sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Começou o jejum do Muharrem para os Alevitas


Começou ontem o mês de Muharrem, o primeiro mês do calendário islâmico. Com o mês de Muharrem, começa também o jejum de Muharrem (Muharrem orucu), praticado pelos Alevitas (Aleviler).

Os Alevitas são um grupo religioso vasto que se estima ter entre 12 a 20 milhões de seguidores na Turquia. A cultura e religião onde se inserem é chamada de Alevismo (Alevilik), e os seus seguidores são sobretudo de etnia turca. A sua origem terá sobretudo influência xiita, tratando-se de um ramo específico do Xiismo. No entanto, existem divisões no seio dos Alevitas relativamente ao facto do Alevismo estar ou não inserido no Islão.

O jejum de Muharrem acontece nos primeiros 12 dias do mês do Muharrem, ou 20 dias após o Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı). Os Alevitas, para além de não consumirem alimentos do nascer ao pôr-do-sol, também não bebem água e não consomem carne durante os 12 dias. Também não utilizam facas, nomeadamente, para cortar os alimentos, e os homens não fazem a barba, uma vez que Hüseyin, o filho de Ali, foi assassinado com uma faca. Em vez de água ingerem outros líquidos e evitam também qualquer tipo de conforto e prazer durante estes dias.
Este sacrifício pretende lembrar o assassínio do filho de Ali, Hüseyin, durante a Batalha de Karbala. Ali, o genro de Maomé, constitui a figura central do Alevismo.

Os Alevitas têm várias diferenças culturais, ideológicas e religiosas relativamente aos Muçulmanos sunitas, que são a maioria da população turca. Uma dessas diferenças é o facto de não observarem o jejum do Ramadão. Em contrapartida praticam o jejum do Muharrem que não é praticado pelos Muçulmanos sunitas. Tal como acontece com os Muçulmanos sunitas relativamente ao jejum do Ramadão, nem todos os Alevitas observam o jejum do Muharrem.

Apesar de terem grande expressão na população da Turquia, os Alevitas não têm, nomeadamente, apoio do Governo para a criação e manutenção das suas casa de culto (cemevi), uma vez qu não frequentam mesquitas.

Pela primeira vez, o Governo turco, à semelhança do que faz no Ramadão, decidiu sentar-se à mesa com os Alevitas para uma cerimónia do iftar. O iftar é a refeição que marca o fim do jejum no Ramadão e no jejum do Muharrem. Os Alevitas contestaram esta atitude, alegando que precisam de acções concretas e não de espectáculos.


Sobre Hüseyin Sermet


Hüseyin Sermet é conhecido do público português por ter gravado a quatro mãos com Maria João Pires, e por ter actuado no concerto de abertura dos Dias da Música 2007. Regressou ontem ao Centro Cultural de Belém para participar no Ciclo de Piano Beethoven 2008.
Hüseyin Sermet nasceu em Istambul em 1955. Ingressou no Conservatório de Ancara aos 10 anos. Em 1968 recebeu uma bolsa do governo turco para estudar em Paris, para onde se mudou e onde vive actualmente. No Conservatório de Paris estudou piano e composição com Thierry de Brunhoff, Marcia Curcio, Nadia Boulanger e Olivier Messiaen. Recebeu vários prémios em concursos internacionais (Santander, Reine Elisabeth, Bruxelas, Geza Anda, Zurique). A partir de 1976 iniciou uma brilhante carreira internacional actuando na Europa, México, EUA e Japão. Tem tocado com importantes orquestras como a Radio France, Orquestra Nacional da Bélgica e a NHK de Tóquio, English Chamber Orchestra, Tonhalle Orchestra de Zurique, sob a direcção de Ferdinand Leitner, e Detroit Symphony Orchestra dirigida por Antal Dorati. Tocou também música de câmara com Rostropovich, Bashmet, Maria João Pires, Raimondi, Portal e com maestros, como Semyon Bychkov, Alain Lonbard, Antal Dorati, Lawrence Foster, Ferdinand Leitner e Lorin Maazel. A sua primeira gravação foi música de Schubert, a quatro mãos, com a pianista Maria João Pires, seguida de um CD de Rachmaninov e ainda uma terceira de Beethoven. Foram muito aplaudidas pela imprensa europeia. As duas gravações seguintes com música do século XX conquistaram o "Choc de la Musique" da revista francesa Le Monde de la Musique. As suas gravações com a música de Florent Schmitt foram galardoadas com o Diapason d'Or, Grand Prix de la Nouvelle Académie du Disc, em Paris, e MIDEM Classical Award. Hüseyin Sermet é desde 1988 Doutor Honoris Causa da Universidade de Boğaziçi de Istambul e desde 1998 da Universidade de Marmara. Em 1991 foi eleito "State Artist" na Turquia.
É também compositor. A Orquestra Sinfónica de Tóquio encomendou-lhe uma obra, Rêve et Cauchemar, criada em 2001, e actualmente está a trabalhar noutra encomenda, Sculptures.

