quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os Portugueses Ram e Mar estão em Istambul


Gonçalo Ribeiro (Mar) e Miguel Caeiro (Ram), dois artistas de graffiti portugueses, estão em Istambul desde o dia 8 de Setembro a convite Eastpak para pintarem mochilas da marca.

O evento designa-se "Tag my Pak" e desenrola-se em diferentes locais:

8 de Setembro: Ayakkabı Dünyası Capacity

9 de Setembro: Ayakkabı Dünyası Nautilus

10 de Setembro: Bağdat Caddesi Sportworks

11 de Setembro: Akmerkez

12 de Setembro: İntersport Kanyon

13 de Setembro: Boyner İstinye Park

14 de Setembro: Boyner Şaşkınbakkal

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Cinema turco no Festival de Veneza


O realizador Semih Kaplanoğlu está a construir uma trilogia sobre a vida de um poeta chamado Yusuf. Começou com "Egg" (2007), há-de haver "Honey", por agora temos "Milk" nesta caminhada em direcção à infância de uma personagem. Depois do Yusuf maduro do filme anterior, encontramos Yusuf rapaz: admissão à faculdade recusada, a publicar os seus poemas em obscuras revistas literárias, a viver com a mãe no campo, na Anatólia, onde o negócio do leite que os dois gerem vai mal.
Pode dizer-ser que é um filme sobre o "velho e o novo" na sociedade turca, sobre as contraditórias aspirações de quem é apanhado nas mudanças. O "leite" do título original permitirá aproximações psicanalíticas a esta história em que as personagens são uma mãe e um filho. Mas "Milk" não é um filme "sobre"... Progride por sinais, indícios, manifestações de uma metafísica secreta, secreta como a relação entre a mãe, que mantém um affair que desestabiliza Yusuf, e o filho que não sabe o que fazer aos laços que o prendem à infância.
Kaplanoğlu diz que a relação mãe-filho na sociedade tradicional turca é uma das razões por que os jovens turcos têm tanta dificuldade em fazer a transição mental da infância para a idade adulta.

"Süt" (Milk) de Semih Kaplanoğlu (Turquia, França Alemanha)
com Meli Selçuk, Başak Koklukaya, Serif Erol
Venezia 65 - Selecção Oficial - em competição

(Fonte: Público)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A Turquia celebrou o Dia da Vitória (Zafer Bayramı)




O dia 30 de Agosto, feriado nacional na Turquia, marca o Dia da Vitória (Zafer Bayramı) sobre os Gregos em 1922, facto muito importante para a formação da República Turca em 1923.
Acrobacias aéreas e desfiles militares são os actos mais marcantes deste dia, e são presenciados ao mais alto nível pelo Exército e Governo, em Ancara, no centro cultural Atatürk (Atatürk Kültür Merkezi).

(Fotos: AFP)

domingo, 31 de agosto de 2008

Instituto Camões exibe filme de Fatih Akin em Angola

O filme do realizador germano-turco Fatih Akin intitulado “A esposa turca” foi exibido no dia 29 deste mês no Instituto Camões, em Luanda. Segundo uma nota da embaixada alemã em Angola, em parceria com a Fundação Ebert, a exibição visa partilhar com o povo angolano um dos filmes mais aclamados dos últimos tempos na Europa. O filme é vencedor de vários prémios, incluindo o Urso de Ouro de Berlim em 2004, o de academia do cinema europeu de 2005 e o Espanhol de Goya em 2005. A película descreve a história de uma jovem turca que se casou com um Turco na Alemanha para fugir da casa dos pais e das suas ideias conservadoras.

(Fonte: Jornal de Angola)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Uma estrada para o fim do mundo...



