sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Museu Nacional da Imprensa atribuiu o 1º Prémio Europeu de Cartoon ao cartunista turco Musa Gümüş


O cartunista Musa Gümüş, da Turquia, venceu a segunda edição do Prémio do Concurso Europeu de Cartoon, com um trabalho denominado EU (European Union), anunciou hoje o Museu Nacional da Imprensa.
Organizado pelo Museu, o segundo prémio foi atribuído a Alessandro Gatto, da Itália e o terceiro a Heino Partanen, da Finlândia.
Além de "EU", os restantes trabalhos premiados estão também hoje expostos no átrio do Teatro Camões, no Parque das Nações, onde no dia 18 de Dezembro, pelas 21:00 começou o espectáculo de encerramento do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.
O júri foi presidido pelo cartunista da Paris Match George Wolinski e integrou ainda a presidente da Federação Internacional das Organizações de Cartunistas, Marlene Pohle, Helena Gelpi, representante do Alto Comissariado para Imigração e Diálogo Intercultural, Xaquin Marín, director do Museo de Humor de Fene (Espanha), o cartunista Ronaldo, e Luís Humberto Marcos, director do Museu.
O júri, devido à "elevada qualidade dos trabalhos", decidiu atribuir ainda oito Menções Honrosas a artistas de quatro países: Bélgica (1), Espanha (1), Turquia (3) e Roménia (3).
Este concurso internacional iniciou-se o ano passado, com o tema "Desigualdades, discriminação e preconceitos", e "enquadra-se na linha de trabalho que o Museu tem vindo a desenvolver no âmbito da promoção do desenho de humor", lê-se na mesma nota.
Refira-se que o Museu organiza anualmente o PortoCartoon-World Festival.
O espectáculo que decorreu contou com as participações, entre outros, de Carlos do Carmo, Manuel Rocha, Batoto Yetu, Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble, Paulo de Carvalho, Vitorino, Quarteto Dzvin, Maria João e Mário Laginha, Rão Kyao e Lu Yanan, Carlos Martins Septeto, Tito Paris e Bernardo Sasseti, Kumpania Algazarra, Ciganos D´Ouro, Adriana Miki, Clã e Império Suburbano.

(Fonte: Acime)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Filme "Terra Sonâmbula" recebeu Prémio de Melhor Argumento em Bursa


O filme "Terra Sonâmbula", da realizadora portuguesa Teresa Prata, conquistou o Prémio de Melhor Argumento no 3º Festival Internacional de Cinema de Bursa, na Turquia, revelou a cineasta à Lusa.
Baseada no livro homónimo do escritor moçambicano Mia Couto, a longa-metragem esteve em competição com 12 filmes provenientes da Sérvia, Palestina, Espanha, Israel, Cazaquistão, China, Turquia, Reino Unido, Hungria, Canadá e Finlândia.
O júri da competição internacional foi composto por Atilla Dorsay (jornalista), Christopher Zalla (realizador, argumentista), Fabienne Babe (actriz), Gülnara Abikeyeva (crítica de cinema), Jim Stark (produtor), Banu Bozdemir (crítica de cinema), Burçin Yalçin (guionista e crítico de cinema), e Okaran Arpaç (crítico de cinema).
"Terra Sonâmbula" conquistou também recentemente o Prémio "Save The Children" no 28º Festival de Cinema Africano de Verona, que decorreu entre 14 e 22 de Novembro em Itália.
Primeira longa-metragem de Teresa Prata, conta a história de Muidinga, um menino moçambicano que procura a família em plena guerra civil, e tem apenas dois actores profissionais no elenco: a Moçambicana Ana Magaia e a Portuguesa Laura Soveral.
Os restantes actores, incluindo o menino de 12 anos que protagoniza Muidinga (Niko Lauro Teresa), são amadores que responderam a anúncios colocados pela realizadora em jornais e na televisão moçambicanos.
A longa-metragem já foi também galardoada nos festivais de Kerala (prémio FIPRESCI, Federação Internacional de Críticos de Cinema), Pune (prémio de melhor realizador), Famafest (prémio da Lusofonia), Milão (prémio SIGNIS) e no Festival IndieLisboa deste ano (prémio do público e menção honrosa da Amnistia Internacional), onde teve estreia em Portugal.
"Terra Sonâmbula" passou entretanto pelas salas de cinema da África do Sul e Moçambique, e participou em festivais de cinema de Montreal, Rio de Janeiro, Mannheim, Teerão, Londres (Birds Eye View), Copenhaga, Varsóvia (Afrikamera), Zanzibar, Granada, Melbourne, Amesterdão (Africa In The Picture), Harare, Oslo (Films From The South) e Cartago.
A realizadora revelou que o filme abrirá a mostra Global Lens 2009, com uma dezena de filmes, no dia 14 de Janeiro do próximo ano, no Museu of Modern Art de Nova Iorque (MOMA), onde ficará por uma semana, e depois seguirá para outras 35 cidades norte-americanas, distribuída pela The Global Film Iniciative.

