelo seu trabalho no filme "Görünmeyen" (Unseen) de Ali Özgentürk, uma biografia em torno do compositor húngaro Bela Bartok e a sua visita à Anatólia para gravar música tradicional turca. Bela Bartok é interpretado por Udo Kier.



O prémio de melhor argumento foi atribuído a Belma Baş pelo seu filme de estreia “Zephyr”, sobre a relação problemática entre uma criança de 13 anos e a sua mãe.
Na secção de competição internacional foi premiado o filme do realizador egípcio Ahmad Abdalla, “Microphone”, focado na colorida cena artística de Alexandria filmada com uma Canon 7D.
O grande prémio do júri foi partilhado pelo filme turco de Seyfi Teoman “Bizim Büyük Çaresizliğimiz” (O Nosso Grande Desespero) e pelo do realizador uruguaio Federico Veiroj, “A Useful Life”.

domingo, 17 de abril de 2011

Jovens portugueses no campeonato do mundo de robótica em Istambul

Os jovens inventores de robôs do agrupamento de escolas de São Gonçalo de Torres Vedras sagraram-se campeões nacionais de robótica e ficaram apurados para o campeonato do mundo a realizar na Turquia. Com seis equipas a participar, o agrupamento de escolas arrecadou o primeiro lugar no escalão dos 15 aos 19 anos em futebol robótico e busca e salvamento e o segundo lugar, dos 8 aos 14 anos, na categoria de futebol robótico. "Estes resultados são fruto do trabalho que desenvolvemos ao longo de todo o ano," disse à Lusa o coordenador do clube de robótica do agrupamento de escolas, Jaime Rei. O campeonato nacional decorreu no Domingo no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde os participantes ficaram apurados para o campeonato do mundo, que se realiza este ano em Istambul, Turquia, entre os dias 5 e 11 de Julho. Com idades diferentes, entre os 10 e os 15 anos, e a frequentar anos de escolaridade que vão desde o 5.º ao 9.º ano, estes jovens têm em comum o interesse pela construção e programação de robôs, um gosto a que estes pequenos engenheiros se dedicam fora do horário escolar e que para alguns começa a ser encarado como uma futura via profissional.

(Fonte: Correio da Manhã)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mel turco...



"Leite" (Süt), de Semih Kaplanoğlu, o primeiro filme da trilogia de Yusuf, que também se poderia chamar a trilogia dos alimentos, retratava os tempos em que Yusuf era estudante universitário. "Ovo" (Yumurta), levava-nos à sua idade adulta. Em "Mel" (Bal), deparamo-nos com a sua infância. O realizador turco termina a trilogia pelo início (diz que toda a trilogia é um imenso "flashback"), e "Mel" começa pelo fim, o que pode desiludir aqueles que dão demasiada importância à emoção dos desfechos. A ideia aqui talvez seja mesmo essa, tirar parte desse tipo de emoção narrativa, ou do suspense, e tornar o filme mais contemplativo. Contudo, e não casualmente, a cena da morte do pai é dada de modo quase burlesca. O apicultor cai da árvore, mas ainda se mantém preso por uma corda, mas é notável forma como o seu corpo se mantém estático e hirto, paralelo ao chão, mas ainda a uma altura considerável, como se levitasse, e a sua própria expressão facial não é de pânico nem resignação, mas de quem se depara com uma equação impossível de resolver. Diga-se que é uma opção estanha e ousada para um filme do género, mas é também essa desdramatização, apesar de tudo equívoca, que permite que o filme mantenha o tom contemplativo, em vez de exacerbar o seu lado trágico. Todo o filme caminha para o seu princípio, amargo e doce, como uma contradição à volta da ideia do próprio mel e da profissão de apicultor, mostrada como fascinante e perigosa. Os olhos são sempre os da criança, mas com qualidades atípicas, que o afasta do que se pode esperar de um psicodrama infantil. Há um mundo que o próprio realizador desenha, dentro de uma Turquia rural muito peculiar. E nesse mundo cria três espaços bem definidos: a casa, a floresta e a escola. Yusuf é uma criança solitária que vive num mundo solitário. Nunca o vemos a brincar com outra criança. A sua casa é isolada, onde se mostra sobretudo a relação com o pai, feita de silêncios e murmúrios. Yusuf gagueja quando fala alto, por isso o pai opta por conversar em sussurros. Com a mão, apesar de nunca haver qualquer tipo de agressividade, a relação não é tão fluida, parece que se perdem os códigos. Na escola, há um terror silencioso. As crianças estão a aprender a ler. Os alunos vão recebendo um crachá quando conseguem alcançar o objectivo. O boião vai ficando vazio e ele nunca consegue. A interacção é escassa, os laços débeis, e a incapacidade de entrar naquele mundo, no mundo da escola, que é também a civilização e o mundo alfabetizado. Mas o espaço mais ambíguo e interessante é a própria floresta. É um cenário de transição e encontro em que tudo pode acontecer. Um mundo fora do mundo. Por um lado, espelha a felicidade dos momentos passados com o pai a tratar das colmeias, por outro é uma travessia sombria sempre necessária para chegar à civilização. Mas para Yusuf, a floresta também é simplesmente um refúgio, um não-mundo que só ele compreende, em toda a sua imensidão misteriosa. "Mel", que valeu o Urso de Ouro a Semih Kaplanoğlu, é uma obra de extrema beleza, com óptima fotografia, e uma interpretação notável do menino Bora Atlas. Mostra-se um outro lado do cinema turco: rural, imagético, contemplativo.



