terça-feira, 24 de abril de 2007

Semana de cinema turco em Lisboa

Está a decorrer uma semana de cinema turco na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
O evento teve início ontem e vai prolongar-se até ao dia 27 deste mês, com exibições no departamento de Literatura da Universidade.

Os filmes em exibição são os seguintes:

"Yengeç Sepeti" de Yavuz Özkan (1995)

"Mayıs Sıkıntısı" de Nuri Bilge Ceylan (1999)

"Eğreti Gelin" de Atıf Yılmaz (2004)

"Gönül Yarası" de Yavuz Turgul (2004)

domingo, 22 de abril de 2007

No dia 23 de Abril celebra-se na Turquia o Dia da Soberania Nacional e das Crianças


Na Turquia, o Dia da Criança é celebrado a 23 de Abril, que é também o Dia da Soberania Nacional (Ulusal Egemenlik ve Çocuk Bayramı).
A data comemora a abertura da Assembleia Nacional da Turquia, em 1920, durante a Guerra da Independência Turca. A designação de Dia da Criança aconteceu em 1929 por recomendação da Instituição para a Protecção das Crianças.
Desde 1986 que o governo Turco organiza um festival internacional de crianças no dia 23 de Abril, que decorre durante a semana que antecede esse dia. Crianças de vários países deslocam-se à Turquia para representar o seu país com actuações artísticas, e ficam hospedadas em casa de famílias Turcas. Este evento é organizado pela Rádio e Televisão Turca.
O dia 23 de Abril é feriado nacional na Turquia, pontuado por várias festejos em todo o país. Grande parte das cerimónias tem lugar nas escolas, com várias actuações por parte das crianças. Uma das principais actividades deste dia consiste na reunião de crianças na capital, Ancara, que substituem os membros da Grande Assembleia Nacional e governam o país durante um dia. Também noutros locais, a autoridade é dada simbolicamente às crianças neste dia.
Os grupos de crianças estrangeiras, presentes no festival internacional, também participam na sessão especial levada a cabo na Grande Assembleia Nacional.
Os Turcos esperam que as crianças recordem este dia para sempre e que o evento ultrapasse as fronteiras do país. O objectivo é promover a universalidade, de acordo com o princípio "paz em casa, paz no mundo", e " a Soberania pertence incondicionalmente ao povo".

sábado, 21 de abril de 2007

Orhan Pamuk e Maria de Medeiros vão integrar o júri do 60º Festival de Cinema de Cannes

O escritor Turco Orhan Pamuk e a actriz e realizadora Portuguesa, Maria de Medeiros, vão fazer parte do júri do 60º Festival de Cinema de Cannes.

De acordo com uma declaração feita pelo comité do festival, o júri será presidido pelo realizador Britânico Stephen Frears.
O júri, composto por nove membros, irá proceder à entrega da Palma de Ouro no próximo mês, entre 16 e 27 de Maio.
Para além de Maria de Medeiros e de Orhan Pamuk, farão parte do júri a actriz Chinesa Maggie Cheung, o actor e realizador Francês Michel Piccoli, a actriz Australiana Toni Colette, a actriz Canadiana Sarah Polley, o realizador e argumentista Italiano Marco Bellocchio e o realizador Mauritano Abderrahmane Sissako.
Vão estar em competição 22 filmes e serão visionados 21 filmes extra competição.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

18º Festival Internacional de Cinema de Ancara


O Festival Internacional de Cinema de Ancara, arrancou no passado dia 12 de Abril, na sala Farabi, na Universidade de Ancara, e termina no próximo dia 22 de Abril.
Este evento integra obras primas de realizadores turcos e estrangeiros, e conta este ano com um programa muito diverso e rico, com a exibição, nomeadamente de filmes do realizador Italiano Federico Fellini, assim como de realizadores turcos proemimentes, como é o caso de Fatih Akın, Kutluğ Ataman e Yeşim Ustaoğlu.
O filme de abertura foi “West Bank Story”, uma comédia musical que conta a história de um soldado Israelita que se apaixona por uma mulher palestiniana, realizado por Ari Sandel.
Destaque para a exibição do documentário "Maria Bethânia: Música é Perfume", realizado por Georges Gachot e que conta no elenco com Maria Bethânia, Nana Caymmi, Miúcha, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jaime Alem. Este filme ainda pode ser visto hoje às 17 horas.