(Fonte: Jornal Inside)

Pianista turco Hüseyin Sermet no CCB


No âmbito do projecto Beethoven 2008, está a decorrer no Centro Cultural de Belém (CCB), desde o dia 8 de Janeiro e até ao dia 22 deste mês, um ciclo de piano que inaugura a homenagem a Ludwig van Beethoven, nos 200 anos do célebre concerto de Viena.
Depois de ter participado no Festival Dias da Música, em Abril de 2007, com uma participação no concerto de inauguração, Hüseyin Sermet, o premiado pianista turco, regressou ontem ao CCB. Hüseyin Sermet contribuiu para o ciclo de piano dedicado a Beethoven com a interpretação de três sonatas e de 32 Variações para piano sobre um tema original do compositor alemão.

Programa:

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 32 Variações para piano sobre um tema original em Dó menor, WoO 80; Sonata nº 17, em Ré menor, opus 31/ 2 "A Tempestade"; Sonata nº 24, em Fá sustenido maior, opus 78; Sonata nº 30 em Mi maior, opus 109.

(Fonte: Público)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Feliz 2008!


A Turquia não fugiu à regra e recebeu o Novo Ano de forma entusiasta. A forma como os Turcos celebram a passagem do Ano não difere muito da dos Portugueses, por exemplo. No entanto, podemos dizer que é um misto entre o Natal e o Carnaval, para além da sua própria especificidade.

Montra de loja no centro de Ancara.
aqui referi a forma como as decorações de algumas lojas e centros comerciais fazem lembrar as natalícias, e também o facto de alguns Turcos fazerem árvore e arranjos "de Natal" nas suas casas.

Venda de azevinho e pinheiros no centro de Ancara.

O traje de Pai Natal, particularmente o seu barrete, também ocupa lugar de destaque durante as celebrações de Ano Novo na Turquia. Para além dos barretes de Pai Natal, muitas pessoas colocam chapéus cónicos de festa nas cabeças e as tradicionais fitas que costumam decorar as árvores de Natal ao pescoço. Ouve-se nas ruas e locais de festa um barulho muitas vezes ensurdecedor de apitos e de outros equipamentos sonoros que fazem lembrar o Carnaval, nomeadamente "bombinhas" e pequenos foguetes. Não faltam também os disparos para o ar e o fogo de artifício.

Venda de adereços para a celebração do Ano Novo - Ancara.


Pacotes de roupa interior vermelha à venda no centro de Ancara.

As tradições mais populares por terras da Anatólia no que diz respeito a receber o Novo Ano são: bater em tachos, bater testos, atirar romãs pela janela, usar roupa interior vermelha, entre outras... É também tradição comprar bilhetes de lotaria de Ano Novo e verificar os resultados um pouco antes da meia-noite.


Em termos gastronómicos, o perú também é presença comum nas mesas, entre outras iguarias, tudo bem acompanhado com raki e outras bebidas alcoólicas. No entanto, o champanhe não parece reunir muitos adeptos, assim como os brindes e o comer das doze passas à meia-noite. Nessa altura as pessoas distribuem beijos, abraços e desejos mútuos de Bom Ano, quer se encontrem em casa, num restaurante, bar, discoteca ou nas praças das principais cidades.


Ver também: O Natal e o Ano Novo na Turquia
Destaques da Ceia de Ano Novo

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O Natal e o Ano Novo na Turquia

O Natal na Turquia
Pai Natal na montra de uma loja em Ancara

A Turquia, como país muçulmano que é, não celebra o Natal. No entanto, muitos dos símbolos do Natal, como o Pai Natal, a árvore de Natal e as iluminações típicas do Natal já enfeitam as montras de algumas lojas e estão espalhados pelo interior e exterior dos centros comerciais.

O Natal na Turquia
Árvore de Natal na entrada de um centro comercial de Ancara

Estas decorações marcam a chegada, não do Natal, mas sim do Ano Novo. Também se encontram à venda todos os enfeites típicos do Natal, e alguns Turcos muçulmanos fazem a árvore de Natal nas suas casas para receberem o Ano Novo. Também é tradição a troca de presentes no Ano Novo.

