sexta-feira, 12 de março de 2010

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) V: A Sala Besim Atalay





























Besim Atalay (1882-1965) foi um cientista, escritor, investigador, professor, tradutor e deputado. Foi professor e director da Escola de Professores de Konya, Trabzon e Ancara, e director de Educação em Maraş, İçel e Niğde. Foi professor de língua persa na Faculdade de Letras, História e Geografia de Ancara entre 1937 e 1942. Sabia também língua árabe e línguas turcas antigas. Traduziu o Divanü Lugat-it-Türk e o Corão para Turco. Foi membro da Sociedade de Filologia. Escreveu romances, ensaios e livros sobre história e religião. Traduziu o Divanü Lugat-it-Türk e o Corão para Turco.
Doou os raros manuscritos que foi coleccionando à Biblioteca Nacional da Turquia e valiosos objectos de interesse etnográfico ao Museu de Etnografia de Ancara. A Sala Besim Atalay abriu ao público em 1963.

Leitura encenada de Nâzım Hikmet no CCB


O jovem actor e encenador André E. Teodósio apresenta uma leitura encenada de Gioconda e Si-Ya-U (Jokond ile Si-Ya-U, 1929) da autoria do grande poeta turco Nâzım Hikmet.
“No mesmo ano (1924) em que o jovem revolucionário Emi Siao é deportado de Paris, desaparece do Museu do Louvre a famosa Gioconda. Segundo o poema-manifesto de Nâzım Hikmet, ela terá partido para a China ao encontro do seu amor de “olhos amendoados”. É verdade: Gioconda liberta-se da passividade da cultura museológica e revela-se uma agitadora apaixonada.
Para estragar o suspense deste poema, que em cerca de trinta páginas nos confronta com as dialécticas poesia vs. política, fantasia surrealizante vs. fervor revolucionário, ficção vs. autobiografia, no fundo um poema onde permanentemente é questionada a real capacidade da arte na transformação social, vou revelar o final:
RELAXEM: O sorriso de Gioconda mantém-se. Não é o sorriso de quem contenta, mas de quem parte contente.
TREMAM: As mãos de Gioconda transformam-se. Já não são mãos manchadas de tinta, mas mãos manchadas de sangue.”
André E. Teodósio

Hoje, 12 de Março, às 21 horas, no Centro Cultural de Belém.

Evento inserido no Festival Pontes para Istambul.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Filme sobre Nâzım Hikmet no CCB


O filme de 2007 que retrata a vida do poeta turco Nâzım Hikmet, Mavi Gözlü Dev (O Gigante de Olhos Azuis), é exibido hoje no Centro Cultural de Belém às 21 horas.

Encontra mais detalhes sobre o filme e sobre Nâzım Hikmet aqui.

Evento inserido no Festival Pontes para Istambul.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) IV: O Café e os Turcos








Aspecto de uma sala do Museu de Etnografia de Ancara denominada "O Café e os Turcos", onde são exibidos utensílios e recriados ambientes que retratam esse elemento tão importante da cultura turca.