(Fonte: IOL)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Almoço luso-turco no Porto

A Associação de Amizade Luso-Turca vai organizar um almoço ao ar livre acompanhado de música lusa e turca no parque de merendas do Palácio de Cristal, no Porto, para celebrar o Natal português e a Festa do Sacrifício turca. A entrada é livre e gratuita e tem início a partir das 12 horas do dia 14 de Dezembro de 2008.

Nota: Em caso de chuva o evento será suspenso.

(Fonte: Associação de Amizade Luso-Turca)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Descobrir o Cinema da Turquia na Cinemateca

Entre 5 e 14 de Novembro a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema levou a cabo um ciclo dedicado ao cinema turco com o Alto Patrocínio da Embaixada da Turquia em Lisboa.
Neste início de século assiste-se a um verdadeiro (re)surgimento do cinema turco. Apostando numa produção de qualidade técnica de padrões tão elevados como os de qualquer grande “potência” europeia, a produção tem aumentado em número mas sobretudo em impacto quer a nível interno mas sobretudo a nível internacional. Filmes turcos são já uma presença constante e assídua nos principais festivais de cinema. Em 2003, "Uzak", que foi exibido nesta “mostra”, ganhou o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes e, já este ano, outro filme turco, "Pandoranın Kutusu", ganhou a Concha de Ouro para o melhor filme no Festival de San Sebastian. Quase todos os filmes apresentados neste ciclo eram inéditos comercialmente em Portugal e a sessão inaugural contou com a presença do realizador turco Semih Kaplanoğlu que apresentou os filmes "Yumurta" ("O Ovo") e "Herkes Kendi Evinde" ("Longe de Casa").

Os filmes exibidos foram os seguintes:

YUMURTA O Ovo
de Semih Kaplanoğlu
com Nejat İşler, Saadet Işıl Aksoy, Ufuk Bayraktar
Turquia/Grécia, 2007 - 97 min

A história de um poeta que, por ocasião da morte da mãe, deixa a grande cidade e regressa à sua aldeia natal. Filme contemplativo e introspectivo. Foram-lhe detectadas, por alguns críticos, influências de Camus, Tarkovski ou Bresson.

GÖNÜL YARASI Abandonada
de Yavuz Turgul
com Şener Şen, Meltem Cumbul, Timuçin Esen
Turquia, 2005 - 142 min

A história de um professor que deixa a sua aldeia recôndita e vai para Istambul ser motorista de táxi. Um filme romântico e despretensioso com uma fantástica interpretação do magnífico actor Sener Sen.

EĞRETI GELIN Noiva Emprestada
de Atıf Yılmaz
com Nurgül Yeşilçay, Onur Ünsal, Sevket Çoruh
Turquia/Grécia, 2005 - 100 min

O filme conta a história de uma rapariga contratada pelos pais de um jovem que está noivo, para ensinar a este as alegrias e os prazeres da vida de casado. É um filme entre o drama e a comédia, em que a sua força está na representação dos actores, na qualidade dos diálogos e numa mise-en-scène intimista.

UZAK Longínquo
de Nuri Bilge Ceylan
com Muzaffer Özdemir, Emin Toprak, Zuhal Gencer
Turquia, 2002 - 110 min

Este filme, que ganhou o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes de 2003, foi escrito, realizado, produzido e fotografado por Nuri Bilge Ceylan. É, pois, um projecto muito pessoal do realizador. Trata da amizade entre dois primos, um cosmopolita e outro camponês, "forçados" pelas circunstâncias a viverem juntos em Istambul. Feito sem grandes meios de produção, mas muito bem aproveitados, é um filme à medida do seu projecto.

