sábado, 31 de janeiro de 2015

Erdal Erzincan em Portugal

Erdal Erzincan actua juntamente com o músico iraniano Kayhan Kalhor, dia 2 de Fevereiro, às 21.00 horas, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian.

O título do concerto é, Kulluk Yakisir Mi  (é impróprio seguir alguém servilmente).
















O projecto de colaboração entre as culturas persa e anatoliana representadas por Kayhan Kalhor e Erdal Erzincan, inclui uma gravação dividida em quatro secções de temas tradicionais intitulada "Intertwining Melodies". E é isso que fazem o kamancha iraniano (parente do violino) e o bağlama anatoliano (semelhante ao alaúde): entrelaçam melodias que ligam duas tradições musicais distintas, mas com ecos comuns da cultura musical persa - que se fez sentir também na região árabe da Turquia.

Veja o programa do concerto aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O Sono de Inverno de Nuri Bilge Ceylan...

 
 Alto! Parem as máquinas porque isto é Cinema!... É o que se apraz dizer depois de se assistir a este estupendo “Sono de Inverno”, do realizador turco Nuri Bilge Ceylan, o mesmo do belíssimo “Era uma Vez na Anatólia”. Desde a interpretação à qualidade literária dos diálogos, sem esquecer uma belíssima fotografia, em especial de interiores, tudo parece perfeito no vencedor deste ano da “Palma de Ouro” de Cannes. E os dois actores principais, Haluk Bilginer y Melisa Sözen estão, simplesmente, soberbos.
O cenário é a Capadócia, na Turquia profunda. Numa aldeia troglodita, os habitantes vivem em casas escavadas na rocha, assim se protegendo melhor do frio e do calor, consoante a época do ano. Mas estamos no Inverno, tempo duro, com a neve pintar de branco os “cones de fadas” e a dificultar a circulação dos habitantes. É tempo de hibernar, de ficar por casa junto à lareira, usando o tempo livre para questões mais pessoais… E é aqui que os problemas emergem. Como em qualquer sociedade, há ricos e pobres, há novos e velhos, há diferentes perspectivas do que é a Vida… Aydin, a personagem central, é dono de um hotel e de inúmeras propriedades arrendadas, é rico, gosta de livros e de escrever, já foi actor e está casado com Nihal, uns vinte anos mais nova. A experiência dos anos faz toda a diferença, quer na forma como Aydin aborda as dificuldades com um arrendatário faltoso quer no seu relacionamento com a jovem esposa. São dimensões mentais e processos de maturação interior opostos, mas são também exemplos simbólicos das reacções e das relações humanas perante a realidade material e a realidade imaterial. Aliás, o ponto de vista do filme é sempre o de Aydin, como o próprio realizador expressamente nos transmite num dos planos iniciais, ao fazer a câmara entrar na cabeça da personagem. Aydin tem-se em conta, acha-se esclarecido e até o é, mas não é exactamente essa a imagem que os outros têm dele, incluindo a sua mulher e a sua irmã. Habilmente, o realizador Nuri Ceylan ergue vários pólos à volta de Aydin, cuja interligação constitui o motor do trama de “Sono de Inverno”.
Não é comum verem-se referências, expressas e tácitas, a Dostoievsky, a Shakespeare, Tchekov ou a Moliére num filme contemporâneo, como as que aqui temos. Como também não é comum assistir-se a uma discussão de meia-hora, tensa e profunda mas surpreendentemente serena, entre um casal. Não há berros, não há insultos, não há agressões, mas sim um homem e uma mulher em sucessivas trocas de argumentos, de olhares, de queixas, de dores. Este diálogo, à lareira (o “lar”…) entre Aydin e Nihal dura, repito, uma boa meia-hora, ininterrupta, e não há sombra de tédio neste momento cinematográfico absolutamente brilhante. E que dizer noutro momento magistral, aquele em que um criador de cavalos tenta tirar da água um equídeo selvagem, acabado de ser capturado, que procura desesperadamente libertar-se? O ser vivo procura sempre a liberdade mas será que, em nós, humanos, a existência da razão é a nossa verdadeira prisão? E será que o Amor é a chave da libertação? No final, o «velho» Aydin, encontra a resposta.
O ritmo do filme é lento, mas não aborrecido. É preciso tempo para as ideias assentarem, é preciso tempo para percepcionarmos o que estamos a ver, é preciso tempo para saborear a vida. São filmes destes que ainda fazem acreditar no poder do cinema, na sua capacidade de nos fazer ver em como estamos vivos e o quão maravilhoso isso é. Obrigatório.
 