A origem do café é em África e remonta pelo menos ao século XIII. No entanto, poderá remontar ao século IX, a um mosteiro do sul da Abissínia, no reino Kaffa da Etiópia. Difundiu-se depois para o Iémen e em seguida para Meca. A evidência mais credível do conhecimento do café e da sua utilização como bebida, é de meados do século XV, nos mosteiros sufi do Iémen. Os muçulmanos que se deslocavam a Meca em peregrinação, terão conhecido a bebida e levaram-na para os seus países. Em meados do século XVI já teria chegado ao Médio Oriente, Pérsia, Turquia e norte de África. Depois o café difundiu-se para a Itália e resto da Europa, Indonésia e América.
Os Turcos conheceram a bebida após a conquista do Egipto pelo sultão Selim I. A difusão da bebida e a abertura de casas de café no Império Otomano ocorreu durante o reinado de Solimão, o Magnífico, no século XVI.
A primeira casa de café abriu em Istambul, Tahtakale, em meados do século XVI. O café era também oferecido em privado aos convidados, nas casas de Istambul e da Anatólia.
Em 1511 o café foi proibido devido às suas propriedades estimulantes, pelos imames conservadores num tribunal teológico em Meca. Contudo, esta proibição foi retirada em 1524 por uma ordem do sultão Selim I, com o Grande Mufti Mehmet Ebussuud el-İmadi a emitir uma fatwa a autorizar o consumo de café.
O café foi introduzido na Europa ocidental através das trocas comerciais do porto de Veneza com países africanos e com a Ásia e leste da Europa. O café foi mais amplamente aceite na Europa após o papa Clemente VIII ter aceitado formalmente o seu consumo pelos Católicos em 1600. Em 1645 abria a primeira casa de café em Veneza.
A preparação do café no Império Otomano obedecia a alguns preceitos, para os quais eram necessários diversos utensílios. Os grãos de café primeiro eram tostados e depois eram arrefecidos. Eram depois moídos e armazenados em caixas prórias. Para a preparação do café eram utilizadas cafeteiras próprias, e em algumas regiões o café era feito em braseiros. O café era depois colocado em jarros ou bules, e depois servido em pequenos copos de porcelana colocados dentro de recipientes de metal que podiam ser feitos de ouro, prata ou cobre. Como a água acompanha sempre o café turco, também foi sempre dada atenção a esse aspecto mediante a utilização de recipientes, principalmente de vidro.
Ainda hoje se mantém na Turquia parte deste ritual de preparação e consumo do café, embora a fase da moagem seja mais simplificada. Continua a dar-se grande importância ao ritual do consumo do café, existindo uma grande oferta de utensílios inspirados e copiados daqueles utilizados durante o Império Otomano.

Cinema turco no CCB


No âmbito do Festival Pontes para Istambul, será exibido hoje, 10 de Março, às 21 horas, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, o filme do realizador Ömer Kavur "A Face Escondida" (Gizli Yüz, 1991).
O autor do argumento do filme é Orhan Pamuk, escritor turco galardoado com o Nobel da Literatura em 2006. Conta no elenco com Rutkay Aziz e Zuhal Olcay, dois actores de referência do teatro turco.
Ömer Kavur faleceu em Paris, em 2005. Foi realizador, produtor e argumentista. Realizou 14 filmes entre 1974 e 2003.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pintores e pintura de Rize: Yalçın Kulaç

Yalçın Kulaç

Yalçın Kulaç

Yalçın Kulaç

Alguns trabalhos do pintor Yalçın Kulaç fizeram parte de uma exposição de pintura integrada n' Os Dias de Rize (Rize Günleri), que decorreu de 04 a 07 de Março no Atatürk Kültür Merkezi, em Ancara. Rize é uma cidade da região do Mar Negro, localizada no nordeste da Turquia.

Seis curtas-metragens sobre "Neve" de Orhan Pamuk no CCB

Seis curtas-metragens realizadas por jovens cineastas europeus e baseadas no livro "Neve" de Orhan Pamuk vão ser exibidas hoje, 8 de Março, às 21 horas, no Centro Cultural de Belém (CCB), no âmbito do Festival Pontes para Istambul.

Orhan Pamuk inspirou-se na cidade de Kars, no leste da Turquia, para escrever o seu romance "Neve". Em 2007, no âmbito de um workshop de cinema, dez jovens europeus foram seleccionados para realizarem curtas-metragens sobre a cidade de Kars e os seus habitantes após a leitura de "Neve". O resultado foram seis curtas-metragens:

1 - "So there are no poems coming to me", Hannaleena Hauru, Finlândia (4’34”)

Uma evocação melancólica de um amor perdido entre Helsínquia, Pequim e Kars.

2 - "Tangerine", Balázs Simonyi, Hungria (8’55”)

Um jornalista chega a uma vila turca para fazer um artigo sobre a comunidade local.

3 - "Kar_s", Ania Zuber, Manuel Gonzales Bustos & Javier Rex Jimenez, Polónia & Espanha (6’02”)

O confronto entre a Kars real e a ideia que fica da cidade após a leitura de "Neve".