Todos os filmes integrados neste festival estão em exibição nos cinemas Büyülü Fener, em Kızılay, no centro de Ancara.
Pode ver mais detalhes e o programa do festival aqui.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Uma agradável surpresa



Foi uma agradável surpresa, ter sido surpreendida pelo som fabuloso da música "Ó gente da minha terra" cantada por Mariza, ao entrar hoje numa livraria nas imediações de Ancara.
Reconheci tratar-se do "Concerto em Lisboa", gravado em 2006, no qual Mariza cantou acompanhada pela Sinfonietta de Lisboa, conduzida por Jacques Morelenbaum.
Verifiquei depois que o que escutava não era simplesmente o CD, mas sim o DVD do concerto, que estava a ser exibido na íntegra. A empregada da livraria disse adorar Mariza e, que, desde que recebeu o DVD, o exibe quase diariamente.
Não é a primeira vez que sou surpreendida em locais públicos da Turquia, por vozes Lusitanas, Brasileiras e por Cesária Évora. Em plena Istiklal Caddesi, uma das ruas mais famosas e movimentadas de Istambul, ouvi subitamente uma das canções de Mariza, que se podia escutar num perímetro de alguns metros e vi depois um grande poster da cantora à entrada da loja de discos.
Pontualmente, em supermercados e em outro tipo de lojas, a música de fundo é Portuguesa, Brasileira ou Cesária Évora. Tenho a certeza que sucede o mesmo com os Madredeus, até porque têm vários cd's à venda na Turquia e o concerto que deram em Istambul, em 2005, foi um grande sucesso.

terça-feira, 17 de abril de 2007

José Mourinho "na Turquia"

Encontram-se à venda na Turquia, dois livros que retratam o treinador Português José Mourinho. Um deles é o da autoria do jornalista da TSF Luís Lourenço, e o outro, de Patrick Barclay, colunista de futebol do The Daily Telegraph, ambos traduzidos para Turco.

"José Mourinho", Luís Lourenço

"Anatomia de um Vencedor", Patrick Barclay (Başarının Anatomisi)

José Mourinho é uma das associações mais frequentes a Portugal, juntamente com Luís Figo e Cristiano Ronaldo. No entanto, também são frequentes as associações a Madredeus, Mariza, Eusébio, Mário Soares, Salazar, José Saramago, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Bartolomeu Dias...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Nuri Bilge Ceylan


Nuri Bilge Ceylan nasceu em Istambul em 1959. Depois de se ter licenciado em Engenharia na Universidade do Bósforo (Istambul), estudou cinema durante dois anos na Universidade Mimar Sinan (Istambul).
Em 1995, com 36 anos, realizou o seu primeiro filme, Koza, uma curta-metragem que esteve em competição no Festival de Cannes. Em 1997 realizou a sua primeira longa-metragem, Kasaba, galardoada com o prémio Caligari no Festival de Cinema de Berlim em 1998, entre outros prémios, sobretudo internacionais. Também realizou Mayıs Sıkıntısı (Nuvens de Maio) que esteve em competição no Festival de Cinema de Berlim em 2000. Em 2003 o seu filme Uzak (Longínquo) ganhou o Grand Prix e o prémio de melhor actor em Cannes para Muzaffer Özdemir e Mehmet Emin Toprak. Mehmet Emin Toprak não viveu o tempo suficiente para receber esse prémio. Uzak ganhou vários outros prémios nacionais e internacionais.
Três anos depois de Uzak, Nuri Bilge Ceylan integrou novamente a selecção oficial de Cannes com İklimler (Climas), filme co-produzido por Fabienne Vonier. Desta vez, Ceylan aparece tanto atrás como à frente das câmaras, sendo o actor principal, juntamente com Ebru Ceylan (sua mulher na vida real) e Nazan Kesal, duas actrizes que já tinham participado em Uzak. Em Uzak abordou a questão laboral através da relação entre dois irmãos. Em İklimler estuda o relacionamento entre homens e mulheres. İklimler é a radiografia de um casal em crise. As mudanças meteorológicas reflectem a evolução dos laços que unem Isa à sua mulher Bahar.
O homem foi feito para ser feliz por razões simples e infeliz por razões ainda mais simples, tal como nasce por razões simples e morre por razões ainda mais simples... Isa e Bahar são dois solitários arrastados pelo seu clima interior sempre em mudança, em busca de uma felicidade que já não lhes pertence. Para além de vários prémios naionais e internacionais, Iklimler foi galardoado em Cannes com o prémio FIPRESCI (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica), em 2006.