Fonte: Público (Pedro Brás Marques)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Elif Şafak já tem livro editado em Portugal

"A Bastarda de Istambul" é o primeiro livro de Elif Şafak editado em Portugal. A escritora turca é aclamada pela crítica como uma das vozes mais originais da literatura contemporânea, tanto em língua turca como em língua inglesa. A obra foi nomeada para o Orange Prize for Fiction. "Um verdadeiro prazer", escreveu o The Times.

 
 
"Numa tarde de chuva em Istambul, uma mulher entra num consultório médico. "Preciso de fazer um aborto", declara. Tem dezanove anos de idade e é solteira. O que acontece naquela tarde mudará para sempre a sua vida."
 
(Fonte: Diário Digital)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Sono de Inverno" estreia em Portugal a 8 de Janeiro

Palma de Ouro do Festival de Cannes este ano, "Sono de Inverno" coloca novamente o nome do realizador turco Nuri Bilge Ceylan em voga, após o saudoso "Era uma Vez na Anatólia" (2011). Uma obra densa, tanto a nível emocional como filosófica.

 
 
Actor reformado, Aydin é o responsável por um hotel na Anatólia Central, onde vive com a jovem esposa Nihal e com a irmã Necla. É precisamente o hotel que acaba por ser o palco da vida dos três, ainda mais quando o Inverno assola a região. Como a neve que cai sobre o local, os conflitos caem um atrás dos outros ao longo do filme, numa “tempestade” que é no entanto brilhantemente gerida por Nuri Bilge Ceylan.
O realizador turco aborda essencialmente um tema: o poder, embora nas suas mais variadas formas (matrimonial, familiar, social, etc.). Tudo fica exposto precisamente quando o Inverno chega. Antes, com a possibilidade de locomoção, os ressentimentos ficam guardados, à espera de uma oportunidade para surgirem sem piedade, o que acontece precisamente na época mais fria do ano. É como se, de repente, alguém acendesse o rastilho e tudo viesse para fora, com cada um a mostrar os seus mais profundos traumas e rancores.
"Sono de Inverno" é uma obra onde a palavra, a conversa impera. São conversações longas, sem pressas, pausadas mas também furiosas, conversações que desenrolam em habitações mal iluminadas, já que os quartos e os aposentos do hotel são no interior de cavernas. É na “escuridão” de cada local que as conversas surgem, com Nuri Bilge Ceylan a apresentar um manual de realização, já que muitas vezes prescinde da imagem e dá vez à palavra, algo nem sempre fácil de alcançar.
Não se sai incólume após cada conversação, é como se estivéssemos num ringue de boxe. Cada diálogo é um “soco”, mas com dois combatentes que não desistem. Há sempre uma réplica por apresentar, o KO dificilmente ocorre. Este “combate” é extenuante e portanto exige “disposição física” por parte do cinéfilo, não estamos perante uma obra de fácil digestão. As palavras calcam e Nuri Bilge Ceylan assim comprova, ainda mais quando o ego acaba por dominar as nossas acções, onde a moralidade tem apenas uma face de uma moeda. O problema é admitir que falta o outro lado da mesma…
 
Ficha técnica:
Título: "Sono de Inverno"
Título original: "Kis uykusu"
Realização: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Ayberk Pekcan, Demet Akbag, Haluk Bilginer, Melisa Sözen e Nejat Isler
Género: Drama
Duração: 196 minutos
País: Turquia
Ano: 2014
 
Fonte: Diário Digital (Pedro Justino Alves)