DAR ALANDA KISA PASLAŞMALAR Fora da Europa
de Serdar Akar
com Akasya, Fatih Akyol, Müjde Ar
Turquia, 2000 - 120 min

Este filme obteve o prémio de melhor filme turco e melhor realizador turco no ano 2000, no Festival de Istambul. O filme, cuja acção decorre nos anos 80, é sobre um clube de futebol amador da Turquia. É também uma comédia romântica sobre a arte de viver do povo turco.

HERKES KENDI EVINDE Longe de Casa
de Semih Kaplanoğlu
com Tolga Çevik, Erol Keskin, Anna Bielska
Turquia, 2001 - 110 min

Primeira longa-metragem deste realizador, hoje um dos nomes mais conhecidos do cinema turco, representado também neste Ciclo por "O Ovo". Este é um filme sobre a Turquia "profunda". As raízes, a família, a terra, a herança (genética, cultural), a tentativa de fugir dela. Semih Kapanoğlu ganhou com esta sua primeira obra o prémio de melhor filme no Festival de Cinema de Istambul.

GÖNDERILMEMIŞ MEKTUPLAR Cartas Invisíveis
de Yusuf Kurçenli
com Türkan Soray, Kadir Inadir
Turquia, 2003 - 110 min

Filme que vale sobretudo pela interpretação dos dois protagonistas. Uma história de amor revivida, em que os outrora amantes se encontram vinte anos depois.

(Fonte: Cinemateca Portuguesa)

domingo, 23 de novembro de 2008

Música portuguesa na Turquia


Estes são pormenores da prateleira dedicada à World Music (Música do Mundo) numa livraria de um importante centro comercial de Ancara (Ankamall). Como se pode ver nas fotos (podem clicar em cada uma para ampliar), existem à venda colectâneas de fado, cd's de Mísia, Teresa Salgueiro e Mariza. Mas os cantores portugueses com álbuns à venda na Turquia não se resumem unicamente a estes nomes. Amália Rodrigues tem vários cd's editados na Turquia, tal como Ana Moura e os Madredeus. Todos os álbuns de Mariza podem ser encontrados na Turquia, incluindo o seu último trabalho Terra. Aliás, Mariza deu um concerto em 2007 em Istambul. Também os Madredeus já actuaram em Istambul e têm vários dos seus trabalhos editados na Turquia.
A Cabo-verdiana Cesária Évora é bem conhecida na Turquia e já actuou aqui várias vezes. Muitos dos seus cd's podem ser adquiridos na Turquia.
Já foram várias as vezes em que fui agradavelmente surpreendida pelo som de Mariza, Madredeus, Mísia ou Cesária Évora. Isso aconteceu em livrarias, supermercados e outras lojas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Istambul exibe a primeira longa-metragem de animação portuguesa


A primeira longa-metragem de animação portuguesa, “Até ao Tecto do Mundo”, chegou a Istambul, depois de ter passado por Hollywood.
A película de animação realizada por Carlos Silva, Costa Valente e Vítor Lopes, produzida pelo Cine Clube de Avanca, foi exibida no “12th Hollywood Film Festival”, no passado dia 26, às 14 horas, no complexo de cinemas Arc Light do Sunset Boulevard, no centro de Hollywood.
A longa-metragem tem viajado pelo mundo como participante em diversos festivais de cinema e tem recebido alguns prémios, nomeadamente no Canadá e Estados Unidos da América.
De 28 deste mês a 13 de Novembro, o filme integra a selecção oficial da sexta edição do “Festival Internacional de Cinema para a Infância de Istambul” (Turquia), para o qual a organização realizou a dobragem da história para a língua turca. Estão agendadas 15 exibições da película durante o certame.
A próxima paragem de “Até ao Tecto do Mundo” será na Horta, nos Açores, no Festival de Cinema do Faial.
Trata-se do primeiro filme produzido a nível mundial com uma nova tecnologia de animação vectorial 2D, desenvolvida no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro. A longa-metragem narra a história de um reino onde tudo é proibido. O seu rei constrói uma infindável torre com base na floresta vizinha, fornecedora de todos os materiais, a qual vai sendo destruída. “João” é jovem protagonista do filme que, atento à destruição da floresta, tenta salvá-la, mas apaixona-se pela princesa.