Há sempre uma estrada a trespassar a paisagem nos filmes de Orhan Eskiköy e Özgür Doğan, e onde ela acaba há-de ser um fim de mundo, remoto, inóspito, atolado em neve. É justo que comecem "on the road" os filmes desta dupla de realizadores, porque o sentido é de descoberta, pelo menos para o espectador: vista do atlas deles, a Turquia próspera e candidata à União Europeia que tem sobressaído nos últimos anos é que parece distante - nem sequer existe.
"Os nossos filmes tentam contar histórias invisíveis," diz Orhan Eskiköy, 28 anos, por "mail". Histórias do interior da Turquia, que os Turcos talvez preferissem não ver (o Governo, certamente, prefere). "Histórias sobre pessoas que não têm voz." Um filho pródigo regressa a casa depois de nove anos de prisão, um Romeu sunita e uma Julieta xiita, Babel linguística numa escola primária no fim da Turquia, histórias assim.
Dois filmes de Orhan Eskiköy e Özgür Doğan vão ser mostrados hoje e domingo no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, às 22h30, concluindo o ciclo de documentários organizado pela Apordoc/DocLisboa para o Festival CCB Fora de Si, onde a principal preocupação parece ter sido a de exibir cinematografias habitualmente ausentes das salas portuguesas - filmes do Uruguai, do Bangladesh e, agora, da Turquia. Na verdade, de Orhan Eskiköy e Özgür Doğan não se vão ver dois filmes, mas um filme e uma amostra, "Hayaller Birer Kırık Ayna" ("Each Dream is a Shattered Mirror"), e "İki Dil Bir Bavul" ("On the Way to School"), respectivamente o primeiro e o próximo títulos da filmografia dos realizadores.
Este último é sobre um professor turco que chega a uma aldeia para ensinar crianças que só falam Curdo: como vão comunicar? É uma amostra, dizia-se, mas convém não subestimá-la: são 15 minutos, mas de corpo inteiro. A figura solitária do professor recortada contra uma comunidade impenetrável, a silenciosa intimidade da câmara quando entra no interior das casas, a noção de tempo, o sopro burlesco (os momentos em que a impotência se transforma em comédia, como numa peça de teatro absurdo), anunciam um filme que vamos querer ver.
Não se sabe quase nada sobre Orhan Eskiköy e Özgür Doğan, para além da lista de festivais de cinema documental por onde os seus filmes têm passado. São ainda muito jovens, talvez lhes falte ainda o "breakthrough" (é agora, diz Eskiköy, vai ser com "On the Way to School"), mas chegam com boas recomendações: Nuri Bilge Ceylan, realizador de "Uzak" ("Longínquo") e "Climas", o único cineasta turco contemporâneo conhecido em Portugal, ofereceu-lhes parte de um prémio monetário que lhe foi atribuído no Festival de Cinema de Istambul em 2003. "Em 2002, Nuri Bilge Ceylan foi o único jurado de uma competição na Turquia. Ele não deu nenhum prémio ao nosso filme. Mas quatro ou cinco meses depois, durante a cerimónia de entrega de prémios no Festival de Cinema de Istambul, deu-nos parte do seu próprio prémio. Numa entrevista, disse que tinha visto o nosso filme outra vez, depois da competição, e que ficou muito impressionado. Ficámos muito surpreendidos mas nunca o chegámos a encontrar para lhe agradecer," explica Orhan Eskiköy.
Orhan e Özgür conheceram-se na faculdade, em Ancara. Özgür, um pouco mais velho, precisava de fazer um documentário para acabar o curso, Orhan, que estava no segundo ano de Relações Públicas, tinha umas ideias, e juntos fizeram o primeiro filme. "Decidimos contar a história do irmão de Özgür. Ele estava preso por causa das suas ideias políticas. Mas a sua libertação seria em breve." "Each Dream is a Shattered Mirror" (título pungente para um filme pungente: cada sonho é um espelho estilhaçado) é o primeiro documentário da dupla. Lá está a estrada e o fim do mundo: alguém se pôs a caminho, é aquele de que todos falam, pai, mãe e irmã. Até ele chegar, no último terço do filme, o seu caso é apresentado: Çoskun foi estudar para a cidade, mas foi preso por causa do seu activismo político, para vergonha do pai, aflição da mãe e hipotecando o futuro da irmã, que abdicou dos estudos para ficar com os pais. Nunca saberemos o que fez Çoskun para ser preso, a única coisa que diz é que isso aconteceu por ter expressado o seu pensamento. "Há um padrão que nos é imposto. Toda a gente é obrigada a obedecer. Quem se opõe é preso. Não são casos excepcionais, uma, duas, três pessoas. São milhares de pessoas," diz Çoskun no filme. Nunca a palavra "Curdo" é mencionada, é o drama da desintegração familiar que ocupa o primeiro plano, mas os realizadores têm-se mostrado sensíveis à causa curda em filmes posteriores.
Como é que os média lidam com a questão curda e qual a percepção que existe na sociedade turca? "É difícil responder," diz Orhan. "Não conhecemos a realidade. O Governo turco gastou 300 mil milhões de dólares nesta guerra em 30 anos. Podíamos ter construído a Turquia três vezes com esse dinheiro. O Governo mente, servindo-se dos média, e as pessoas acreditam. Há dez anos os Curdos queriam territórios. Mas agora querem direitos democráticos, como aprender a sua língua, serviços de saúde, investimentos económicos, etc..."
Todos os anos, o Governo turco destaca professores recém-licenciados para escolas de aldeias curdas. O Curdo é a língua oficialmente não reconhecida na Turquia, apesar de ser a língua-mãe do segundo maior grupo étnico do país (calcula-se que entre 10,6 e 15 milhões de Curdos vivam na Turquia, o equivalente a 20 por cento da população). Orhan e Özgür filmaram "On the Way to School" ao longo do último ano lectivo, numa aldeia junto à fronteira com a Síria, um fim de mundo. "O Governo limitou-se a pôr lá uma bandeira e esqueceu todas aquelas pessoas," diz Orhan.
Perguntamos-lhe como conseguem fazer filmes sobre temas críticos e escapar ilesos. "Não somos realizadores conhecidos, portanto ninguém deu por nós durante a rodagem. Mas depois de 'On the Way to School' vamos ser notados." Lembrem-se onde é que o viram primeiro.

