domingo, 27 de janeiro de 2008

Cinema turco em Brasília


O filme "Head On", do realizador alemão de ascendência turca Fatih Akin, fará parte de uma mostra cinematográfica dedicada à questão migratória, a decorrer de 12 de Fevereiro a 2 de Março no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília.
O filme foi traduzido no Brasil como "Contra a Parede" e em Portugal como "A Noiva Turca".

Mais pormenores aqui.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Cerâmicas turcas em exibição na Casa-museu Dr. Anastácio Gonçalves


Está a decorrer, na Casa-museu Dr. Anastácio Gonçalves, uma exposição temporária intitulada "Olhares Cruzados Sobre o Islão". A exposição está patente até ao dia 2 de Março.

Ao longo de três secções intituladas "O Tempo e o Espaço", "A Figura Humana" e "Islâmico ou Muçulmano", o visitante observa 50 objectos, na sua maioria cerâmicas, que reflectem a diversidade visual de culturas como o Irão Safávida, o Império Otomano, ou o Al Andalus.

Esta é a primeira vez que a Casa-museu Dr. Anastácio Gonçalves expõe o seu acervo de cerâmicas iranianas e turcas na sua totalidade. Também pela primeira vez, são expostos um Alcorão do acervo do Museu Calouste Gulbenkian e uma insígnia de cavaleiro do Museu Islâmico de Mértola, apresentada por Cláudio Torres, director do Campo Arqueológico de Mértola. De destacar ainda a miniatura de Maomé, da colecção do Museu Calouste Gulbenkian, executada em Bucara no século XVI, a única ilustração do Profeta conhecida em museus portugueses. Nesta ilustração, cruzam-se os olhares de Rui Santos, historiador, do Sheikh David Munir, Imam da mesquita de Lisboa, e Inês Fialho Brandão, historiadora de arte e comissária da exposição.


Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Av. 5 de Outubro, 6-8

1050-055 Lisboa

Tel.: +351 213 540 823/923; Fax: +351 213 548 754

sábado, 19 de janeiro de 2008

Hoje é Dia de Aşure (Aşure Günü)


Hoje celebra-se o Dia do Aşure (Aşure Günü), por ser o dia 10 do mês de Muharrem, o primeiro mês do calendário islâmico. A palavra aşure deriva do árabe ashura, que significa dez.
O dia do aşure é materializado num doce, chamado aşure ou doce de Noé, feito à base de trigo, frutos secos e leguminosas.
No décimo dia do Muharrem é lembrado o massacre de Hüseyin, neto de Maomé, assim como da sua família e amigos na batalha de Karbala em 680 d.C. No entanto, o filho de Hüseyin, Zaynul Abideen, sobreviveu ao massacre, o que permitiu a continuidade da família do profeta Maomé. Na Turquia, o carácter religioso do dia do aşure é lembrado pelos alevitas, que também fazem o jejum de Muharrem nos primeiros 12 dias do mês.
Também Abraão terá escapado ao fogo em Urfa, na Turquia, no dia 10 de Muharrem, e Jacó terá encontrado o seu filho José também nesse dia. Por outro lado, esta data também assinala a libertação dos judeus do Egipto, liderada por Moisés. O povo judaico faz jejum nesse dia e faz uma festa onde é servido o doce chamado aşure. O aşure também faz parte, nomeadamente, da culinária grega e arménia. Os Arménios consomem aşure no dia de Natal, e os Gregos nos funerais. O aşure também é conhecido como doce de Noé, uma vez que este dia também é associado à chegada da Arca de Noé ao monte Ararat, no nordeste da Turquia, e ao fim do dilúvio. Conta a tradição popular que nesse dia terá havido uma grande alegria, e para celebrar o fim do dilúvio e para agradecer a Deus, todos os que faziam parte da arca prepararam uma refeição com todos os alimentos que existiam lá dentro. Como tinham cereais, frutos secos e leguminosas, fizeram uma iguaria com tudo isso, que cozinharam com açúcar. De acordo com esta tradição, o aşure representa abundância, partilha e boa sorte.
Na Turquia, o aşure faz parte de uma tradição muito antiga e é preparado principalmente nesta altura. Quando alguém faz aşure é costume dar aos vizinhos e aos pobres, embora o crescimento das cidades faça com que hoje em dia o hábito de distribuir aşure por todos os vizinhos de uma determinada região se esteja a perder. No entanto, muitas pessoas ainda mantêm a tradição de distribuir aşure pelos vizinhos do seu prédio ou das imediações. O prato é geralmente devolvido cheio de aşure ou de outra iguaria. Nas aldeias turcas essa tradição está ainda mais enraizada, sendo costume a preparação de grandes caldeirões de aşure, que depois é distribuído. De acordo com a tradição, os habitantes de 40 casas localizadas a Este, Oeste, Norte e Sul, são considerados vizinhos. Também algumas instituições, nomeadamente câmaras municipais, preparam o aşure e convidam a população a saboreá-lo.
Mais do que um alimento, o aşure significa partilha e acredita-se também que dá sorte, abundância e felicidade. Partilhar o aşure significa espalhar e aumentar tudo isso. Para além desse simbolismo, para os alevitas aşure tem também um grande significado religioso, e geralmente fazem-no com 12 ingredientes, em honra dos 12 imames em que acreditam.