4 - "Ka's strange love", Oytun Kal, Turquia (14’30”)

O processo de realização de uma curta-metragem e a história de Ka, que tem a obsessão de levar o seu amor, Ipek, para a Alemanha.

5 - "We all have a snowflake", Emmanuel Falguières, França (16’06”)

Um turista quer fazer um filme baseado num romance.

6 - "Hidden Symmetry", Céline Giertta, Suécia (4’59”)

As viagens paralelas de duas mulheres na cidade de Kars.

sábado, 6 de março de 2010

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) III: Metais












Alguns artefactos de metal presentes no Museu de Etnografia de Ancara.

A Anatólia é muito rica em minério, e por isso a tradição da arte do trabalho do metal tem uma longa história. Antes dos túrquicos virem para a Anatólia, já produziam utensílios de metal na Ásia Central. Quando os Túrquicos se tornaram muçulmanos, começou um período florescente na arte do trabalho do metal.
São utilizados diversos metais na arte turca do trabalho do metal, como ouro, prata, cobre e bronze, e as técnicas de ornamentação consistem em gravura, relevo, filigrana, esmalte, entre outras.
Os Seljúcidas da Anatólia contribuíram para o desenvolvimento da arte do trabalho do metal no que diz respeito às técnicas, materiais e ornamentação.
Durante o período otomano, as minas de cobre foram intensamente exploradas na Anatólia e nos Balcãs, assim a arte do trabalho do metal nesse período atingiu um alto nível de qualidade. Por um lado, artefactos de prata e ouro de grande qualidade eram produzidos principalmente para o palácio. Por outro lado, muitos objectos de cobre de uso quotidiano estavam presentes em praticamente todas as casas. Os grandes centros produtores de muitos utensílios de cozinha de uso quatidiano eram Diyarbakır, Tokat, Trabzon, Erzincan, Kayseri, Kastamonu, Bursa, Istambul, Edirne e Sarajevo. Esses objectos eram decorados geralmente com motivos florais como folhas, ciprestes, tulipas, mas também romãs.
O Museu de Etnografia de Ancara possui uma rica colecção de artefactos de metal datados do período seljúcida e otomano.

terça-feira, 2 de março de 2010

Museu de Etnografia de Ancara (Ankara Etnografya Müzesi) II: Tapeçaria










Alguns dos tapetes expostos no Museu de Etnografia de Ancara.

A arte da tapeçaria tem uma tradição ancestral na Anatólia. Os primeiros exemplares de tapetes feitos com a técnica de atar, o elemento mais importante na tecelagem do tapete, terão sido feitos pelos Hunos, uma tribo equestre nómada ou semi-nómada da Ásia Central, que se foi deslocando para a Europa a partir do século IV. Os fragmentos de tapetes encontrados nas escavações da necrópole de Pazırık, no sopé dos montes altai, são os mais antigos exemplares de tapetes atados e datam dos séculos III-IV.
A arte da tecelagem de tapetes atados que se difundiu entre as tribos nómadas da Anatólia Central, chegou à Anatólia no século XI com os Seljúcidas. Um tapete da Mesquita Alaattin em Konya, encontra-se no Museu das Artes Turcas e Islâmicas. Dois de três exemplares da Mesquita Eşrefoğlu, em Beyşehir, encontram-se no Museu Mevlana também em Konya. O terceiro está numa colecção privada em Londres. Sete exemplares encontrados em Fustat (antiga Cairo) estão no Museu Nacional de Estocolmo e no Museu Göteborg Rhöss na Suécia.
Apesar de serem produzidos tapetes em todas as regiões da Anatólia desde o século XVI, Gördes, Kula, Milas, Uşak, Ladik, Kırşehir e Sivas tornaram-se centros de referência de produção de tapetes durante o Império Otomano. Os tapetes produzidos nestas regiões apresentam pontos em comum no que diz respeito ao uso da técnica turca de atar e de fio de lã, mas apresentam diferenças em termos de cor e motivos representados.