Meias de Natal
Meias de Natal com motivos dos tapetes turcos

O Natal na Turquia
Enfeites de Natal no interior de um centro comercial de Ancara

Vive na Turquia uma minoria cristã com relativa expressão que celebra o Natal e cumpre as suas tradições, composta na sua maioria por cristãos ortodoxos que celebram o Natal no dia 7 de Janeiro.
Algumas igrejas estão encerradas ao culto e funcionam como museu. No entanto, existem diversas igrejas onde os cristãos podem praticar o seu culto e cumprir o seu calendário litúrgico, nomeadamente o Natal. Istambul tem várias igrejas abertas ao culto, enquanto que em Ancara praticamente só existem as que funcionam nos jardins de algumas embaixadas. Este ano o Ministério da Cultura decidiu abrir também ao culto a igreja de São Nicolau, em Demre, na província de Antália.

O Natal na Turquia
Pais Natal vendem lotaria do Ano Novo no interior de um centro comercial de Ancara

A Turquia tem mais a ver com o Natal do que aquilo que geralmente se pensa, e até do que aquilo que os próprios Turcos pensam. O São Nicolau, que inspirou a figura do Pai Natal, nasceu e viveu no século IV na Turquia, mais precisamente em Demre, na costa do Mar Mediterrâneo. Também a primeira celebração do Natal teve lugar na Turquia.

O Natal na Turquia
Montra de loja num centro comercial de Ancara

No entanto, actualmente, quer o dia 25 de Dezembro para os católicos, quer o dia 7 de Janeiro para os ortodoxos, passa praticamente despercebido na Turquia, sendo ambos dias normais de trabalho.
Em termos de gastronomia turca para o Natal, não há obviamente nada a destacar. Nos dia 24 e 25 de Dezembro e nos dias 6 e 7 de Janeiro, vários pratos típicos da quadra e de diversas regiões do mundo, vão encher as mesas de várias casas espalhadas pela Turquia.

Ver também: O Pai Natal nasceu e viveu na Turquia e mais fotos sobre este tema.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı)


Começa amanhã o Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı), celebrado nos países muçulmanos dois meses e 10 dias depois do Festival do Ramadão ou Festival dos Açúcar (Ramazan Bayramı / Şeker Bayramı).
Esta celebração dura quatro dias, e este ano começa amanhã, dia 20, e prolonga-se até ao dia 23. Durante esse período, principalmente no primeiro dia, é morto um sem número de cordeiros, mas também vitelas, vacas, carneiros e até camelos, em louvor a Deus e para alimentar os pobres. Actualmente esta prática costuma decorrer em estabelecimentos próprios para o efeito, até porque deixou de ser legal abater os animais à porta de casa ou na via pública. No entanto, nas aldeias e pequenas vilas, quase todas as pessoas abatem os animais à porta de casa.
Esta tradição tem origem na história bíblica do sacrifício do filho de Abraão. Consta no Pentateuco que, certo dia Abraão teve um sonho que lhe revelou que tinha de sacrificar a Deus o seu filho Isaac. Abraão decidiu obedecer, mas tratava-se apenas de um teste à sua fé. No último momento, quando este se preparava para matar o filho, um anjo pediu-lhe para parar e deu-lhe um cordeiro para este sacrificar a Deus.
Os muçulmanos mantêm a tradição de Abraão no sentido literal, abandonada pelos judeus e pelos cristãos. Dão grande importância à história do sacrifício do filho de Abraão, em redor da qual giram as festividades do Kurban Bayramı. Mas existe uma diferença interessante na versão islâmica: para os muçulmanos, o filho de Abraão a ser sacrificado é Ismael e não Isaac, porque Ismael é considerado o pai dos muçulmanos, ao passo que Isaac é considerado pai dos judeus. Contudo, o Corão nunca menciona nenhum dos dois nomes, o que torna esse facto não totalmente consensual.