Sobre os alevitas, ler também: Começou o jejum do Muharrem para os alevitas; A situação dos alevitas na Turquia.

Encontra aqui algumas receitas de aşure.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Começou o jejum do Muharrem para os Alevitas


Começou ontem o mês de Muharrem, o primeiro mês do calendário islâmico. Com o mês de Muharrem, começa também o jejum de Muharrem (Muharrem orucu), praticado pelos Alevitas (Aleviler).

Os Alevitas são um grupo religioso vasto que se estima ter entre 12 a 20 milhões de seguidores na Turquia. A cultura e religião onde se inserem é chamada de Alevismo (Alevilik), e os seus seguidores são sobretudo de etnia turca. A sua origem terá sobretudo influência xiita, tratando-se de um ramo específico do Xiismo. No entanto, existem divisões no seio dos Alevitas relativamente ao facto do Alevismo estar ou não inserido no Islão.

O jejum de Muharrem acontece nos primeiros 12 dias do mês do Muharrem, ou 20 dias após o Festival do Sacrifício (Kurban Bayramı). Os Alevitas, para além de não consumirem alimentos do nascer ao pôr-do-sol, também não bebem água e não consomem carne durante os 12 dias. Também não utilizam facas, nomeadamente, para cortar os alimentos, e os homens não fazem a barba, uma vez que Hüseyin, o filho de Ali, foi assassinado com uma faca. Em vez de água ingerem outros líquidos e evitam também qualquer tipo de conforto e prazer durante estes dias.
Este sacrifício pretende lembrar o assassínio do filho de Ali, Hüseyin, durante a Batalha de Karbala. Ali, o genro de Maomé, constitui a figura central do Alevismo.

Os Alevitas têm várias diferenças culturais, ideológicas e religiosas relativamente aos Muçulmanos sunitas, que são a maioria da população turca. Uma dessas diferenças é o facto de não observarem o jejum do Ramadão. Em contrapartida praticam o jejum do Muharrem que não é praticado pelos Muçulmanos sunitas. Tal como acontece com os Muçulmanos sunitas relativamente ao jejum do Ramadão, nem todos os Alevitas observam o jejum do Muharrem.

Apesar de terem grande expressão na população da Turquia, os Alevitas não têm, nomeadamente, apoio do Governo para a criação e manutenção das suas casa de culto (cemevi), uma vez qu não frequentam mesquitas.

Pela primeira vez, o Governo turco, à semelhança do que faz no Ramadão, decidiu sentar-se à mesa com os Alevitas para uma cerimónia do iftar. O iftar é a refeição que marca o fim do jejum no Ramadão e no jejum do Muharrem. Os Alevitas contestaram esta atitude, alegando que precisam de acções concretas e não de espectáculos.