(Fonte: Público)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Cinema turco no CCB



Nos dias 29 e 30 de Agosto, vai ser exibido às 22.30 horas no pequeno auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), o filme turco "Hayaller Birer Kırık Ayna" ("Cada Sonho é um Espelho Estilhaçado") de Orhan Eskiköy e Özgür Doğan. A entrada é livre.



Çoskun é o filho mais velho de uma família que vive numa aldeia remota da Anatólia e que é preso como activista político durante o seu segundo ano de faculdade. O filme narra as consequências que o afastamento do filho provoca no seio da sua família nuclear, durante os nove anos de cativeiro. O filme termina com o regresso de Çoskun...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Evento no Brasil discute obra de Orhan Pamuk

O evento "Outros Papos", do Instituto Lacaniano Ágora, discutirá no Sábado às 10h00, a obra "A Neve" do autor turco Orhan Pamuk, Prémio Nobel de Literatura.
Em 2006, ano em que Pamuk foi premiado, o júri do Nobel afirmou que o autor, "em busca pela alma melancólica da sua cidade natal, descobriu novos símbolos para o combate e a mistura de culturas".
Na sua obra, sobretudo em "A Neve", Pamuk mostra um país dividido entre o ocidente e o oriente, com muitos personagens exilados, divididos entre um passado glorioso do Império Otomano e uma actualidade de conflitos religiosos.
Na edição anterior o evento reuniu advogados, juízes, jornalistas e estudantes de jornalismo, psicanalistas e professores universitários para discutir a obra de Imre Kertész, escritor húngaro sobrevivente do Holocausto e galardoado com o Nobel em 2002.
Os encontros, onde são feitas leituras de trechos das obras e de informações biográficas dos autores, são seguidos de debates com os participantes.
No ultimo debate, a visão de Kertész sobre a absurda burocracia nazi serviu de reflexão sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira, como a corrupção e os desafios enfrentados pela justiça.
A exposição da obra será feita pela psicanalista Andréa Brunetto. O encontro acontece na Livraria Intelectus na Rua Barão do Rio Branco, 1680 (entre Rui Barbosa e Pedro Celestino) - Campo Grande, Brasil. A entrada é franca.

(Fonte: Campo Grande News)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Erasmus: Da Turquia para o Porto