(Fonte: Diário de Aveiro)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Antália foi o grande palco do cinema



O 45º Festival de Cinema Laranja de Ouro (Altın Portakal Film Festivali ), que celebra o cinema turco, e o 4º Festival de Cinema da Eurasia (Uluslararası Avrasya Film Festivali Filmeleri), que constitui a abertura do Altın Portakal aos filmes da Europa e da Ásia, decorreram em Antália entre 10 e 19 de Outubro.
O evento reuniu um leque considerável de nomes famosos, tais como Adrien Brody, Bo Derek, Joan Chen, Mickey Rourke, Kevin Spacey, Maximilian Schell, Danny Glover e Michael York.
Brody assistiu ao filme que encerrou o evento: “The Brothers Bloom”, onde é um dos actores principais, juntamente com Maximilian Schell. Kevin Spacey também compareceu e falou bastante sobre cinema durante uma conferência de imprensa. Mickey Rourke assistiu ao filme “The Wrestler” realizado por Darren Aronofsky e no qual é protagonista. Danny Glover também marcou presença para assistir à estreia na Turquia de "Blindness" de Fernando Meirelles.
Aconteceram paralelamente workshops de escrita de argumentos, que tiveram este ano como convidado de honra o argumentista francês Olivier Lorelle.

Os prémios do 45º Festival de Cinema Laranja de Ouro (Altın Portakal) foram os seguintes:

Prémio Honorário: Yılmaz Atadeniz

Prémio de Sucesso no Cinema: Hülya Avşar

Prémio Memorial Yıldıram Önal: Müşfik Kenter

Prémio Trabalho: Aydın Mesut Yurteri

Melhor Filme: "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade) - Realizador: Ben Hopkins

Prémio Especial do Júri Dr. Avni Tolunay Yurtiçi Kargo: "Nokta" (Dot) – Realizador: Derviş Zaim

Prémio Revelação Digiturk Behlül Dal: Aydın Bulut – "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)

Melhor Realizador: Derviş Zaim – "Nokta" (Dot)

Melhor Argumento: Ben Hopkins – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Música: Mazlum Çimen – "Nokta" (Dot)

Melhor Actor: Tayanç Ayaydın – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Actriz: Nurgül Yeşilçay – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Actor Secundário: Volga Tekinoğlu – "My Marlon and Brando" & "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)

Melhor Actriz Secundária: Övül Avkıran – "Pandora'nın Kutusu" (Pandora's Box)

Melhor Cenário e Prémio Kodak - Zekeriya Kurtuluş – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Director Artístico: Türker İşçi – "Başka Semtin Çocukları" (Children of the Other Side)
Melhor Edição: Mustafa Preşeva – "Vicdan" (Conscience)

Melhor Efeito Sonoro: Kostasvi Variopiotis – "Nokta" (Dot)

Melhores Efeitos Especiais: Burak Balkan – "Üç Maymun" (Three Monkeys)

Melhor Fotografia: "Gökten 3 Elma Düştü" (3 Apples Fell from the Sky) & "Vicdan" (Conscience)

Melhor Guarda-roupa: Zeynep Sırlıkaya – "Pazar - Bir Ticaret Masalı" (The Market – A Tale of Trade)

Melhor Maquilhagem e Cabelos: Vesey Üsten – "Vicdan" (Conscience)

Prémio SİYAD: "Hayat Var" (My Only Sunshine) – Realizador: Reha Erdem

Melhor Documentário: "Adakale Sözlerim Çoktur" (Adakale Stories) – Realizador: İsmail Arasan

Prémio Especial do Júri para Documentário: "Nefes" (Breath) – Realizador: Cüneyt Birol

Melhor Curta-metragem: "Gemeinschaft" – Realizador: Özlem Akın

Prémios de Cultura e Arte do Ministério da Cultura e Turismo da República da Turquia: Muhterem Nur, Eşref Kolçak, Yücel Çakmaklı

Prémio (Fundo) para o Desenvolvimento do Argumento:
"A Handful of Fate" – Ali Vatansever

Os prémios do 4º Festival de Cinema da Eurasia foram os seguintes:

Prémios honorários: Kevin Spacey, Paul Verhoeven, Maximilian Schell, Zbigniew Preisner e Michael York

Prémios Contribuição para o Cinema e Arte: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Adrien Brody, Matthew Modine e Michael J Werner

Melhor Filme: "Khamsa" – Realizador: Karim Dridi

Melhor Realizador: "Aruitemo Aruitemo" (Still Walking) – Realizador: Hirokazu Koreeda