Sobre Hüseyin Sermet


Hüseyin Sermet é conhecido do público português por ter gravado a quatro mãos com Maria João Pires, e por ter actuado no concerto de abertura dos Dias da Música 2007. Regressou ontem ao Centro Cultural de Belém para participar no Ciclo de Piano Beethoven 2008.
Hüseyin Sermet nasceu em Istambul em 1955. Ingressou no Conservatório de Ancara aos 10 anos. Em 1968 recebeu uma bolsa do governo turco para estudar em Paris, para onde se mudou e onde vive actualmente. No Conservatório de Paris estudou piano e composição com Thierry de Brunhoff, Marcia Curcio, Nadia Boulanger e Olivier Messiaen. Recebeu vários prémios em concursos internacionais (Santander, Reine Elisabeth, Bruxelas, Geza Anda, Zurique). A partir de 1976 iniciou uma brilhante carreira internacional actuando na Europa, México, EUA e Japão. Tem tocado com importantes orquestras como a Radio France, Orquestra Nacional da Bélgica e a NHK de Tóquio, English Chamber Orchestra, Tonhalle Orchestra de Zurique, sob a direcção de Ferdinand Leitner, e Detroit Symphony Orchestra dirigida por Antal Dorati. Tocou também música de câmara com Rostropovich, Bashmet, Maria João Pires, Raimondi, Portal e com maestros, como Semyon Bychkov, Alain Lonbard, Antal Dorati, Lawrence Foster, Ferdinand Leitner e Lorin Maazel. A sua primeira gravação foi música de Schubert, a quatro mãos, com a pianista Maria João Pires, seguida de um CD de Rachmaninov e ainda uma terceira de Beethoven. Foram muito aplaudidas pela imprensa europeia. As duas gravações seguintes com música do século XX conquistaram o "Choc de la Musique" da revista francesa Le Monde de la Musique. As suas gravações com a música de Florent Schmitt foram galardoadas com o Diapason d'Or, Grand Prix de la Nouvelle Académie du Disc, em Paris, e MIDEM Classical Award. Hüseyin Sermet é desde 1988 Doutor Honoris Causa da Universidade de Boğaziçi de Istambul e desde 1998 da Universidade de Marmara. Em 1991 foi eleito "State Artist" na Turquia.
É também compositor. A Orquestra Sinfónica de Tóquio encomendou-lhe uma obra, Rêve et Cauchemar, criada em 2001, e actualmente está a trabalhar noutra encomenda, Sculptures.

(Fonte: Jornal Inside)

Pianista turco Hüseyin Sermet no CCB


No âmbito do projecto Beethoven 2008, está a decorrer no Centro Cultural de Belém (CCB), desde o dia 8 de Janeiro e até ao dia 22 deste mês, um ciclo de piano que inaugura a homenagem a Ludwig van Beethoven, nos 200 anos do célebre concerto de Viena.
Depois de ter participado no Festival Dias da Música, em Abril de 2007, com uma participação no concerto de inauguração, Hüseyin Sermet, o premiado pianista turco, regressou ontem ao CCB. Hüseyin Sermet contribuiu para o ciclo de piano dedicado a Beethoven com a interpretação de três sonatas e de 32 Variações para piano sobre um tema original do compositor alemão.

Programa:

Ludwig van Beethoven (1770-1827) - 32 Variações para piano sobre um tema original em Dó menor, WoO 80; Sonata nº 17, em Ré menor, opus 31/ 2 "A Tempestade"; Sonata nº 24, em Fá sustenido maior, opus 78; Sonata nº 30 em Mi maior, opus 109.

(Fonte: Público)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Feliz 2008!


A Turquia não fugiu à regra e recebeu o Novo Ano de forma entusiasta. A forma como os Turcos celebram a passagem do Ano não difere muito da dos Portugueses, por exemplo. No entanto, podemos dizer que é um misto entre o Natal e o Carnaval, para além da sua própria especificidade.

Montra de loja no centro de Ancara.
aqui referi a forma como as decorações de algumas lojas e centros comerciais fazem lembrar as natalícias, e também o facto de alguns Turcos fazerem árvore e arranjos "de Natal" nas suas casas.

Venda de azevinho e pinheiros no centro de Ancara.

O traje de Pai Natal, particularmente o seu barrete, também ocupa lugar de destaque durante as celebrações de Ano Novo na Turquia. Para além dos barretes de Pai Natal, muitas pessoas colocam chapéus cónicos de festa nas cabeças e as tradicionais fitas que costumam decorar as árvores de Natal ao pescoço. Ouve-se nas ruas e locais de festa um barulho muitas vezes ensurdecedor de apitos e de outros equipamentos sonoros que fazem lembrar o Carnaval, nomeadamente "bombinhas" e pequenos foguetes. Não faltam também os disparos para o ar e o fogo de artifício.

Venda de adereços para a celebração do Ano Novo - Ancara.


Pacotes de roupa interior vermelha à venda no centro de Ancara.

As tradições mais populares por terras da Anatólia no que diz respeito a receber o Novo Ano são: bater em tachos, bater testos, atirar romãs pela janela, usar roupa interior vermelha, entre outras... É também tradição comprar bilhetes de lotaria de Ano Novo e verificar os resultados um pouco antes da meia-noite.


Em termos gastronómicos, o perú também é presença comum nas mesas, entre outras iguarias, tudo bem acompanhado com raki e outras bebidas alcoólicas. No entanto, o champanhe não parece reunir muitos adeptos, assim como os brindes e o comer das doze passas à meia-noite. Nessa altura as pessoas distribuem beijos, abraços e desejos mútuos de Bom Ano, quer se encontrem em casa, num restaurante, bar, discoteca ou nas praças das principais cidades.


Ver também: O Natal e o Ano Novo na Turquia
Destaques da Ceia de Ano Novo