(Fonte: Visão)

quinta-feira, 24 de março de 2011

"Mel" de Semih Kaplanoğlu estreia hoje em Portugal



Semih Kaplanoğlu demonstra uma capacidade imaculada para se colocar entre o olhar dos adultos e o do miúdo protagonista, neste pertinente retrato da Turquia profunda. Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano passado, "Mel" é o terceiro tomo da trilogia que fez de Semih Kaplanoğlu o cineasta turco contemporâneo mais conhecido internacionalmente a seguir a Nuri Bilge Ceylan. Os nomes dos outros dois filmes da trilogia são tão nutritivos como o deste: "Ovo" (que ganhou um prémio na primeira edição do Estoril Film Festival) e "Leite". Mas é com "Mel" que ele chega às salas portuguesas, e se ao espectador recém-chegado ficará a escapar o desenho do conjunto dos três filmes, conhecê-lo não é indispensável à fruição deste filme. De certo modo, "Mel", no seu conflito essencial, ilumina, ou pelo menos resume, o que está em causa na trilogia: um olhar sobre a província turca, captado na bifurcação entre um modo de vida tradicional (as coisas que a terra dá, ainda que por intermédio dos animais: os ovos, o leite, o mel) e a perspectiva de uma outra coisa, muito mais difusa, a que se podia chamar a "modernidade". De uma maneira que o filme não resolve (e a não resolução é o seu ponto), o miúdo protagonista simboliza esse impasse, no à vontade da sua relação com a natureza (as abelhas do pai, a floresta) e na falta de à vontade com as coisas da escola (a dificuldade em aprender a ler com uma "resistência", digamos, atávica). Imaginamos que este conflito, que o filme expõe sem retórica nenhuma e numa subtileza a toda a prova, é pertinente enquanto retrato da profunda Turquia contemporânea. O que serve, em todo o caso, como medida da inteligência de "Mel". Mas não é forçosamente aquilo que mais o distingue. Antes uma capacidade, imaculada, de se colocar entre o olhar dos adultos e o olhar do miúdo protagonista, para dar a ver um mundo que é sempre, ao mesmo tempo, muito misterioso e muito familiar - características que marcam, em especial, toda a relação com a natureza (a terra e as árvores, mas também o céu e as nuvens), com os seus silêncios mas sobretudo com os seus ruídos (os seres humanos de "Mel" falam pouco, mas em compensação a natureza palra que se farta). E Kaplanoğlu confirma-se como um adepto do plano-sequência expectante e desafectado: a cena em que o pai de Yusuf morre é extraordinária.

Mel (Bal)

De: Semih Kaplanoğlu

Com: Bora Altas, Erdal Beşikçioğlu, Tülin Özen

(Fonte: Ípsilon)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Conferência sobre diálogo entre culturas e religiões na Turquia



Dia 18 de Março, às 18.00 horas, no salão nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, vai ter lugar uma conferência intitulada: "O Diálogo Intercultural entre Cristãos e Muçulmanos na Turquia", pelo padre Thomas Michel, representante da comunidade jesuíta em Ancara.

(Fonte: Associação de Amizade Luso-Turca)