Nuri Bilge Ceylan, sobre estar à frente e atrás das câmaras: "Se eu desejei tornar-me actor, não foi por o filme contar a história da minha própria vida, até porque, em nenhum momento é autobiográfico. É só porque quis tentar este exercício. Por vezes, existem coisas que sentimos que não conseguimos explicar aos outros actores... Eu já tinha desejado actuar em Uzak, mas na altura não tive a coragem suficiente. Desta vez, o facto de filmamos em formato digital HD permitiu-me ultrapassar um obstáculo: pode-se filmar mais, controlar mais com o monitor. Nas filmagens, eu às vezes tendia a exageros de actuação, porque não havia quem me dirigisse, mas filmamos muito, tinhamos material suficiente para retirar algum proveito disso."

Nuri Bilge Ceylan, sobre a temática do filme: "Este filme reflecte o meu ponto de vista sobre o relacionamento entre homens e mulheres. Não se reporta somente à sociedade Turca. Eu tenho tendência a focar os pequenos detalhes, porque eles muitas vezes têm grandes consequências. Por exemplo, quando um casal discute, muitas vezes violentamente como no filme, tentamos encontrar precisamente o que esteve na origem do conflito. Mas, muitas vezes, é algo que não podemos adivinhar, é um detalhe sem importância."

Pode ver aqui o trailer do filme.

Nuri Bilge Ceylan também é fotógrafo. Pode ver aqui os seus trabalhos.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Estreou em Março o filme que retrata a vida do poeta turco Nazim Hikmet


Estrou em Março, na Turquia, o filme "Mavi Gozlü Dev" (O Gigante de Olhos Azuis), o novo filme de Biket İlhan que retrata a vida do poeta Nâzım Hikmet, a figura mais famosa da literatura turca do século XX. A perseguição de que foi alvo durante grande parte da sua vida, converteram-no no símbolo da luta pela liberdade de expressão no seu país e fora dele.
O título do filme deriva do poema com o mesmo nome, no qual Nâzım Hikmet se compara a um gigante de olhos azuis, com grandes aspirações face à simplicidade da mulher que ama, o que fez com que ao longo da sua vida as suas relações amorosas fossem desastrosas.
O filme centra-se no período de reclusão de Nâzım Hikmet na cadeia de Bursa, condenado pelas suas ideias comunistas. No entanto, recorre à juventude do poeta e às actividades políticas que o levaram à prisão.
Destaca-se a interpretação de Yetkin Dikinciler que interpreta o poeta, e a fotografia de Claudio Bolivar.
O actor, que é extremamente parecido fisicamente com Nâzım Hikmet, reconheceu a dificuldade do seu papel, o de maior importância que desempenhou até ao momento. "Sempre que precisava, sentia que Nâzım Hikmet estava ao meu lado. Um só verso dos seus poemas pode servir de guia a muita gente", afirmou Dikinciler numa entrevista concedida ao diário turco Milliyet.
A admiração que Nâzım Hikmet causa ainda em toda a Turquia está bem presente quando o público aplaude a cena do filme que mostra os companheiros de prisão do poeta entoando os versos do poema "'Este é o nosso país".
Nâzım Hikmet nasceu em 1901 na cidade de Tesalónica, actualmente na Grécia, onde o seu pai era governador. No entanto, rapidamente abandonou os desígnios da sua família aristocrática e interessou-se pelas condições de vida dos camponeses da Anatólia. Entre 1922 e 1925 participou nos intercâmbios estudantis estabelecidos entre a Turquia e a recém criada URSS, onde Hikmet receberia a influência de Maiakowsky e dos poetas futuristas russos. Na Rússia abandonou a métrica da poesia tradicional turca e começou a experimentar o verso livre.
A participação em diversas publicações ligadas ao Partido Comunista Turco levaram-no à prisão em 1933 e, posteriormente, em 1938, quando foi condenado a 28 anos e quatro meses de prisão.
Nessa época, narrada no filme de Biket Ilhan, Hikmet tinha-se consolidado como um grande poeta de renome internacional graças à sua apresentação em França por Louis Aragon. Foi libertado em 1951, graças à pressão do Comité Internacional para a Libertação de Nâzım Hikmet, formado entre outros por Pablo Picasso, Pablo Neruda e Tristán Tzara. Despojado da nacionalidade turca, Hikmet teve de refugiar-se na União Soviética, onde morreu em 1963.
Num número especial do diário Radikal, o romancista Orhan Pamuk recordava recentemente o exemplo de Nâzım Hikmet e a perseguição dos intelectuais críticos na Turquia.