Ayçin e Füsun vêm da Turquia e estudam matemática pura na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A estudarem juntas há quatro anos na cidade de Bursa, as duas amigas escolheram Portugal entre os vários destinos possíveis para fazerem Erasmus e, até agora, não têm «nada de mal a dizer do Porto».
Estão felizes com a escolha, dizem que estão numa boa universidade de uma boa cidade com bom tempo e, principalmente, que os Portuenses «são muito simpáticos e amigáveis, como nós». A Ribeira é a zona de eleição de Ayçin e Füsun na cidade do Porto, «quando nos aborrecemos em casa vamos para lá», dizem.
Na chegada a Portugal a língua apresentou-se como um grande obstáculo e a primeira semana foi muito difícil. O Português é muito diferente do Turco, principalmente na pronúncia e nas distinções entre masculino e feminino. Mas depois do curso intensivo oferecido pela Universidade do Porto, onde conheceram outros estudantes Erasmus provenientes de vários países diferentes tudo se tornou mais fácil. Mesmo assim confessam: «alguns dos nossos amigos riem-se de nós quando falamos».
Na adaptação à cidade invicta sentem-se «sortudas» pela ajuda dos Buddies, alunos da Universidade destacados pela ESN-Porto (Erasmus Student Network) para acompanhar os alunos de Erasmus. Quando chegamos «foram buscar-nos ao aeroporto com três carros e mostraram-nos a cidade», diz Füsun. As duas contam que nas primeiras semanas os Buddies ajudaram-nas a encontrar casa e ainda lhes fizeram as compras do supermercado no dia em que se mudaram.
As duas amigas afirmam que não sentiram muito o choque cultural e explicam que a Turquia é um país grande «com muitas culturas diferentes» e que a zona onde vivem, no noroeste do país, é mais europeia, pelo que «há algumas semelhanças». No entanto, afirmam que os Portugueses são «muito relaxados».
Dentro das poucas diferenças, realçaram a grande curiosidade dos Portugueses quando veêm um acidente de automóvel. «Não percebemos porquê que toda a gente pára quando vê um acidente. São coisas que acontecem, sigam em frente», diz Ayçin.
A adaptação à faculdade não foi difícil, já que as cadeiras são bastante semelhantes. No entanto, sublinham que na Turquia há regras mais rígidas e mais respeito para com os professores. Füsun diz mesmo que ficaram «chocadas» da primeira vez que viram um colega a sair da sala a meio de uma aula sem pedir autorização.
Apesar das claras dificuldades com a língua, Ayçin e Füsun vão à maioria das aulas na Faculdade de Ciências, onde os professores as ajudam bastante. «Os professores vão-nos fazer os exames em Inglês e os trabalhos de casa também são em Inglês», afirmam.
A semana da Queima das Fitas foi muito divertida para as duas alunas Erasmus que até foram «ao cortejo com a cartola». Os amigos explicaram-lhes o significado das actividades académicas e perceberam tudo o que se passou.
As dificuldades de comunicação em Português são responsáveis pelas situações mais caricatas que aconteceram às duas estudantes turcas, principalmente porque, excepto os jovens, muito pouca gente fala Inglês. Ayçin conta que um dia precisavam de uma corda da roupa e decidiram ir à loja por baixo do prédio onde vivem, «como não víamos a corda em lado nenhum tentamos explicar ao senhor». Como o senhor não falava Inglês e elas não sabiam a palavra em Português, demoram muito tempo até que se conseguiram fazer entender e, quando finalmente conseguiram, o dono deu-lhes a corda de graça.
Noutra situação, estavam muito aborrecidas numa aula e decidiram ir embora. Ficaram muito admiradas porque logo que saíram toda a turma saiu atrás delas, até que alguém lhes explicou que «antes de sairmos o professor tinha dito que a aula estava terminada, mas nós não percebemos», contam.
As duas amigas mostram-se bastante agradecidas pela hospitalidade das pessoas do Porto, que estão sempre prontas a ajudar. «No primeiro dia de faculdade não sabíamos mexer na máquina do café. O segurança ajudou-nos e explicou-nos como funcionava, sem lhe pedirmos nada», diz Ayçin. Noutra ocasião, «a Ayçin não tinha trocos para carregar o cartão das fotocópias e o segurança emprestou-lhe. Na Turquia isso não acontece», conta Füsun. As duas sublinham que «é bom ver estas coisas».
Apesar de toda a simpatia dos amigos portuenses, Ayçin e Füsun realçam algo estranho nos seus colegas da faculdade. «Toda a gente se interessa por nós e sabem quem nós somos. Falam sobre nós e ninguém fala connosco», conta Ayçin. A verdade é que as duas Turcas provocam alguma curiosidade e «muita gente acha que somos muito diferentes», especialmente pelo facto de serem muçulmanas.
«Tentamos mudar a ideia pré-concebida dos muçulmanos», dizem. Quando as pessoas lhes perguntam se na Turquia todas as mulheres têm de usar o lenço na cabeça explicam que «o lenço é uma escolha» de cada uma. «Cada um cumpre as regras da sua religião como quiser», realça Füsun. Em tom de brincadeira, Ayçin diz: «se calhar não somos boas muçulmanas, também bebemos álcool e supostamente não devíamos».
As viagens organizadas pela ESN-Porto e os amigos que as ajudaram são as melhores recordações que vão levar de Portugal. «Temos muita sorte com as actividades que organizam para nós, nunca nos aborrecemos», diz Füsun.
«Antes de vir tínhamos uma ideia pré-concebida da Europa, achávamos que as pessoas não eram simpáticas», confessa Ayçin, agora lamentam só ter vindo para o Porto no segundo semestre e não no início do ano. «Se tiver oportunidade de voltar, venho».

(Fonte: IOL Diário)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008