“Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Assim descreve Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, a cidade de Lisboa, lugar onde o poeta nasceu. A cor do céu, a luz de Lisboa, e o contraste com o rio que a atravessa, o Tejo, tem encantado e inspirado muitos poetas, músicos e artistas ao longo de séculos.
Em 2007, a Fundação Calouste Gulbenkian recebeu no seu museu a exposição "Evocações, Passagens, Atmosferas. Pintura do Museu Sakıp Sabancı, Istambul", que reuniu um conjunto de obras de finais do século XIX e início do século XX, nas quais era possível ver vistas do Bósforo, marinhas e cenas da vida quotidiana de Istambul. E foi surpreendente confirmar, nesta exposição, a forma como Lisboa e Istambul, as duas cidades mais a Ocidente e a Oriente do continente europeu, partilham paisagens e ambientes.
A luz, a água, o cosmopolitismo tranquilo, a cidade enquanto porto (e ponto) de cruzamento de culturas, civilizações, religiões e continentes, tudo isto Lisboa tem em comum com Istambul. Por isso decidi integrar no Programa da minha Visita de Estado à República da Turquia, a exposição 'Lisboa, Memórias de outra cidade', organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, a quem agradeço todo o empenho que depositou na sua realização.
Através do olhar de alguns dos mais representativos pintores portugueses de finais do século XIX e início do século XX, exibe-se a memória de uma Lisboa pela qual Calouste Gulbenkian se apaixonou.
Lisboa é uma cidade com história, musa de poetas e cantada por fadistas, mas hoje é também uma cidade de futuro, de desenvolvimento, de tecnologia, de ciência e de sucesso. À semelhança de Istambul. Faço votos para que esta exposição desperte nos seus visitantes o desejo de conhecer melhor a capital de Portugal e que nela descubram o tanto que as duas cidades, Lisboa e Istambul, e também as suas gentes, Portugueses e Turcos, têm em comum."

Dois dos quadros expostos.