Prémio SİYAD: "Üç Maymun" (Three Monkeys) – Realizador: Nuri Bilge Ceylan

Prémio NETPAC: "Sonbahar" (Autumn) – Realizador: Özcan Alper

Prémio da Crítica: "Nokta" (Dot) – Realizador: Derviş Zaim

Fonte: Notícias da Turquia

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Fatih Akin: o cineasta com um hífen na identidade


Para além da cara de estrela rock com intensidade de melodrama, Fatih Akin transporta na sua bagagem um hífen, o sinal que também se utiliza quando se quer grafar, em algumas línguas, uma identidade fluida, que está por aprisionar. "German-turkish" para uns, "turkish-german" para outros - depende de onde se olha -, nasceu em Hamburgo, Alemanha, há 35 anos, filho de pais turcos. Fatih já ironizou: a partir do momento em que recebeu um Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2004, pelo tonitruante "A Esposa Turca", filme com o qual passou a ser considerado ícone de um renascimento do cinema alemão (comparações a Rainer Werner Fassbinder e tudo...), os alemães reclamaram-no - é Alemão de origem turca -, mas os Turcos também - é um Turco que emigrou para a Alemanha, dá jeito, para solidificar a imagem internacional da cinematografia turca, pô-lo ao lado de nomes como o de Nuri Bilge Ceylan, realizador de "Climas".

Fatih revê-se na ambivalência, usa-a com proveito. Definitivamente: como chamá-lo?
"Não me interessa o que sou", responde ao Ípsilon. "Reajo consoante a situação. Durante o Europeu de futebol, por exemplo, quando a Alemanha jogou contra a Turquia eu era pela Turquia. Mas quando a Alemanha jogou contra Portugal, eu fui pela Alemanha." E completa: "Quando os meus pais vieram para a Alemanha, eram considerados trabalhadores imigrantes, eram 'convidados'. As pessoas não os consideravam Alemães. Agora sim, são considerados Alemães. Há uma forma mais relaxada de os Alemães tratarem os imigrantes. Estão a fazer o melhor que podem. Na América isso não aconteceria, seríamos sempre considerados convidados."

Em trânsito

Isto serve como introdução ao tema "globalização" e à condição de Fatih Akin, realizador/argumentista que está, ele assume-o, nas seis personagens que escreveu para "Do Outro Lado": um pai, um filho, uma prostituta, uma activista política (Turcos), uma mãe, uma estudante lésbica (Alemãs), que se encontram e - com consequências cinematográficas mais relevantes - se desencontram no trânsito entre o centro da Europa e os seus confins. Ou seja, entre Bremen e Istambul. "São todas personagens baseadas na minha biografia, nas minhas experiências, nos meus desejos", diz.

Mas não se diga a Fatih Akin que são personagens à procura das "raízes". "Isto não tem a ver com Kunta Kinte, isto não é 'Raízes' [personagem e série de TV, do final dos anos 1970, baseada no romance de Alex Haley]. Eu diria que as personagens estão à procura de uma paz interior. Por causa da globalização, as pessoas hoje falam muito do desejo de regressar às suas origens. Isso pode transformar-se em algo próximo do chauvinismo - vê-se isso nos jogos de futebol. Não gosto disso. Não preciso de acontecimentos desportivos para expressar os meus sentimentos de pertença. Nasci na Alemanha e cresci com pessoas de todo o mundo. Isso foi uma dádiva. Não teria sido assim se tivesse nascido em outro lugar. Fazermos as nossas escolhas pela nacionalidade é um sinal de fraqueza. Estou na casa dos 30 anos, muitas pessoas da minha idade, amigos incluídos, lutam de forma apaixonada contra a globalização. Eu faço filmes, não me ponho aos berros contra a polícia. Não sou contra a globalização, ser contra a globalização é como ser contra as leis de Newton. Há muitos aspectos positivos na globalização."

Confere que existe algo a que podemos chamar apaziguamento ou aceitação - para além dos episódios de turbulência e morte que sacodem estas vidas - na condição caótica e contraditória das personagens que estão em trânsito em "Do Outro Lado". São figuras que transportam uma identidade que nem um hífen pode resumir: uma jovem turca, membro de um grupo radical anti-globalização, refugia-se na Alemanha onde a mãe trabalha como prostituta - ela não o sabe, pensa que a mãe trabalha numa sapataria. Nunca chega a encontrá-la, mas encontra uma rapariga alemã que se apaixona pelo seu fervor revolucionário (e a Turca apaixona-se pela paixão da Alemã) e cuja mãe é interpretada por Hannah Schygulla ("musa" de Fassbinder).