No ritual do Kurban Bayramı, todos os muçulmanos adultos com alguma riqueza devem sacrificar um animal. Muitas vezes, várias famílias juntam-se e compram um mesmo animal. O animal pode ser comprado várias semanas antes e ser alimentado no quintal ou jardim até ao dia do sacrifício. Um terço da carne deverá ser para consumo próprio, e a restante deverá ser distribuída pelos vizinhos e familiares e, principalmente, pelos pobres. Com a carne resultante do sacrifício, a família reune-se à volta da mesa e o espírito é semelhante ao do Natal, por exemplo. Eventualmente podem também ser convidados vizinhos e amigos. Para muitas famílias que vivem em dificuldades, esta é a única altura do ano em que têm abundância de carne à mesa. Contudo, esta tradição tem decrescido na Turquia nos últimos anos, por razões ideológicas ou por preocupações com os direitos dos animais. Os media turcos têm criticado as “cenas sangrentas” nas grandes cidades, olhadas como um embaraço para a Turquia moderna. Para os Turcos mais “refinados”, os ritos do Kurban Bayramı são retrógrados e repulsivos. Outros Turcos mais conservadores criticam a perda do sentido religioso do Kurban Bayramı. Durante estas mini-férias, muitos Turcos viajam para fora do país ou para as estâncias mais turísticas dentro do próprio país.
O outro bayram também é um pouco controverso. Enquanto que os Turcos conservadores preferem chamá-lo de Festival do Ramadão, os Turcos seculares preferem denominá-lo de Festival do Açúcar. Há quem veja nesta controvérsia uma dicotomia entre o mundo urbano e o mundo rural. Na Turquia dos alvores da República, a religião preservava-se principalmente no campo, e existia um oásis de vida moderna nas cidades praticada por uma élite. Nos anos 50, e principalmente a partir dos anos 80, deu-se uma migração maciça das aldeias e pequenas vilas para as metrópoles. Os que vieram das aldeias e que costumavam celebrar o Kurban Bayramı e sacrificar os animais à porta de casa e nos campos contíguos, fazem-no agora perto das auto-estradas e nas ruas.
Também não é consensual entre vários teólogos a realização deste sacrifício anual, que se realiza ao mesmo tempo da peregrinação anual a Meca, até porque, ao contrário desta última, não aparece clarificado no Corão.
Sacrifícios à parte, esta celebração tem uma vertente muito social e, claro está, gastronómica. Neste aspecto tudo é muito semelhante ao que se passa no Festival do Ramadão ou dos Doces.
É a altura em que muitos Turcos visitam a família, começando pelos familiares mais velhos e prosseguindo depois com as visitas aos vizinhos e amigos. O importante é que os mais velhos sejam visitados primeiro pelos mais novos.
É praticamente uma regra oferecer aos “convidados” e às crianças que batem às portas, rebuçados e chocolates. Os doces, como o lokum e a baklava, são reis nas mesas nestes dias, assim como os börek, os rolinhos de folhas de videira (sarma), entre outros, que se oferecem às visitas que vão aparecendo. Em resultado da abundância de carne nestes dias, são também confeccionados pratos de carne típicos da culinária turca.
A frase mais ouvida nestes dias é iyi bayramlar, ou seja, boas festas!

Ver também:

domingo, 16 de dezembro de 2007

Yekta Kara dirige versão arrojada da ópera "Carmen" que passou ontem por Lisboa


A ópera em versão monumental regressou ontem às 21h30 ao Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com a produção "Carmen". Trata-se de uma versão considerada “arrojada e inovadora” da obra-prima de Georges Bizet, dirigida por Yekta Kara, directora artística da Ópera e Bailado de Istambul.
Este espectáculo monumental, em digressão desde Outubro, apresenta em palco 70 músicos da Orquestra Filarmónica de Lemberg e 60 cantores do Coro Nacional da Ucrânia, acompanhados por um elenco que reúne cerca de 30 actores e bailarinos, entre os quais se incluem cinco crianças.

(Fonte: Correio da Manhã)

Turquia, Brasil e Portugal presentes no VI Festival Internacional de Bonecos de Brasília


Desde o dia 11 de Dezembro que a capital brasileira, Brasília, está a receber, pela sexta vez, as novidades do mundo dos bonecos.
Representantes da Turquia, Itália, Portugal, Espanha, Argentina e Venezuela estão a participar no VI Festival Internacional de Bonecos de Brasília, que decorre até hoje no Teatro Funarte Plínio Marcos e na tenda armada na área externa do Complexo Cultural da Funarte.
Além dos bonecos internacionais, participam grupos de 10 Estados brasileiros e grupos do Distrito Federal. Além dos espetáculos, também estão patentes exposições permanentes, de marionetas, mamulengos e outros tipos de bonecos. Outras atracções são a cozinha tradicional, com pratos preparados em fogão a lenha, os shows do Grupo Casa de Farinha, as rodas de conversa, para integrar artistas e público, e também danças folclóricas brasileiras.
(Fonte: Funarte)