sábado, 16 de dezembro de 2006

Mevlana e o Sufismo


Mevlana Celaleddin Rumi é um dos maiores líderes espirituais e génios poéticos da história humana, tendo sido o fundador da ordem sufi mevlevi, uma corrente espiritual mística do Islão.
Nasceu em Balkh, no Afeganistão, em 1207, no seio de uma família de teólogos letrados persas. O seu pai era um conceituado professor que foi galardoado com o título de Lorde dos Sábios. Para escapar à invasão mongol, Rumi e a sua família viajaram por diversos lugares, fixando-se por fim em Konya, na Anatólia central, onde sucedeu ao seu pai, em 1231, como professor de ciências religiosas.
Mevlana estudou exaustivamente todos os aspectos da Filosofia, e foi um leitor ávido das obras dos autores clássicos. Em 1244 conheceu um dervixe perturbador, Şemseddin Tebrizi (Shamsuddin de Tabriz). Tornaram-se amigos rapidamente, e passaram dias e semanas juntos em discussões filosóficas. O seu amor por Şemseddin e o sofrimento pela sua morte misteriosa, ganhou expressão na música, dança e na poesia lírica através da obra Divani Şamsi Tabrizi.
Hüsameddin Çelebi ajudou-o a continuar as suas especulações filosóficas, e inspirou-o a escrever a sua grandiosa obra: Mesnevi, uma colecção de 25 600 poemas com seis volumes.



Mevlana morreu a 17 de Dezembro de 1273 e foi sepultado em Konya, onde foi construído um mausoléu sobre o seu sarcófago. Desde então, aquela noite foi chamada Şeb-i Aruz (Noite da União).



O Pensamento de Mevlana

Mevlana foi um homem de amor e de afeição e influenciou o pensamento, literatura e todas as formas de expressão artística no mundo islâmico. O seu objectivo era a unificação com Deus. Segundo ele, Deus não tem lugar no universo, mas sim no coração. Assim sendo, o homem deve obedecer ao coração e não à razão.
"Vem, vem de novo, quem quer que sejas, o que quer que sejas, vem: pagão, venerador, cheio de pecados de idolatria, vem. Vem mesmo que tenhas quebrado a tua penitência centenas de vezes, a Nossa não é a porta para o desespero e para o sofrimento, vem".

A Ordem Mevlevi

A Ordem mevlevi é uma ordem islâmica mística fundada pelos seguidores e devotos de Mevlana depois da sua morte.
Mevlana, durante a sua vida, nunca foi líder de uma ordem nem fundou a ordem como tal e também não criou a irmandade. Foi, contudo, a sua aproximação mística que uniu um grupo de pessoas na busca de um caminho para o pensamento esclarecido, através de uma combinação única de filosofia e de amor místico.
A Ordem foi fundada gradualmente mediante os esforços do seu filho e do seu neto para manterem uma comunidade de seguidores, e pela adição de método e regras às suas ideias. Consiste numa síntese de amor espiritual, exaltado com uma combinação de música e dança, considerada como a base do êxtase espiritual e da devoção.
Durante séculos, os dervixes dançantes difundiram-se da Turquia até à Jugoslávia, e do Egipto à Índia, e hoje têm centros em mais de 75 cidades em todo o mundo.

Os Dervixes Dançantes: A Sema


A Sema, um rito de recitação conjunta praticado pelos Mevlevi, foi tradicionalmente executado na Semahane (Casa da Sema). Simboliza atingir vários níveis de união mística com Deus e de absoluta perfeição, através do fervor espiritual e do êxtase controlado. Segundo Mevlana, através da Sema, os dervixes podem estender a mão e tocar o "princípio".
A música da Sema é geralmente orquestrada pelo percussionista chefe. A percussão é feita com os kudum (pequenos tambores) e címbalos. A melodia é produzida pelo ney (flauta de palheta), pelos instrumentos de cordas e pela voz. As palavras e mesmo as sílabas da poesia estão interligadas com as notas musicais. "A música dervixe não pode ser escrita em notas. As notas não contêm a alma do dervixe".
Os passos do caminho da união com o divino são executados de acordo com regras rigorosas. Dentro de um círculo, o sheikh permanece no sheepskin. É a posição espiritual mais elevada, marcada por um tapete vermelho, que indica a direcção de Meca. Vermelho é a cor da união e do mundo visível. Existem 24 cores da união e do mundo manifestado. O posicionamento dos músicos é em frente do sheikh. Os dervixes dançantes posicionam-se à sua esquerda. Durante a actuação, os dervixes usam túnicas e saias compridas, que representam o seu refúgio. As saias são cobertas por um manto preto que representa o seu túmulo, e usam chapéus largos e cónicos feitos de pelo de camelo, representando a pedra tumular. Com a retirada do manto, no início da cerimónia, o dervixe renasce espiritualmente para a verdade.


Os dervixes dão voltas eternas e sem esforço. Giram, rodando em torno do seu próprio eixo e movendo-se também em órbita. A mão direita está virada para o céu para receber o perdão de Deus, que passa através do coração e é transmitido à terra com a mão esquerda que está voltada para baixo. Enquanto que um dos pés permanece firmemente no chão, o outro cruza-o e permite a propulsão giratória. O movimento de levantamento e queda do pé direito é mantido constante, através da repetição ritmada do nome de Deus: "Allah-Al-lah, Al-lah". A cerimónia pode ser analisada como um grande crescendo em três fases: aprendizagem de Deus, visionamento de Deus e união com Deus.

2 comentários:

Omni disse...

I love the photo of the dancers!! :-)

Serhat disse...

Fonte que eu procurava para estudar des de muito tempo. agradeço por essa sra misteirosa lidia!!! a rainha da cultura turca em lingua portuguesa...