Mas entretanto, antes disso, ao mesmo tempo que isso...

A prostituta, identificada por fundamentalistas islâmicos, é obrigada a abandonar o "red light district" de Bremen onde trabalha e a aceitar a proposta de casa, mesa, roupa lavada e mais alguma coisa de um velho imigrante turco (interpretado por Tuncel Kurtiz, em tempos actor de um "clássico" da cinematografia turca, o realizador Yilmaz Güney), cujo filho é professor de Literatura Alemã - se Fatih é todas as personagens, ele é especialmente este Turco de segunda geração na Alemanha, especialista em Göethe.

O realizador enche-se de subtilezas em "Do Outro Lado", o que é uma surpresa tendo em conta o som e a fúria do anterior filme, "A Esposa Turca". Refreia-se, escolhe a lentidão, concentra-se no legado que uma personagem passa a outra - é a morte de alguém que desencadeia a(s) narrativa(s) -, interessa-lhe o trânsito mais do que os lugares. Que se equivalem, Bremen ou Istambul, sem exotismos. "Sim, para mim, os espaços têm a ver com as pessoas." Quanto à morte... digamos que em "Do Outro Lado" ela é um princípio regenerador da narrativa. "Quando chegamos aos 30 anos, começamos a pensar que a morte faz parte da vida, que é uma coisa mais determinante filosoficamente - por isso até há quem se torne religioso. É o mesmo em todas as culturas. Quis fazer um filme positivo, sobre a vida. A morte é parte da vida. É a regra. E em termos de construção do filme foi na montagem que decidi, não estava no argumento, que seriam as mortes das personagens a dar origem à narrativa que se seguia. Escolhi um ritmo lento, precisava de um certo efeito de suspense, um efeito hithcockiano", por isso estas mortes são anunciadas no ecrã em fundo negro.

Fassbinder ou não

Fatih Akim chegou ao cinema através da actividade como actor. A cinefilia não foi educada em escola de cinema, foi feita à imagem da sua identidade: sem hierarquia, porque o cinema é tão "vasto, tão 'world-wide'", porque o DVD anula as fronteiras entre passado e presente. "Não posso dizer que tenha sido fã da 'nouvelle vague' ou do neo-realismo'." Essas descobertas chegaram tarde. "Vi muitos filmes turcos e muitos filmes de Spielberg. O cinema que descobri nos anos 1980 foi o cinema 'entertainment'; o cinema de 'arte e ensaio' só o descobri aos 16 anos, Bergman, Woody Allen, Coppola." E "Rocky" e "Taxi Driver", de Scorsese, a primeira vez que percebeu havia um cineasta atrás de um filme. Recentemente, quando se preparava para "Do Outro Lado", descobriu Griffith e Bresson.

Tanto é posto ao lado de Tom Tykwer ("Corre, Lola Corre"), o seu colega alemão fascinado pelo maquinismo industrial, como há quem encontre uma genealogia "fassbinderiana" na sua leitura da sociedade alemã de hoje. Há quem parta do pressuposto, em artigos inteiros, que "A Esposa Turca" e "Do Outro Lado" fazem parte de uma trilogia com que Akin responderia, à sua maneira, a uma trilogia de Fassbinder ("O Casamento de Maria Braun", "Lola", "A Saudade de Veronika Voss"). A escolha de Shygulla para o papel de mãe em "Do Outro Lado" confirmá-lo-ia. Essa trilogia, diz-nos Akin, a "Love, Death and the Devil Trilogy", por agora até está interrompida. Provavelmente nunca se completará. O realizador anda ocupado com um documentário sobre o tratamento de lixo em Istambul. Mas para além disso, "não há um 'link' muito óbvio", assume, com Fassbinder. Gosta muito de algumas coisas dessa obra, como "O Medo Come a Alma" ou "O Casamento de Maria Braun", mas não gosta dos filmes do princípio - o que não é nada "fassbinderiano", aliás.
"Ele é muito formalista, e eu não sou nada, não vejo onde é que está a razão para as comparações. É claro que ele foi o realizador alemão mais importante de todos os tempos, depois daqueles que fugiram para Hollywood. Mas não posso dizer que seja o meu mestre."

(Fonte: Público)